Sejam Bem Vindos ao Blog Twilight A Saga Contínua!!! Comentem As Fics!

Capítulo 9 - Surpresas do Destino

Devo ter adormecido logo. Acordei na manhã de segunda-feira, com o livro no colo e atrasada. Corri para o chuveiro e me lavei, escovei os dentes e penteei os cabelos o mais rápido que pude. Como meu cabelo não queria me ajudar, prendi tudo em um rabo de cavalo. Coloquei um vestidinho florido de mangas três quartos, com legging e sapatilha de boneca. Desci as escadas correndo, com a bolsa de couro que ganhara de Alice nas mãos. Minha irmãzinha estava sentada na soleira da porta, com as chaves do carro nas mãos.
- Porque você não me chamou!
- Você estava dormindo tão bonitinho!
- Agora estou horrível, nem tive tempo de me arrumar.
- Pare de bobagem, você está linda!
- Ah claro! Sei!
Entramos no carro e praticamente voamos para a escola, mesmo assim, chegamos depois do professor. Tive que pedir desculpas novamente, e é claro Edward divertiu-se novamente com isso.
- Não diga nada! Meu humor está péssimo.
- O que foi? Eu nem disse nada.
- Mas pensou!
- Achei que eu fosse o único que pudesse fazer isso!
- Isso o que, garoto?
- Ler pensamento.
- Há, há. Muito engraçado.
- O Newton está muito desapontado por você ter acabado com a tentativa dele.
- Tentativa de que?
- Chamá-la para sair.
- Ele ia fazer isso?
- Ao que parece, ia. Ele pensou nisso a semana toda.
- E você nem me contou!
Dei um soquinho devagar em seu ombro.
- Belo irmão você é, nem me protege!
- Achei que soubesse se cuidar sozinha.
- Engraçadinho.
- Obrigado, eu tento! Mas falando sério, porque está tão estressada.
- Sei lá, sinto como se tivesse borboletas em meu estômago.
- Eu hein! Achei que só as humanas passassem por essas transformações hormonais periódicas.
- Você está tão engraçadinho hoje! Vamos prestar atenção à aula, afinal deve ser só a centésima vez que vejo este assunto.
Edward estava rindo quando o professor voltou-se para nós dois, ele pigarreou e fingiu uma tosse. Se não fosse por maus irmãos, eu provavelmente não suportaria a escola.
No intervalo, não fiquei com os outros. Meu humor estava tão negro que eu não conseguiria fingir interesse pelos assuntos humanos. A tal Jessica Stanley, ignorando minha vontade de solidão, veio até a mesa em que eu estava com meu livro nas mãos e me interrompeu.
- Satine, posso perguntar uma coisa?
- Bem, uma coisa você já perguntou, mas tudo bem. Pode perguntar outra.
- O rapaz de ontem, o Jacob, ele veio buscá-la semana passada não veio?
- Sim, ele veio.
- Vocês estão tipo, namorando?
- Porque quer saber?
- Não, por nada. É só que este garoto, ano passado, meio que dava em cima da Bella. Sabe como é, eu quis te avisar.
- Obrigado por se preocupar comigo. Não nós não estamos namorando, Jake é meu amigo, apenas amigo.
- É que ele te abraçou de um jeito.
Sinceramente pensei em muitas coisas para responder para ela, nenhuma educada. Pensei bem e resolvi que não daria a vitória a ela. Eu trataria bem a garota insolente, além disso, talvez ela pudesse aproveitar e resolver meu assunto com o tal Mike Newton. Então fiz um enorme esforço para que alguma coisa menos hostil atravessasse minhas cordas vocais.
- É só o jeito dele. Além disso, eu já tenho um namorado.
- É mesmo, quem?
- Ele mora na Europa. Faz faculdade de artes plásticas, em Roma.
- Ah sei. Legal. Depois a gente se fala então.
Com certeza não era o que ela queria ouvir. Acho que eu a choquei. Um namorado europeu, fazendo faculdade! Coitada, a recuperação será dolorosa. Pelo menos ela para de pensar bobagens e ainda resolve a paixonite do Newton por mim.
Quando contei para Alice, em nossa aula juntas, ela quase engasgou de tanto rir. Estávamos conversando quando Alice parou, com cara de quem estava vendo fantasmas.
- O que foi Alice, está vendo alguma coisa?
Ela deu um sorriso de satisfação. Se vira alguma coisa, com certeza era boa.
- Nada não. Só algumas surpresinhas do destino! Aliás, vem cá, vou arrumar o seu cabelo.
Alice aproveitou da saída de nosso professor e virou-me de costas, soltando o rabo de cavalo e penteando com os dedos as minhas ondas. Pronto agora está lindo.
- Porque está tão preocupada com meu cabelo?
- Só estou cuidando da minha irmãzinha!
- Dissimulada!
O sinal tocou logo depois que o professor retornou. Eu ainda não tinha engolido bem aquela história de Alice não ter visto nada. Claro que ela tinha visto.
Quando saímos do prédio, meu nariz me enganou. Eu parei puxando o ar para dentro.
- Impossível. Edward tinha razão. Devo mesmo estar enlouquecendo
- Por quê?
- Meu olfato sempre foi perfeito, mas acho que não é mais.
- Não sei não, acho que você está ótima!
- Alice, eu estou sentindo o cheiro de...
- Demetri Volturi?
- Como sabe?
Ela fez aquela cara de malvada e sorriu.
- Então foi isso! Você viu... não... impossível! Como ele me achou? Você é que está ficando louca! Espera, então por isso você arrumou o meu cabelo!
- Vamos logo, não quero me atrasar. Jasper está me esperando.
Alice me puxou pela mão. Se não fosse por isso, acho que eu teria ficado ali, plantada, como uma árvore. Meus pés se recusavam a sair do lugar.
Assim que saímos do complexo de prédios da escola, e pudemos avistar o estacionamento, eu o vi. Ele estava simplesmente maravilhoso, encostado em meu BMW, com os braços cruzados sobre o peito. De óculos escuros, o cabelo despenteado de propósito, uma calça jeans e camiseta preta com uma jaqueta de couro por cima. Eu não podia acreditar em meus olhos. Só tinha uma explicação, eu estava sonhando, não tinha cordado ainda. Ele, meu Demetri, ali na minha frente. Depois de tanto tempo.
Eu abri um sorriso incontrolável e corri para ele, jogando a bolsa no chão. Pulei em seu pescoço e ele me segurou, tirando meus pés do chão. Encostei o rosto em seu pescoço e puxei o ar para dentro de mim, seu cheiro doce me envolveu. Eu poderia morrer ali, meu paraíso particular. Demetri virou o rosto. Ainda me envolvendo em seus braços frios, falou com os lábios juntos dos meus, quase num beijo.
- Nunca mais fuja de mim!
- Eu estava com saudades.
- Eu quase morri, meu amor, quase morri sem você. Nunca mais faça isso.
Colocou-me no chão suavemente e sorriu.
- Acho que seu irmão não está muito feliz com a minha visita.
Quando me virei, Edward estava parado, com as mãos cerradas em punho e os dentes a mostra.
Demetri se aproximou mais, puxando-me para seu peito.
- Tudo bem, garoto! Eu vim apenas ver Satine. Não me importo se cumpriu ou não sua promessa. Não vim a negócios.
Eu coloquei a mão livre no peito de Edward e olhei bem no fundo dos olhos dele.
- Ed, por favor.
Ele continuava a rosnar baixinho. Bella parecia feita de cera de tão branca. Eu não sabia o que fazer, não queria que os dois brigassem, especialmente ali, no estacionamento da escola. Olhei para Alice, ela estava serena e calma.
- Alice me ajude, não vê o que vai acontecer?
- Ao contrário, Satine. Eu vejo, e muito bem!
Olhou para Edward na maior calma do mundo e falou.
- Deixe de bobagem Edward, não vê que ele veio por causa dela. Nem preciso de dom especial para saber disso, olhe a cara dos dois. Ele nem quer saber de Bella. Além disso, eu vi, ele não vai fazer nada, nada mesmo.
- Sua irmã tem razão garoto, eu não faria isso, por Satine.
Edward segurou minha mão que ainda estava em seu peito e olhou em meus olhos.
- Se precisar de alguma coisa, qualquer coisa. Sabe como me achar. Faça isso e me dará um imenso prazer.
- Eu prometo. Confie em mim.
Ele segurou forte no braço de Bella e quase a arrastou para o volvo. Alice caminhou despreocupadamente ao lado dele, deixando-me sozinha com Demetri.
- Enfim sós!
Eu o abracei novamente, bem apertado. Cada partícula do meu corpo, colada ao dele. Seu cheiro inundando o ambiente, seu hálito gelado em meu pescoço, suas mãos arrepiando a minha pele
- Como me achou?
- Um dia você viria para cá. Quando não a achei, segui seu rastro. Esqueceu o que sou?
- Meu rastreador!
Ele segurou minha mão, como o cavalheiro que era e beijou-a, olhando-me nos olhos.
- Pela eternidade.
Eu mal podia acreditar que ele estava ali. Que o amor de minha longa vida enfim, estava ao meu lado. Embora isso não mudasse o fato de que ele não me queria como eu gostaria, apenas tê-lo ao meu lado já era suficiente para me fazer feliz.
- Então, minha princesa. Vamos sair daqui?
- Claro!
- Importa-se se eu dirigir?
- De maneira alguma.
Joguei as chaves e ele as pegou no ar. Demetri dirigiu por um caminho que aos poucos me foi ficando claro.
- Porque estamos indo ao hospital?
- Quero falar com Carlisle.
- O que quer falar com meu pai?
- Preciso avisá-lo de minha visita. Será mais honesto que ele saiba por mim. Não tenho nenhuma intenção de irritá-lo.
- Tem certeza?
- Eu sou muitas coisas Satine, mas sou principalmente um cavalheiro. Eu nunca desrespeitaria a autoridade de seu pai sobre seu clã.
- Ok, se assim, vamos falar com ele.
Entramos no hospital e perguntei a recepcionista se poderia ir até a emergência, onde meu pai trabalhava. Ela sacudiu a cabeça afirmativamente sem tirar os olhos de Demetri. Confesso que me irritou bastante, eu odeio o efeito que ele tem sobre as mulheres!
Meu pai estava guardando os instrumentos que acabara de usar. Eu o chamei.
- Pai!
Quando ele se virou, seu rosto era enigmático. Acho que nem ele mesmo sabia o que pensar. Demetri ali, ao meu lado.
- Carlisle, com vai?
- Bem. Algum problema Demetri?
- De maneira alguma. Vim apenas para ver Satine, não quero que se preocupe, não vim a pedido dos Volturi. Estou aqui por conta própria, não podia deixar de vê-la, saber se estava bem.
- Eu entendo. Espero que entenda que Edward precisa de mais tempo.
- Como eu disse, não tem com que se preocupar. Aro nem sabe que estou aqui. É uma visita apenas para Satine. Ela é muito importante para mim. Espero que não se importe que eu a veja.
Os olhos de meu pai, derrepente ficaram ternos. Com seu rosto doce e suave novamente, ele estendeu a mão para Demetri.
- Nunca poderei recompensá-lo por tudo que fez a minha filha, quando eu não estava lá. Pode vê-la sempre que tiver vontade, sei que isso também a faz feliz. Minha casa é um lugar de paz, sempre que quiser, as portas estarão abertas para você.
- Muito obrigado. Não poderia esperar outra atitude de um homem como você. E quanto a recompensas. Minha maior recompensa é olhar nos olhos dela e ver a mulher que se tornou. Ah, e não se preocupe com minha alimentação, não pretendo caçar enquanto estiver aqui.
Meu pai sorriu e agradeceu cordialmente. Eu saí do hospital muito feliz. Os dois homens que eu mais amava no mundo estavam pelo menos tentando se entender por mim. Isso era ótimo.
Demetri dirigiu até sair do asfalto, uma estradinha secundária, que nem mesmo eu conhecia terminava as margens de um grande rio. O lugar provavelmente era usado para piquenique, ainda restavam algumas mesinhas e bancos de cimento.
Descemos do carro e Demetri sentou-se de lado em um dos bancos, com uma perna para cada lado. Eu me aconcheguei em seus braços, colocando minhas pernas sobre as dele.
- Temos muito para conversar.
- Sim temos.
- Acho que você não vai gostar muito de saber sobre minha mãe.
- Que ela era uma filha da lua?
- Você sabia? E não me contou?
- Na verdade eu não sabia, suspeitava. Quando vim procurá-la apenas tive a confirmação.
- E não me contou por quê?
- Você não queria saber, nunca quis. Não estava preparada. Na hora certa eu sabia que iria procurar.
- E não se importa?
- Nem um pouco. Você é perfeita como é. Ainda que tenha sangue de lobo nas veias.
Ele sorriu e me puxou para si, apertando-me contra seu peito de pedra. Com delicadeza levou a mão por meu rosto, tocando os dedos com suavidade em meus lábios. E sussurrou em meu ouvido.
- Minha vida!
- Eu te amo.
- Prometa que não vai mais fugir de mim. Não posso mais existir sem você. Prometa.
- Eu prometo.
- O que aconteceu meu amor, quem a machucou?
Deixei minha cabeça cair, escondendo o rosto em sua clavícula. Uma lágrima escorregou. Demetri levantou meu rosto com as mãos e secou a lágrima com um beijo.
- Não quero falar sobre isso.
- Tudo bem, meu amor. Prometa que um dia irá me contar tudo.
- Um dia.
- Não vamos mais falar de coisas tristes então.
- Como estão todos? Eu estou com saudades.
- Estão bem. Com saudades de você. Félix, não para de falar.
- E Aro?
- Ele está louco Satine, preocupado com você.
- Ainda não estou preparada para voltar, Demetri.
- Sabe que eu não vou poder esconder nada dele. Você o conhece.
- Tudo bem, eu não estou me escondendo. Só quero ficar aqui, com minha família.
- Não sente falta de mim? De morar comigo em Volterra?
- Todos os dias, todas as noites. Mas, morar em Volterra. Não sei, não me sinto mais parte daquele lugar.
- Fica comigo, aqui em Forks.
- Sabe que eu não posso.
- Pode. Se você me quer, se me quer de verdade, para você. Fique.
- Não é assim tão simples. Eu não posso. Você é minha senhora. É só o que pode ser.
Eu suspirei fundo. Nada havia mudado. Nem a distância fizera Demetri entender. Eu não poderia tê-lo, nunca. Meu amor impossível.
Ficamos juntos. Deixando entre nós o mínimo de espaço físico possível, até a tarde cair.
- Eu preciso, meu amor.
- Já? Não, ainda é muito cedo. Fica comigo mais um pouquinho?
- Tenho uma idéia melhor. Vamos comigo até Seatle. Fica comigo esta noite, nós podemos sair, como fazíamos na Itália. Amanhã você me leva ao aeroporto e vou embora.
- Quer mesmo que eu fique com você?
- Muito.
- Então vamos pra minha casa, vou pegar uma roupa. Se vamos sair, eu preciso me arrumar.
- Mulheres! Em trezentos anos, sempre as mesmas!
Quando chegamos em casa, todos estavam com cara de assustados. Esme tentou disfarçar, foi educada como sempre. Os outros, com exceção de Alice e meu pai, não estavam muito felizes com Demetri em nosso gramado.
Subi as escadas correndo, Alice correu comigo. Entrei no quarto e peguei uma bolsa de viagem. Escolhi um vestido e uma roupa para o dia seguinte. peguei minha nécessaire e coloquei na bolsa também.
- Pronto!
- Pronto nada! Falta o principal.
Alice segurava a camisola de seda, que ela comprara para mim no shopping.
- Alice, não vou precisar disso. Nada mudou!
- Nunca se sabe. Uma mulher prevenida, vale por duas!
- Tudo bem, se vai fazê-la mais feliz.
- Agora está pronto. Divirta-se!
- É só uma noite, eu volto amanhã.
- Muita coisa pode acontecer em uma noite!
Alice me abraçou, desejando que tudo desce certo. A sinceridade de minha querida irmãzinha era sem dúvida, sua maior qualidade.
Meu pai estava na porta, esperando quando eu desci as escadas.
- Pai, espero que não se importe. Eu vou...
- Seja feliz, meu bem! Assim me fará feliz. E não demore muito, vou sentir saudades.
Chegamos a Seatle antes do esperado. Demetri dirigia ainda mais rápido que eu, isso era ótimo.
Demetri perguntou-me em que hotel eu preferia ficar. Mal sabe ele que, ao seu lado, qualquer um serviria. Ficamos então em um bem moderno, em frente à praia.
- Qual suíte gostaria, Sr Volturi?
Perguntou o recepcionista.
- A presidencial. Para minha esposa, sempre o melhor!
Apesar de saber que era apenas protecionismo, eu adorei a parte de “minha esposa”.
Demetri carregou minha bolsa até a suite e a colocou sobre a cama. Deu-me um beijo na testa e saiu. Como o cavalheiro que era, esperou que eu me terminasse de me arrumar com um copo de uísque, no bar.
Tentei ser breve em me vestir. Depois de tomar banho e arrumar o cabelo, coloquei um vestido de seda, meu tecido preferido, azul marinho. Seu decote canoa descia por meu ombro, revelando minha pele branca. Um pouco acima do joelho, mostrava bem minhas sandálias delicadas e o contorno de minhas pernas. Aproveitei para usar também um par de brincos de ouro branco, com pendentes de diamantes que combinava muito com a pulseira que ele me dera. Uma maquiagem discreta, apenas para ressaltar meus olhos e um brilho nos lábios. Pronto!
Quando desci as escadas, seus olhos se voltaram para mim. Seus lábios abriram um sorriso tão largo que quase era possível ver os dentes afiados. Ele se levantou e caminhou até mim, inclinando-se para beijar minha mão.
- Está maravilhosa!
- Obrigado.
- Onde quer ir, meu amor?
- Onde quiser levar-me.
- Não brinque comigo, Satine! Um dia eu posso acreditar.
- É o que eu espero, á quase cem anos!
Ele sorriu e baixou os olhos. Eu sempre soube o quanto era difícil para ele, só não conseguia entender a razão.
Entramos no carro e rodamos pela cidade. Por algum tempo ouve silêncio total dentro do carro. Eu sentia uma inquietude em Demetri. Geralmente ele se comporta muito bem, perto de mim. Diante de minhas investidas ele sempre recuou, no entanto hoje, era como se ele não conseguisse disfarçar.
- Você está meio estranho. Aconteceu alguma coisa diferente?
Demetri desacelerou o carro. Estacionou em frente à praia. A noite estava
linda, uma brisa suave trazia consigo o murmúrio das ondas.
- Pensei que a tivesse perdido. Pensei em muitas coisas, minha pequena. Pensei em coisas que não posso pensar. Tive desejos que não posso nutrir. Vê-la assim, tão perto, tão linda. É mais difícil, Satine. Não se preocupe, eu tenho trezentos anos, vou suportar.
Mal ele sabia que meu maior desejo era exatamente o contrário. Diante de suas palavras, só me restava achar um bom lugar para me divertir.
Próximo de onde estávamos, ficava uma badalada boite. Já que era minha única opção, convidei-o para irmos até lá. Ele aceitou.
O lugar era muito bom, elegante e bem decorado. Algumas mesas e uma pista de dança imensa. A luz baixa o deixava ainda mais sedutor. Eu entendi exatamente o que ele disse no carro, estava quase impossível não tentar seduzi-lo. Especialmente, porque hoje, seria mais fácil.
Nos sentamos em uma das mesas e eu o chamei para dançar. Apesar de dançar muito bem, Demetri não é muito animado para tal. Como um pouco de ciúme é sempre um ótimo tempero, eu me levantei e fui para a pista. Assim que comecei a me mexer um rapaz se aproximou. Nem tive tempo de ver o rosto dele, Demetri já estava ao meu lado.
- Então é assim que te convenço a dançar?
- Faça isso novamente, e o garoto nunca mais colocará os pés no chão!
- Bobo.
Uma música mais lenta começou a tocar. Demetri se aproximou de minhas
costas, encostando o rosto em meu pescoço e a boca em minha orelha. Assim que a primeira sílaba saiu de sua boca, minha pele se arrepiou inteira.
- Você não entende não é, não consegue entender. Eu já lhe disse. Você é minha! Só minha, pela eternidade. Eu nunca vou permitir que outro homem a toque.
Suas mãos escorregaram por minha cintura, colando minhas costas em seu peito. Sua boca desceu por minha pele nua, do pescoço até o ombro, várias vezes. Eu nem sabia mais onde estava. Para mim tudo tinha ficado escuro, só sentia o toque frio de seus lábios em minha pele. Minha vontade era ter mais, mais e mais. Nunca tínhamos ido tão longe. Demetri se afastou derrepente, era como se quisesse fugir de si mesmo. Levou as mãos ao rosto e olhou para mim.
- Precisamos ir.
- Pra onde? Ficou louco, acabamos de chegar.
- Eu estou com sede, muita sede. Precisamos ir, Satine. Agora
Ele se aproximou de meu rosto novamente, respirando profundamente o ar ao redor de meu pescoço.
- Esse seu cheiro, assim tão perto. O calor da sua pele. Vamos, antes que eu faça uma bobagem.
- Eu não tomei nem uma taça de vinho ainda?
- Eu lhe compro uma garrafa, do melhor, mas lá no hotel.
- Ok, se é assim tão importante para você, vamos.
Demetri praticamente me arrastou, porta à fora. Dirigiu sem pronunciar uma palavra, o caminho todo. Quando chegamos no quarto eu não agüentei.
- Vai ficar assim, sem falar comigo? Se for me avisa, e eu volto pra Forks.
Ele correu e me abraçou, beijando o topo de minha cabeça.
- Não meu amor, no volte. Perdoe minha falta de jeito, eu sou um imbecil. Só que é muito difícil, difícil negar.
Antes que eu pudesse perguntar o que ele queria tanto negar, ele mudou de assunto sorrindo.
- Não vai escolher o seu vinho? Veja tens ótimas opções aqui.
- Então, escolha para mim.
- Hermitage La Chapelle.
- Puxa!
- Para minha amada, sempre o melhor!
Caminhei até a varanda. A vista da cidade era maravilhosa do alto. Debrucei sobre a grade da sacada e fiquei vendo o movimento da rua. Algum tempo depois, Demetri aproximou-se, beijando meu pescoço, com a taça nas mãos. Só então percebi, pelo arrepio que senti, que ele vestia apenas a calça jeans.
- Não vai beber comigo?
- Não acho que vá matar a minha sede. Nada vai!
- Pessimista!
- Não. Realista!
Ele pulou da grade em que eu me apoiara, direto no teto do prédio, e se sentou no beiral. Na Itália, nós sempre íamos até a cidade e sentávamos no alto da catedral de São Marcos. Era nosso lugar favorito.
Eu fiquei, sentindo a brisa quente do mar e apreciando minha taça de vinho.
- Vai ficar aí a noite toda?
- Sinceramente? Eu deveria, mas não, não vou.
Ele desceu, pulando bem na minha frente. Eu sorri e o segurei pela mão.
- Vem, tenho ma coisa para te mostrar.
- Satine!
Eu o arrastei e coloquei sentado na poltrona, em frente à janela. Abri a bolsa, peguei o presente de Alice e caminhei até o banheiro.
Quando eu saí, já com a camisola, Demetri não disse uma palavra. Apenas se levantou e veio até mim. Tocou meu rosto com a mão, ainda em silêncio. Eu a beijei. Desceu por meu ombro, meus braços e segurou minha mão. Então subitamente me puxou para si, chocando meu corpo contra o seu. Encostou a boca na minha, suavemente. Beijando primeiro meu lábio inferior, depois o superior. Eu quase desmaiei. Depois, olhou bem em meus olhos, e cheirou novamente meu pescoço, raspando os dentes de leve em minha pele.
- Você arrisca demais, menina! Um dia eu não agüento.
- Não agüenta o quê? Me ama, ou me mata?
- Você realmente não entende. Eu não posso, Satine. Não posso te amar, não posso te querer, não posso te desejar.
- Então, você me ama? Me quer? E me deseja?
Demetri encostou a boca na minha, sem beijar, falando apenas e tocando meus lábios com os seus.
- Mais que minha própria existência. Você é o que eu mais desejo no mundo.
- Então me ame.
- Eu não posso, Satine. Você é proibida.
- Não sou não, não! Eu estou aqui, eu te quero.
Ele me abraçou mais forte, encostando meu corpo na parede do banheiro.
- Me quer mesmo? Muito? Agora?
Meu coração parecia que ia sair pela boca. Eu sentia o quarto girar. Minha mandíbula estava travada, eu não conseguia falar. Balancei a cabeça, em sinal de afirmação.
- Mas está com medo.
Balancei novamente a cabeça. Demetri se afastou, liberando as mãos de minha cintura. Sorriu com o canto da boca e seus olhos se encheram de carinho.
Eu tentei falar, seu dedo tocou meus lábios.
- Shhhhhh! Quando não tiver mais medo.
- Eu sorri. Talvez não estivesse mesmo tão preparada assim.
- Viu, eu disse que você é especial. Meu anjo, minha vida. É isso que você é, minha vida. Sem você eu não vivo, não existo. Minha princesinha.
- Demetri, você nunca deixou de atender um pedido meu, não é?
- Jamais.
- Então se eu pedir uma coisa, você vai fazer, não é?
- Ainda que custe a minha vida.
- Fica comigo esta noite. Não como sempre, diferente (desde pequena, Demetri sempre me colocou para dormir. Sempre ficou comigo até que eu adormecesse, acariciando meu rosto, meus cabelos).
- Quero tê-lo ao meu lado. Que me abrace, como mulher.
Ele sorriu. Segurou minha mão e me conduziu até a cama, puxou os lençóis e eu me deitei. Beijou minha testa e minha boca, de leve, só encostando. Deitou-se ao meu lado, puxando meu corpo para o seu. Eu afundei minha cabeça em seu peito frio, sentindo seu cheiro adocicado, e sussurrei:
- Eu te amo.
- Eu também.
Quando abri os olhos, Demetri estava lá, me olhando.
- Dormiu bem?
- Muito.
- Precisamos levantar.
- Eu sei, mas não quero!
Ele me abraçou mais forte e beijou minha testa.
- Dorminhoca.
- A noite terminou mais rápido do que eu gostaria. Se não nos apressássemos, Demetri perderia o vôo. me vesti e saímos.
Despedidas são terríveis. Eu não queria que ele fosse, não queria soltá-lo.
- Não quero que vá.
- Nem eu quero ir, mas preciso.
- Promete voltar logo.
- Nem vai dar tempo de sentir saudades.
- Já estou com saudades.
- Então vá me ver. Eu estarei esperando. Sempre.
Ele beijou minha testa e entrou no avião. Levou toda a minha felicidade com ele. Eu estava vazia. Passei como um zumbi pelo aeroporto, se minha visão não fosse tão apurada, eu teria tropeçado no primeiro humano que passou por mim!
Entrei em meu BMW prateado e coloquei os óculos escuros. Vida real, aqui vou eu!


Autora: Bia

0 comentários:

Postar um comentário

Tecnologia do Blogger.