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Capítulo 14 - Pacto de Sangue

Assim que o motor parou de girar, eu e Edward pulamos para fora do carro. Eu corri feito uma louca, passando pelo meio das pessoas que se acumulavam. Eu estava tão desesperada para encontrar o que minha mente formara, que nem percebi a imensa carreta vermelha, virada.
Edward parou de repente, segurando minha mão. Eu não conseguia entender o que fizera mudar de opinião e ele tentava me conter, impedindo que eu chagasse até eles.
- Edward, me deixe passar!
- Tenha calma Satine, tenha calma.
Mais que as palavras, o rosto de Edward me revirou o estômago. Eu podia sentir a tensão em seus olhos e apesar do medo, eu precisava ver o que estava acontecendo. Usei toda a minha força para empurra-lo.
- Edward, sai da minha frente!
Quando olhei a cena à minha frente, eu quase desmaiei. Sentia como se o chão tivesse sumido sob meus pés. Eu perdi o equilíbrio, e Edward me segurou.
Demetri estava lá, deitado no chão da rua, entre Bella e a carreta. Seu corpo estava completamente imóvel. Bella tentou se levantar meio tonta.
Eu corri com Edward passando por entre os curiosos. O motorista havia descido da carreta e estava olhando os dois, com as mãos na cabeça, de longe.
- Ele se jogou na frente, eu tentei desviar. Ele, ele queria salvá-la. Acho que conseguiu. Eles devem ter ficado em baixo. É a única explicação.
O homem estava confuso, não conseguia entender como Demetri protegera Bella. Ele a salvara. Senti um nó em meu peito, eu não podia me lembrar do que pensara alguns minutos atrás. Eu o julgara mal. Eu poderia entender que qualquer um o fizesse, mas eu, não!
Um segundo depois, Jacob apareceu ao meu lado. A mesma cara de assustado do motorista, estampada no rosto.
Eu precisava manter a calma, tinha que pensar como a médica que eu era, e principalmente, tinha que tirar Demetri daquele lugar antes que o socorro chegasse. Como nem um dos curiosos havia chegado perto o bastante para ver a cena real, eu ainda poderia contornar a situação.
- Precisamos fazer alguma coisa. Vamos vocês vão ficar aí parados?
- Fique calma Satine, estou ligando para Carlisle, ele saberá o que fazer.
- Ficou maluco, não podemos esperar, vamos.
Jacob colocou sua mão quente e pesada sobre meu ombro.
- Melhor escutar o sanguessuga garota, ele tem razão.
- Vocês só podem estar brincando. Ele vai morrer! Além disso, mesmo que não morra, como vamos explicar a ausência de sangue? Não entenderam ainda? Temos que tira-lo dali agora. Ou vocês me ajudam, ou eu mesma o tiro de lá. E vai ser bem difícil explicar alguém do meu tamanho carregando um homem como ele nas costas!
- E para onde sugere que o levemos? E o que faremos depois?
- Não importa, só temos que tira-lo dali. E vocês estão se esquecendo que eu sou médica! Vou dar um jeito.
Nós três corremos até o corpo de Demetri. Ele não conseguia se mexer, nem se quer conseguia abrir os olhos. O impacto havia sido forte demais.
Afastei minha jaqueta do pulso e o mordi, rompendo a artéria com cuidado. Se alguém chegasse perto o suficiente, teria que ver sangue, ou desconfiaria de algo.
Passei o pulso cortado pelo peito de Demetri, cuidadosamente, para que ninguém percebesse. Jacob torceu o nariz fazendo cara de nojo. Quando sentiu o cheiro do meu sangue, Demetri abriu um pouco os olhos. Uma tentativa de sorriso saiu entre um balbuciar:
- Satine!
- Está tudo bem meu amor, eu vou resolver tudo.
- Eu, só queria protege-la.
- Nós sabemos.
- Ela está bem?
Bella passou a mão de leve no rosto de Demetri.
- Eu estou. Obrigado. Você, você... me salvou.
Edward segurou Demetri pelos ombros, ajudando-o a se levantar e quase carregando ele; Jacob ajudou.
Algumas pessoas tentaram nos impedir, dizendo que deveríamos esperar o socorro. Eu respondi asperamente que não precisaríamos e que o Dr. Carlisle nos esperava no hospital – obviamente, nós não iríamos ao hospital.
Edward e Jacob ajeitaram Demetri dentro do volvo.
- Precisamos tira-lo daqui. Não podemos leva-lo até em casa, ele não vai agüentar.
Jacob segurou minhas mãos entre as suas. Eu estava tão transtornada que não conseguia raciocinar, eu só tinha certeza de uma coisa – a casa dos Cullen era longe demais, não tínhamos tanto tempo.
- Tem uma cabana de caça, entrando na floresta por aquela trilha – e apontou para um apequena trilha que mal cabia um carro – é o mais perto e escondido que podemos achar agora. Levem no até lá, eu vou deixar Bella em casa e já volto.
Edward consentiu e entramos no volvo. A cabana ficava a mais ou menos três milhas, dentro da floresta de abetos.
Paramos em frente à velha cabana de madeira. Edward tirou Demetri do carro e o ajudou a entrar.
Dentro da cabana havia um pequeno banheiro ao lado da cama feita de madeira, com um colchão de palha seca; e um fogão à lenha no canto oposto. Uma pequena mesa e uma cadeira velha. Tudo muito empoeirado, e cheio de teias de aranha. Ninguém entrava lá, á muito tempo.
Edward havia deitado Demetri na cama. Meu pai entrou correndo, com Jacob logo atrás. Ele me abraçou e me deu um beijo no alto da cabeça. Por mais que eu soubesse o que fazer, ter meu pai comigo, dava-me mais segurança.
- Tudo ficará bem, querida. Vamos dar um jeito.
Suas palavras doces, eram como música em meus ouvidos. Agora eu estava preparada, poderia tentar salvá-lo.
Eu sabia exatamente do que Demetri precisava, e estava disposta a me arriscar por ele. Eu já havia perdido bastante sangue, tentando esconder as evidências, e sentia-me fraca e meio zonza. Mesmo assim, teria que ser eu.
Aproximei da cama e tirei a jaqueta. Segurei o corpo de Demetri deixando-o quase sentado. Fiquei apenas com a blusinha de alças que estava por baixo. Meu pai estava ao meu lado, segurando em meu ombro.
Demetri abriu os olhos tentando recobrar a consciência. Ele era forte e não se deixaria abater.
Eu o abracei, segurando sua boca perto do meu pescoço.
- Você precisa me morder.
- Não!
- Demetri, você precisa do meu sangue. Vai deixa-lo mais forte. Por favor, por mim.
Ele olhou para meu pai, os olhos suplicantes.
- Carlisle, eu... eu não posso, não sei se conseguiria parar. Eu nunca fiz isso e o sangue dela, o sangue dela é muito, muito doce para mim.
- Precisa tentar Demetri, não temos tempo para tentar outra alternativa. Além disso, Satine confia em você, ela o ama. Sei que conseguirá.
Demetri voltou os olhos para mim. Levantou a mão e tocou em meu rosto, suavemente. Ele estava com medo. Eu também, mas o medo que eu tinha era de perdê-lo. Continuar a existir sem ele ao meu lado, não era uma opção.
Eu sorri e encostei mais o pescoço em seus lábios. Ele beijou minha pele e sussurrou:
- Eu te amo.
Em seguida, cravou os caninos afiados em minha jugular. Eu reprimi o gemido. Demetri sugava rápido e forte. Lentamente minha consciência foi se apagando enquanto eu escutava baixinho, os sussurros:
- Carlisle, eu a matei!
- Acalme-se, Demetri.
Senti as mãos quentes de Jacob sobre mim. Eu queria me mexer, queria dizer que estava bem, mas as palavras não saiam. Eu só conseguia soltar alguns grunhidos.
Algum tempo depois, abri os olhos. As mão frias de meu pai, fizeram-me despertar. Não entendia muito bem o que estava acontecendo. Eu estava deitada na cama, com uma cânula enfiada no braço e uma bolsa de sangue ligada a ela por uma mangueira. Jacob estava ao meu lado, acariciando meu cabelo; e Demetri, minhas mãos. Quando o vi senti um alívio me dominar – ele estava bem. Edward e meu pai estavam em pé, olhando para mim.
- O que é isto? Eu apontei para a mangueira em meu braço.
- Transfusão de sangue!
Disse Jacob, fazendo piada.
- Isso eu sei, garoto! Esqueceu que eu sou médica? Eu quero saber porque estou recebendo sangue?
Meu pai se aproximou, sentando-se na beirada da cama. Demetri se afastou para que ele segurasse minha mão.
- Ao que parece, você resolveu doar sangue demais esta tarde. Jacob, gentilmente cedeu um pouco do dele a você.
- Jacob?
- Sim. Como vocês tem a estrutura molecular parecida, o dele é o melhor que poderíamos conseguir. Por isso você está bem. E pela mesma razão, Demetri também está. A capacidade de recuperação do sangue de vocês dois é fantástica!
Eu olhei para Jacob, virando o corpo para abraçá-lo. Ele me ajudou, trazendo o corpo para mim.
- Jake, obrigado! Você é mesmo maravilhoso.
- Sem problemas! Além disso, agora temos realmente o mesmo sangue.
Ele se levantou, meio desajeitado – aposto que nunca doara sangue na vida – e me deu um beijo na testa.
- Espero que melhore logo.
Demetri se sentou ao meu lado, segurando meu corpo colado ao seu.
- Obrigado, meu amor, você realmente salvou a minha vida.
- Não poderia ser diferente. Você – eu enfatizei a palavra - é minha vida!
Ele beijou minha cabeça, aspirando o ar em meus cabelos com carinho e suavidade.
Jacob se aproximou de Demetri e colocou a mão em seu ombro.
- Você é um cara legal. Acho que podemos pensar em abrir uma exceção e deixa-lo entrar para a família.
Demetri sorriu. Segurando a mão de Jacob num aperto firme.
- Seria uma honra.
Jacob retribuiu o sorriso e saiu pela porta, assoviando. Ele estava todo satisfeito com suas boas ações.
Edward nos olhava do canto do cômodo. Seu rosto estava abatido e triste. Ele caminhou lentamente até nós e parou, desviando os olhos para o chão.
- Acho que tenho que me desculpar, com todos.
- Está tudo bem Ed, eu disse, tentando melhorar a situação.
- Não, não está. Eu fui leviano e egoísta, além disso, julguei mal.
Demetri olhou para Edward, procurando seus olhos.
- Se eu estivesse em seu lugar, faria o mesmo. Sei que o passado me condena.
- Demetri, eu nunca poderei pagar minha dívida com você. Você salvou mais que Bella hoje, você salvou minha própria vida, se eu a perdesse.
Edward interrompeu a frase, suspirando fundo. A idéia de pensar no que poderia ter acontecido o feria como navalha.
- Você não tem divida alguma comigo, Edward. Eu fiz para Bella o que você certamente teria feito por Satine. Eu a amo tanto que não poderia pensar em existir sem ela; por essa razão, não poderia deixá-lo sentir esta dor. Satine o ama muito e magoá-lo a faria infeliz.
Edward voltou os olhos para mim.
- Eu fui um imbecil, me perdoe.
Eu me levantei com dificuldade. Tirando a agulha de meu braço – já que o sangue havia terminado – e me lancei em seus braços, agarrando em seu pescoço.
- Só se prometer que nunca mais vamos brigar?
- Prometo.
Meu pai nos interrompeu.
- Filho. Precisamos ir. Acho melhor que eles passem a noite por aqui. Demetri ainda está fraco, e Satine também.
Ele voltou os olhos para mim, delicadamente e com um sorriso gentil nos lábios bem desenhados.
- Vai ficar bem, querida?
- Claro pai, não precisa se preocupar.
- Sua irmã preparou algumas coisas para você, vou deixar junto de sua maleta, na mesa. Se precisar de alguma coisa, não hesite, ligue. Eu estarei aqui antes que possa desligar o telefone. Jacob e os lobos vão vigiar a área, vocês estarão seguros aqui.
Demetri apertou a mão de meu pai.
- Fique tranqüilo Carlisle, eu cuidarei bem dela e obrigado.
- Eu sei que cuidará, Demetri, eu confio em você. E não tem que me agradecer, e sim eu a você. Você salvou a vida de Bella, que é como uma filha para mim. E ainda impediu que meu filho sofresse. Tenho uma dívida eterna com você.
Meu pai beijou minha testa, e se foi, levando Edward com ele.
- Enfim, sós!
Demetri me abraçou e beijou, longamente. Eu estava vivendo um sonho. Depois de pensar que poderia perdê-lo, sentir seu corpo em meus braços era o melhor remédio para qualquer mal.
Meu pai deixara uma bolsa na mesa, junto com minha maleta. Quando abri, encontrei roupas, toalhas e lençóis; e algumas frutas; e um bilhete de Alice que dizia:
“Aproveite a Noite”
Não pude deixar de sorrir, minha irmã era mesmo terrível. No fundo, Alice tinha razão, e suas palavras me fizeram enxergar a verdade. Naquela tarde eu havia tido uma amostra do quanto á vida é frágil. Nós não damos importância, achamos sempre que teremos tempo. Se Demetri tivesse morrido hoje, eu teria deixado tantas coisas por acontecer, tantos desejos e sonhos perdidos na eternidade. Nós nos achamos tão eternos que ás vezes, esquecemos de viver o agora.
Dentro da bolsa, encontrei meu robe de seda. Coloquei sobre o braço, junto com uma toalha e minha necessárie – cuidadosamente preparada por Alice – e entrei no banheiro. Tudo era bastante precário e não tinha água quente – agradeci por não sentir frio naquela hora – tomei um banho demorado, deixando a água cair em meu corpo. Seguei-me e vesti apenas o robe.
Quando voltei ao cômodo principal, Demetri continuava deitado na cama, com uma calça Jeans de Edward e sem camisa. Seus olhos brilhavam na luz fraca do lampião. Os cabelos despenteados emolduravam seu rosto de estátua de Apollo. Ele estava maravilhoso.
Quanto mais eu me aproximava, mais meu coração acelerava. Minhas mãos suavam e eu praticamente flutuei até a beirada da cama.
Por mais nervosa que eu estivesse, eu estava decidida. Não havia mais dúvidas, eu o queria.
A noite estava estrelada e uma garoa fina caia como névoa. Eu podia sentir a brisa, por entre os vãos da janela de madeira.
Parei, em frente à cama. Demetri virou-se para mim, e se sentou. Eu segurei com suavidade a faixa que prendia meu robe na cintura e a soltei. Demetri passou os olhos por cada detalhe que a abertura permitia de meu corpo nu, e suspirou.
- Eu quero ser sua, Demetri.
Seus olhos encontraram os meus. Eu não tinha dúvidas, a certeza estava em meus olhos e a ele a encontrou.
- Hoje, eu lhe dei o meu sangue e você, deixou seu veneno em minhas veias. Você faz parte de mim, e eu de você. Temos a mesma essência. Por isso, nesta noite, quero que tenha também o meu corpo.
Nenhuma palavra saiu de seus lábios. Suas mãos frias seguraram minha cintura, deslizando em minhas costas, por baixo do robe. Demetri apertou meu corpo contra o seu e me beijou. Delicadamente levou as mãos aos meus ombros, tirando o robe. Suas mãos tocaram minha pele com suavidade. Ele caminhou até a sacola e pegou o lençol de cetim, cobrindo a cama e ajeitando os travesseiros em cima.
- Venha minha amada.
Demetri segurou minha mão e me puxou para seu corpo, segurou-me em seus braços e levando-me à cama.
Livrou-se de suas roupas e deixou que seu corpo caísse sobre o meu. Não havia nada para ser dito. Tudo se encaixava quando estávamos juntos, como se tivéssemos sido feitos para sermos um.
Sua respiração em minha nuca se acelerava, junto com a minha, mais e mais. Seu corpo e o meu já não existiam, éramos a mesma coisa. E se o mundo tivesse acabado naquele momento, nenhum de nós teria percebido. Nós nos amávamos á tanto tempo. Naquela noite estrelada, naquela pequena cidade do interior de Washington, na península de Olympic, tudo se consumara. Nada poderia ser igual, nunca mais. Naquela noite fria e chuvosa, eu pertenci a Demetri Volturi, e seria assim para sempre.

Autora:Bia

Capítulo 13 - Golpe do Destino

Lancei-me em seus braços acolhedores. Meu pai era a pessoa mais maravilhosa do mundo e a cada dia eu me perguntava por que eu havia demorado tanto para procurá-lo.
- Que bom que está aqui querida, eu já estava com saudades.
- Ah pai, eu também.
Ele segurou minha mala em uma mão, passando a outra por meus ombros.
Andamos pelo saguão abraçados, meu pai consolando-me. Ele era bonito e por isso sempre chamava atenção, onde quer que fosse. Eu morria de ciúmes dele, e de Demetri, e de meus irmãos. Essa era à parte que eu odiava nos vampiros.
Meu pai sorriu, provavelmente percebendo meu desconforto pelo flerte da garota. Ele era muito discreto e não faria nenhum comentário.
Entramos na Mercedes preta e meu pai dirigiu tranqüilo, de volta à Forks.
- Como foram as coisas por lá, meu amor?
- Tudo bem, eu acho. Aro, Caius e Marcus foram muito gentis e acolhedores, não me perguntaram muita coisa sobre você, ou como minha vida está. Aro me disse apenas que as portas estão sempre abertas para mim.
- Sei que você os ama, mas quero que tenha cuidado com eles. Você sabe que são vingativos e perversos. Não iriam aceitar tranqüilamente perde-la para mim.
Abaixei meu rosto, deixando uma mexa de cabelo cobri-lo. Meu pai tinha razão sobre eles, eu sabia disso. Ainda assim, pensar desta maneira me magoava.
- Eu sei pai.
- Satine, minha filha, nada me faria mais feliz do que estar enganado. Espero mesmo estar, eu jamais ficaria feliz se você se magoasse.
Eu o abracei, deitando minha cabeça em seu ombro, enquanto ele dirigia.
- E Demetri, você o viu?
- Vi.
- Só viu? Vejo em seus olhos que está feliz. Não quer me contar?
- Pai, você vai ficar chateado comigo.
Ele sorriu.
- Amor, você não é exatamente uma garotinha, acho que posso lidar com o fato de você ter um namorado.
- Tudo bem, então eu te conto. Mas já vou avisar, é bem bobo e imaturo.
- Estou ficando curioso.
- Eu fiz ciúmes para ele.
- Tem razão, isso é bobo!
- E... com Caius.
- Tem razão, é imaturo também.
- Pai, você prometeu!
- Ok, continue contando, meu amor. Deu certo?
Senti minhas bochechas corarem, eu ainda não tinha dito nada, mas meus olhos me denunciavam. Tentei falar, mas não conseguia encontrar as palavras.
- Deu.
Meu pai abriu um sorriso imenso, mostrando a brancura de seus dentes afiados.
- Está mesmo com vergonha de mim?
- Um pouquinho.
- Não tenha meu amor, tudo isto é tão bonito e sincero. Sei que você o ama, e conhecendo Demetri como eu conheço, sei que para vir de Volterra até aqui, sem a permissão de Aro, ele também deve amá-la muito. Espero que tudo dê certo para você, que seja feliz ao lado do homem que ama.
Eu lhe dei um beijo, e acariciei seu rosto com carinho.
- Você é mesmo um doce, pai.
- Satine, ainda estou curioso com uma coisa.
- O quê?
- E Heidi, você a viu? Falou com ela?
- Bem, eu a vi, mas não falei com ela. Apenas deixei claro quem ela havia mexido e quais seriam as conseqüências se tentasse algo novamente. Sabe, pai, esta história ainda me magoa. Pensar que Vitor morreu por minha causa, que era para ser eu, é doloroso.
- Então não pense, meu amor. Existem coisas na vida que não podemos mudar, sei que seu amigo não gostaria que você se culpasse por causa do que aconteceu.
Ele me abraçou e seguimos nosso caminho, de volta para casa.
Quando paramos no gramado, Alice estava esperando, sentada na escada da porta de entrada.
- Eu quero cada detalhe!
- Ok Alice, mas antes preciso de um banho. Amanhã a vida volta ao normal.
Minha irmã praticamente me empurrou degrau acima, até meu quarto. Eu mal tive tempo para cumprimentar todos.
Tomei uma ducha e coloquei meu pijama de flanela. Aquela noite estava especialmente fria. Quando voltei ao quarto, Alice e Rosalie me esperavam. Conversamos até eu não agüentar mais. Acho que cheguei a cochilar enquanto elas conversavam e me davam seus conselhos.
Acordei novamente atrasada para a escola e me arrastei para fora da cama – pelo menos aquele era o último ano. Eu não queria ir para a aula, eu queria ver Jacob. Estava triste e melancólica, e quando eu ficava assim, só Jacob resolvia.
Aproveitei-me de meu poder de vampira para convencer um de meus professores que estava sentindo-me mal. Ele me liberou das aulas após o almoço. Saí em disparada para o estacionamento e antes que pudesse abrir a porta do BMW, escutei um assovio.
- Ei?
Mal consegui acreditar no que via. Jacob, saindo das árvores, com o cabelo todo molhado e seu sorriso ensolarado nos lábios. Eu corri e me joguei em seus braços.
- Como sabia? Como sabia que eu precisava de você?
- Somos uma matilha, se lembra? Tem toda aquela história de um por todo e todos por um.
- Achei que isso fosse dos três mosqueteiros, Jake?
- Pois é, mas tenho certeza de que eles roubaram dos lobisomens, sabe já existiam lobisomens antes dos mosqueteiros.
- Sei!
- Estava indo a algum lugar?
- Estava indo vê-lo.
- Então vamos. O que acha de um mergulho do penhasco?
- Não acha que está um pouco frio, Jake?
- Para com isso, você nem sente frio!
- Tudo bem! Mergulho do penhasco, então!
Jacob entrou em meu carro e dirigi até o grande penhasco.
Desci do carro e sentei-me na grama, olhando o céu infinito. Jacob sentou-se ao meu lado, descansando a cabeça em meu colo, enquanto eu lhe fazia cafuné.
- Como foram as coisas com a galera do mal?
- Jacob!
- Ok, como foram as coisas com a sua família do mal?
- Você não existe! Mesmo assim, vou lhe contar. Foi tudo bem.
- Puxa que animação, hein? Não vai me dizer que é por causa daquele projeto de Drácula?
- Jake, eu o amo.
- Eu sei, este é o problema.
- Posso saber por que, isto é um problema?
- Sinto que vou perdê-la. Sabe, se você ficar mesmo com ele.
- Jacob Black, quantas vezes preciso lhe dizer que nunca vai me perder?
- Não depende muito de você, quando a gente ama alguém fica meio bobo, sabe, não tem como evitar.
- Jake, ninguém nunca, em tempo ou circunstância alguma, vai me separar de você. Eu o amo, você faz parte de mim.
Jacob me abraçou, puxando meu corpo para o seu e fazendo-me rolar com ele pela grama. Minhas roupas ficaram cheias de folhas e gravetos. Com ele eu sentia a leveza da infância que eu não tivera. Jacob despertava o melhor de mim.
- Como é, vamos cair na água, ou está com medo?
- Jacob Black, não ouse dizer que eu estou com medo!
- Bem é o que parece, senhorita sanguessuga.
Eu tirei minhas roupas rapidamente, permanecendo apenas com a calcinha e o top que usava por baixo da blusa. Corri pelo desfiladeiro em direção ao penhasco, caindo num salto digno de campeões olímpicos. Jacob pulou logo atrás, não tão graciosamente, mas bem eficiente.
A água estava gelada, e senti meus pelos se eriçarem. Jacob veio por baixo da água e segurou minhas pernas, puxando-me para baixo. Eu agarrei seus braços soltando-me novamente. Eu nunca havia usado toda a minha força com ele, nunca fora necessário, mas hoje ele queria brincar. Se era guerra o que aquele cachorro queria, era guerra que ele teria.
Quando saímos da água, eu estava cansada, e Jacob também. Deitei-me na grama novamente e fechei os olhos. Jacob deitou-se ao meu lado. Tentei encostar minha cabeça em seu peito, quando escutei ele reclamar.
- Ai!
Abri os olhos e olhei para ele. Arregalei os olhos e coloquei a mão no rosto.
- Jake, me desculpe, eu não queria.
Seu peito estava sangrando, cheio de unhadas.
- Pare de se lamentar, você sabe melhor que ninguém que logo, logo, vou estar pronto para outra.
- Não, não é assim tão fácil, o meu veneno pode inflamar e... ah Jake, me perdoe. Vamos para casa, eu posso dar um jeito nisso.
- Ei doutora, calma aí, quem disse que você é venenosa? E quem disse que vai dar tudo errado deste jeito? Não seja pessimista.
- Pelo menos me deixe fazer um curativo.
- Desde que não use nenhuma daquelas coisas que ardem, tudo bem.
Entramos no carro e seguimos para a casa de Billy. Quando estacionei e Jacob desceu com a camisa branca toda suja de sangue, pensei que Billy fosse ficar preocupado. Ao contrário disso, ele soltou uma gargalhada.
- Viu só, eu sabia que um dia isso iria acontecer! De vocês dois, não sei quem tem o gênio pior!
- Billy, me desculpe, eu não queria, juro.
- Calma garota, Jake é forte! Além disso, uma cicatriz talvez faça com que ele volte a usar camisa!
Jacob lançou um olhar de reprovação para nossa conversa.
- Há, há... muito engraçado!
Limpei o ferimento e apliquei um cicatrizante, cobrindo com uma atadura. Fiquei feliz por perceber que eu realmente não era venenosa e que Jacob já estava se curando. Acho que fiquei um pouco traumatizada com o que passei.
Voltei para casa com a noite alta, depois de deixar Jacob dormindo. Quando contei em casa o que acontecera todos se divertiram. Rosalie, ainda mais. Disse-me que eu havia lhe dado o melhor presente e só ficou triste por não poder ver a cara de Jacob.
Deitei-me muito feliz naquela noite, apesar de ainda sentir um aperto no peito por estar longe de Demetri. Eu estava com todos que amava, ou melhor, quase todos.
Partimos mais uma vez para nosso inferno particular, o segundo grau. O que me consolava era minha aula com Edward. Nós nos divertíamos muito juntos e eu gostava de passar um tempo com ele, já que ultimamente, seus momentos de folga eram todos para Bela. Percebi que na saída, Alice estava com aquele sorrisinho misterioso nos lábios.
- Vamos, me conte. Quero saber de tudo?
- Use sua imaginação, irmãzinha!
Alice conseguia ser bem irritante quando queria. Parei por um instante e fechei os olhos, eu sentia muito melhor com os olhos fechados. O cheiro novamente, aquele cheiro delicioso e confortável. Saí correndo pelo estacionamento, ele estava lá. Encostado em uma Ducati preta, os braços cruzados no peito. Calça jeans e camisa branca. Seu doce e sedutor sorriso nos lábios, e um lindo óculos escuro, escondendo os olhos carmins. Meu amado Demetri.
Eu corri para ele, deixando a bolsa no chão e pulando em seus braços. Ele segurou-me com delicadeza, porém apertando-me contra seu corpo. Demetri aproximou os lábios frios de minha orelha e sussurrou:
- Eu te amo.
Pendurei os braços em volta de seu pescoço e puxei sua boca para a minha, num beijo profundo e perturbador. Eu podia sentir os olhares em minhas costas. Não que eu me importasse, tudo que eu queria no mundo, estava ao alcance de minhas mãos.
- Melhor sairmos daqui. Acho que seu pai não ficará muito feliz com esta demonstração de amor explicita.
Ele tinha razão, embora eu não me preocupasse com a opinião dos outros, meu pai se preocupava e eu não queria desapontá-lo.
- Ok, para onde vamos?
- Para onde você quiser, minha senhora.
- Quero que me leve ao paraíso.
- Acho que posso providenciar, embora eu conheça muito mais do inferno.
Eu aproximei meu rosto de seu pescoço, falando bem próximo de sua pele.
- Se você estivesse comigo, mesmo o inferno, seria perfeito.
Demetri sorriu, segurando meu corpo colado ao seu.
- Vamos, antes que eu não responda por mim.
Eu subi na garupa da Ducati e saímos. Desaparecendo na esquina, quase que instantaneamente.
Estacionamos perto do grande penhasco e descemos.
- Este lugar me lembra muito um amigo meu.
- Amigo. Que amigo?
- Na verdade, Jacob é muito mais que meu amigo, ele é descendente da família de minha mãe.
- Um lobo, então?
- Sim, um adorável lobo avermelhado.
- Quantos anos este lobo tem, Satine?
- Dezesseis. Por que?
- Não gosto que fique por aí, com um garoto com os hormônios à flor da pele!
- Não seja bobo, Jacob é quase meu irmão!
Demetri debruçou o corpo contra o meu, fazendo-me deitar na grama. Sua mão segurando minha cintura, o rosto colado ao meu. Eu podia ouvir o sangue sendo bombeado para o meu coração, como se meu corpo todo latejasse.
- Não vou conseguir formular nenhuma resposta com você em cima de mim!
Ele me segurou e virou, ficando com as costas na grama, e me segurando sobre seu peito. O corpo encaixado no meu.
- E assim, é melhor?
- Não ajuda muito. Na verdade, qualquer posição em que você esteja à menos de duas milhas de mim, me impede de pensar racionalmente.
Demetri sorriu e me beijou, fazendo-me perder o fôlego.
- Se o garoto é mesmo seu amigo, eu quero conhecê-lo.
- Tem certeza? Ele é meio irritadinho às vezes.
- Duvido que seja pior que você. Eu suporto seu gênio à quase cem anos.
- Demetri!
Ele soltou uma doce gargalhada, sua risada soava como música. Eu amava vê-lo feliz.
- O que foi? Só estou sendo sincero.
- Tudo bem. Vou ver se Jacob pode sair de casa. Nós tivemos um pequeno contratempo. Eu acabei machucando ele.
- É mesmo?
- Infelizmente. Eu o Arranhei com minhas unhas.
- A cada hora, a história fica mais interessante!
- Engraçadinho!
Demetri me segurou novamente, beijando do meu queixo até o decote do vestido. Senti minha pele se arrepiar. Estar com ele me fazia sentir as melhores sensações do mundo, eu o amava cada dia mais.
- Promete que vai ficar um tempo comigo?
- Prometo.
- Sinto sua falta.
- Eu também.
Ficamos abraçados por tudo o que restou do dia. Quando a noite começou a cair, lembrei-me a contra-gosto, que deveria voltar para casa, meus pais poderiam estar preocupados.
- Demetri, o que acha de caçarmos um pouco? Da minha maneira, é claro.
- Sabe que não me interesso muito por animais, meu amor.
- Se vai ficar um tempo comigo, é melhor que não esteja com sede.
Demetri revirou os olhos e sorriu para mim.
- Satine, eu tenho trezentos anos, acho que consigo controlar minha sede por alguns dias.
Ele passou as mãos sobre meus ombros e eu sorri. Não importava o que os outros pensavam ou o que o passado dizia, eu confiava nele. Eu confiava nele como confiava em mim mesma, e eu o amava.
Demetri me deixou em frente à porta de entrada, eu insisti para que ele descesse, mas não adiantou. Ele não queria afrontar meus irmãos, especialmente porque meu pai não estava em casa.
Subi as escadas com um sorriso incontrolável no rosto. Emmet e Rosalie Jogavam vídeo-game e Jasper estava lendo um livro antigo. Alice e Esme estavam me esperando, no topo da escada. Quando subi e passei por elas, Esme sorriu para mim e me abraçou.
- Fico tão feliz quando a vejo assim, minha querida, com este sorriso maravilhoso em seus lábios. Este rapaz, ele ilumina seu rosto. Embora eu não o conheça, sei que é uma boa pessoa, pelo bem que ele lhe faz.
- Obrigada mamãe!
Eu adorava chamá-la assim. Adorava ouvir minha própria voz chamando-a assim, e adorava mais ainda ver o brilho que esta palavra causava em seu lindo rosto.
Alice puxou-me pelo braço, levando-me até o quarto.
- Vai me contar tudo!
- Claro, se quiser sair para caçar. Sinto que estou precisando.
Alice assentiu e saímos. Caçar com ela era no mínimo engraçado. Eu acabei rolando morro abaixo com um leão da montanha, enquanto Alice tentava ganhar a luta com um imenso urso pardo.
Quando eu, finalmente, venci a luta com o leão, parecia que tinha vindo de uma guerra. Meu vestido estava aos farrapos, todo rasgado e sujo de terra, meu cabelo idem. Abracei Alice, que estava igualmente suja e rasgada, e sorrimos juntas. Apesar de tudo, nossa caçada havia sido um sucesso.
Quando voltamos para casa, Alice encontrou Jasper no jardim. Eu não queria sujar a sala então subi no abeto e pulei direto pela janela do meu quarto.
Assim que entrei, levei um susto. Demetri estava deitado em minha cama, sem camisa, sorrindo para mim sedutoramente.
- Puxa, se eu soubesse que seria assim tão interessante, teria ido caçar também.
Senti meu rosto corar, eu estava toda rasgada e suja. Tentei correr direto para o closet, mas ele me impediu, jogando o corpo contra o meu e me segurando contra a parede.
- Você está deliciosamente linda.
- Não seja bobo.
Demetri segurou meus pulsos com as mãos, encostando o corpo no meu. Eu podia sentir o frio de sua ele, pelos buracos no tecido de meu vestido. Ele me beijou, suavemente, e o ritmo foi aumentando, mais e mais. Seu corpo apertava o meu, como se não pudesse existir nenhum espaço entre nós. De repente, ele parou. Afastou-se de mim, com as mãos na testa.
- Satine, tome um banho, logo! E coloque algo o mínimo sensual possível, por favor.
Eu sorri, escorregando para o closet pelo canto da parede. Eu precisava mesmo de um banho, frio!
Apesar de rápido, o banho ajudou-me a esfriar os ânimos. Vesti uma calça preta de ballet e uma blusa de alcinhas, também preta. Demetri ainda estava deitado em minha cama, feito uma estátua de Apolo.
- Amor, eu lhe disse “menos sensual”!
Eu sorri e balancei a cabeça em reprovação.
- Você já me viu assim várias vezes.
Ele me segurou pela cintura, beijando meu pescoço e respirando o ar bem rente à minha pele – mais uma vez, os pelos de meu braço se eriçaram.
- Só porque eu já a vi vestida assim, não significa que não me sinta atraído. Ao contrário, doce Satine, por tanto tempo eu a vi assim, que mal consigo me comportar.
- Por falar em se comportar, pode me explicar como entrou em meu quarto sem que meus irmãos soubessem?
Demetri girou meu corpo, segurando-me em seguida e respondeu, com um sorriso malicioso nos lábios.
- Acho que está esquecendo com quem está falando!
- Ah desculpe, eu esqueci mesmo. O grande conquistador.
- Não seja boba, não pretendo conquistar ninguém além de você, em minha existência.
- Vai ficar comigo esta noite?
- Esta e todas as outras, pelo resto de sua vida.
Eu o abracei, afundando minha cabeça em seu peito forte. Demetri levou-me em seus braços para a cama, e deitou ao meu lado. Adormeci sentindo seus carinhos e o toque suave de seus lábios em minha orelha.
Acordei especialmente disposta na manhã seguinte, embora Demetri já não estivesse comigo. Acho que ficou com medo de ser pego por alguém.
Corri pelo corredor direto para o escritório de meu pai. Eu podia enganar todos eles, mas ele não. Eu queria contar a ele que Demetri estava em Forks, queria que ele soubesse por mim. Especialmente porque não havia nada para ser escondido, eu o amava e queria ficar com ele, meu pai entenderia.
- Pai, quero falar com você.
- É claro meu amor, entre, e feche a porta.
- Preciso te contar uma coisa.
- Algo a ver com sua visita noturna?
Senti o sangue subir para minhas bochechas. Ele havia percebido. Se pudesse cavar um buraco no chão, aquele seria o momento perfeito.
- Você sabia?
- Imaginei.
- Pai eu...
Meu pai se levantou de sua escrivaninha, segurou minhas mãos com ternura e olhou diretamente em meus olhos.
- Não se preocupe, sei que fez a escolha certa. Eu vejo nos olhos de Demetri que ele a ama, Satine. Eu o conheço a muito tempo, muito antes de você nascer. Sei que apesar de tudo, Demetri é um homem honrado. Ele apenas recebe ordens da pessoa errada.
Senti uma lágrima quente se formar no canto do meu olho, tentei segurar, mesmo assim ela rolou. Meu pai sorriu, e secou a lágrima com a ponta do dedo.
- Pelo que eu entendo de amor, você deveria estar sorrindo.
- Obrigado pai, eu te amo!
- Ah, e diga para o seu namorado, que ele é meu convidado. Não precisa mais entrar em minha casa pela janela do segundo andar, ok?
- Eu vou dizer.
Desci as escadas saltitando. Eu não cabia em mim mesma de tanta felicidade. Pela primeira vez desde que cheguei a Forks, eu estava até com vontade de ir para a escola.
Quando peguei as chaves do carro para abrir a porta, Edward apareceu com cara de poucos amigos.
- Carlisle está tomando a atitude errada.
Ele quase conseguiu tirar o meu bom humor. Respirei fundo e tentei compreender as razões para que ele estivesse tão azedo naquela manhã.
- Edward meu querido irmão, pelo que sei, Demetri não fez nada de errado.
- Ainda não, mas vai. Alguém como ele, sempre desliza.
- Você está sendo injusto, o está julgando por algo que nem aconteceu.
- Você não entende. Não pode entender.
Eu havia tentado, juro que havia tentado, mas Edward havia conseguido me fazer perder o controle. Eu estava engasgando com o que queria dizer a ele. Então, como que pulando da minha boca, as palavras saíram.
- Edward Antony! Você está sendo mesquinho e egoísta e além disso, ninguém tem culpa de você ter se apaixonado por uma humana frágil e desprotegida.
O rosto de Edward ficou sombrio, seu queixo firme pronunciado, um suspiro sufocado de ódio.
- Se é isto mesmo que pensa?
Eu já estava arrependida mas não podia voltar atrás, e ele havia me provocado. Engoli em seco e levantei a cabeça.
- É isto que penso, sim.
Edward deu as costas para mim, entrando no volvo prata e saindo feito um foguete. Obviamente ele estava chateado com a atitude de meu pai, em permitir meu “projeto de namoro” com Demetri.
Eu estava desconcertada, não sabia mais nem onde ia. Sentei na escada e abaixei a cabeça, segurando o choro. Eu não queria chorar.
Senti a mão firme e fria, segurando meu rosto, e não ofereci resistência.
- Brigou com seu irmão?
Demetri estava agachado, ao meu lado. O cabelo caindo na testa. Os olhos carmins profundos que tanto me conheciam, fitavam dentro dos meus.
- Briguei.
- Por minha causa, imagino.
- Não. Foi por causa dele mesmo, porque ele é um idiota.
- Não se preocupe, eu o entendo. Edward é um bom homem, ele vai compreender. O tempo Satine, o tempo ensina muito.
- Eu sei. Só que não quero ficar longe dele por tanto tempo.
Demetri sorriu, enxugando minhas lágrimas com as mãos.
- Não seja boba. Não vai demorar tanto. Vamos. Eu vim buscá-la para ir à escola.
- Eu não quero ir à escola!
- Também não quero que você vá, mas prometi a seu pai que cuidaria direito de você, e não pretendo voltar atrás.
Eu levantei de má vontade. Tudo que eu não queria era encarar duas aulas chatas e insuportáveis ao lado de meu irmão egoísta que eu amava tanto. Subi na garupa da mota e seguimos para a cidade.
O ronco da Ducati fez com que todo o estacionamento, sem exceção olhasse em nossa direção. Eu suspirei fundo e ajeitei a bolsa nas costas. Despedi-me de Demetri com um longo beijo e entrei.
Sentei-me com a insuportável Jéssica Stanley, uma vez que Edward havia me ignorado completamente. A garota me deu dor de cabeça, ela tagarelou a aula toda. Perguntando-me sobre meu namorado. A uma certa altura da aula, eu não suportei mais. Supliquei para que o professor me deixasse sair da sala, disse que estava me sentindo mal e que precisava de ar fresco. Ele permitiu.
Eu me sentei num dos bancos de cimento, do lado de fora do prédio. O dia estava nublado e uma garoa fina caía do céu. Eu não me preocupei, senti apenas o cabelo ficar pesado e a blusinha grudar na pele. Era melhor na chuva, que ao lado de Jéssica.
Ouvi um assovio familiar no meio das árvores, Jacob! Eu corri para ele e o abracei. Tudo que eu precisava naquele momento era que alguém me confortasse.
- Satine, não acredito que vai mesmo deixar aquele sanguessuga ficar aqui em Forks.
Eu não podia acreditar no que estava ouvindo. Senti o sangue subir e um tremor tomar conta de meu corpo. Eu queria arrancar a cabeça dele. Ele tinha sorte de eu o amar tanto. Então aquele garoto que mal havia saído das fraldas, se sentia no direito de me censurar. E ainda por cima, por alguém que ele nem conhecia.
- Jacb Black, você tem dois segundos para sair de meu campo de visão à partir de agora, ou eu vou arrancar a sua cabeça e usar seus dentes como brinco!
- Ei calma aí, eu só quero que você pense um pouco.
- Já estou contando. Dez, nove, oito...
- Você não seria capaz.
- Não conte com isso, Edward já começou o serviço.
- Ok, ok. Eu vou para casa, se quiser conversar me procure.
- Vai esperando.
Jacob saiu, sumindo entre as árvores. Eu sentia o ódio caminhar por meu corpo, não conseguia ficar parada. Senti uma aproximação e virei em reflexo.
- Satine?
Ah não Bella, aquela garota não! Será que ela não conseguia entender que ela era a última pessoa que eu queria ver. Mesmo assim, tentei manter a calma e respondi.
- Oi.
- Sei que deve estar com raiva de mim.
- Porque eu estaria, você não me fez nada.
Tentei ser incisiva e acabar logo com aquela conversa sem propósito.
- Sei que você e Edward brigaram. Eu só vim porque concordo com você e queria que você soubesse.
Ela havia baixado minha guarda. Ela concordava comigo, concordava que eu mantivesse um rastreador naquela cidadezinha minúscula?
- Porque concorda comigo?
- Porque quando eu me apaixonei por Edward, era mais ou menos a mesma coisa. Ninguém acreditava que ele não iria me machucar, eu acreditei. Sei que você o ama, sei que o conhece à muito tempo. Se você diz que não tenho com o que me preocupar, eu não duvido. Confio em você.
Eu sorri. Bella era adorável. Sem dúvida, meu irmão havia escolhido muito bem. Bella estendeu os braços e eu deixei que me confortasse. Quem diria que de toda minha família, quem me apoiaria seria a garota humana.
Ficamos sentadas em baixo de uma árvore conversando até o último sinal. Edward não fez uma cara muito boa quando viu que eu estava levando sua doce humana para o mau caminho. Bella percebeu e correu até ele. Assim que o volvo virou a esquina, ouvi o ronco da Ducati e meu coração acelerou.
Demetri levou-me de volta para casa. Paramos no gramado e ficamos conversando.
- Eu preciso de uma garrafa de vinho. Infelizmente, não comprei nenhuma!
- Se quiser, eu compro para você. Posso ir até a cidade.
- Faria isto por mim?
- Eu faria tudo, por você.
Demetri subiu na moto e saiu apressado. Ele havia prometido que me faria companhia com o vinho.
Entrei em casa meio sem vontade, não era bom brigar com Edward. Esme me chamou e eu fui até a cozinha.
- Não se preocupe querida. Tudo ficará bem.
- Espero que sim.
Era bom conversar com Esme. Eu me sentia mais humana ao lado dela. Alice entrou na cozinha e sentou-se conosco. Ela também não estava feliz com a briga. Alguns minutos depois, Edward também entrou, com a mesma cara azeda da manhã.
Esme tentou fazer com que uma conversa surgisse entre nós, sem sucesso. Ele estava irredutível.
Senti meus olhos úmidos e apertei para que não saísse a lágrima. Edward percebeu e virou de costas. Ele não gostava de me ver chorar. Eu estava chateada com o que ele havia dito, mas mesmo assim sentia um aperto ainda maior por estar brigada com ele. Eu sentia também que ele pensava o mesmo, embora não voltasse atrás.
O clima estava terrível na cozinha, então, Alice piorou tudo.
Minha irmã fez aquela cara de quando via seus fantasmas do futuro. Ela estava tendo uma visão, e pela cara, era uma visão terrível. Seus olhos ficaram escuros e pareciam não enxergar nada além da visão. Alice balbuciou umas palavras sem nexo.
- Não. Não. Bella, Demetri!
Embora não fosse possível entender coisa alguma. As palavras Bella e Demetri, usadas na mesma frase, fizeram com que Edward e eu pulássemos direto dentro do volvo. Não adiantou Esme gritar, nem Alice tentar explicar. Edward apertou o maxilar e dirigiu feito um louco até a cidade. De todo o caminho que fizemos, ele só pronunciou uma frase.
- Eu sabia que isso aconteceria!



Autora: Bia
Eu preferi não responder nada. Minha cabeça estava com um nó imenso, eu não conseguia organizar meus pensamentos. Não podia acreditar que Demetri havia traído minha confiança assim. Eu não queria e não podia acreditar que eu havia traído a confiança de Bela igualmente.

Capitulo 12 - O Conselho de Honra

Sentei-me em meu assento na primeira classe. A viagem foi longa, porém tranqüila. Eu queria ter adormecido, pelo menos um pouquinho. Infelizmente não pude, quando senti minhas pálpebras suficientemente pesadas para tal, o comandante avisou que estaríamos aterrissando.
Peguei um taxi no aeroporto até Volterra, um longo trecho, já que nossa pequena cidade ficava encravada nos vales da Toscana. Sem dúvida Aro teria mandado alguém para me buscar, como eu queria que minha chegada fosse surpresa, tive que me ajeitar sozinha.
Durante o caminho, pensei muito em tudo. Eu estava nervosa e também sentia o ódio crescer dentro de mim. No caso do ódio, eu precisava de vingança. Nunca fui vingativa, mas neste caso em especial, eu queria que ela, a assassina de meu amigo Vitor, pagasse bem caro por ter mexido com uma Volturi. Queria que ela sentisse o peso da hierarquia, na qual eu estava em cima e ela era só um soldado. No caso do nervosismo, ia melhorar quando eu visse Aro, e principalmente quando estivesse nos braços de Demetri.
Ir a uma reunião do conselho agradaria sem dúvida os Volturi, e minha intenção era exatamente marcar território. Por isso eu precisava que ficassem satisfeitos comigo. Caius como o mais esnobe de todos, era o mais fácil de convencer. Seria meu primeiro passo.
Cheguei a Volterra no meio da tarde. Fui direto para o prédio da empresa fictícia de Aro, neste horário eu não os encontraria por lá, o sol estava muito forte.
Giana, a secretária humana de Aro me recepcionou alegremente – eu sempre tive um pouco de pena da pobre menina.
- Sra. Satine! Seja muito bem vinda. Deseja que eu mande avisar mestre Aro de sua chegada?
- Não, por favor! Na verdade quero fazer uma surpresa. Ainda tem alguém aí dentro?
- Não. Hoje não vieram, o sol está um pouco forte. Ficaram se preparando para a reunião.
- Ótimo! Vou usar o gabinete para me preparar, ok? Não permita que ninguém entre. Ninguém mesmo!
- Pode deixar, não permitirem nem que o próprio mestre entre, senhora.
Eu a abracei. Em geral a maioria fingia não vê-la, eu sempre achei muito injusto com tanta lealdade e devoção.
- Obrigado, Giana, você é muito gentil.
- Imagine, senhora, faço apenas meu trabalho, além disso, a senhora merece.
Entrei no gabinete de Aro e tentei relaxar um pouco, embora o clima lá fosse suficientemente obscuro para dar medo no próprio Drácula, eu me sentia em casa.
Quando despertei, a tarde começava a cair, tingindo de vermelho o céu. O entardecer na Toscana era um dos mais bonitos da Itália. Suspirei fundo, apesar de tudo, eu me sentia em casa novamente.
Naquela noite ocasionalmente, eu queria parecer mesmo uma vampira, coisa que não era comum. Parei em frente o grande espelho vitoriano e olhei meu reflexo, hoje, eu teria que buscar lá dentro uma Satine que eu havia esquecido, muito tempo atrás.
Homens são criaturas manipuláveis, e isso tornava meu trabalho um pouco mais fácil, uma vez que sedução era um jogo que eu aprendera muito cedo. Caprichei na maquiagem, um pouco mais pesada que o de costume, ressaltando meus grandes olhos citrino-amendoados. Um brilho delicado nos lábios. Os cabelos ajeitei em um semi coque, deixando alguns fios cacheados cair por meu rosto e pescoço, que certamente era a parte preferida pelos vampiros. O vestido, era fantástico. Arabescos pretos enfeitavam meu colo e desciam como desenhos por todo o tronco até o quadril, deixando a brancura de minha pele ainda mais acentuada sobre a transparência negra. A saia era toda de seda, cortada a laser e descia esvoaçante em um leve evasê. Sandálias delicadas de salto fino. Um conjunto de colar e brincos, presente de Aro, com pedras de ônix e diamantes. E minha capa, um longo casaco de peles, branco.
Do prédio em que eu estava, havia uma passagem para o castelo, uma que eu conhecia bem, usada por mim quando criança para fugir de todos. Aproveitei-me do fato de que estariam ocupados no salão e não me veriam, e atravessei o jardim, parando em frente á porta aberta do grande salão do castelo.
O salão estava muito bonito. Todo negro, e decorado com castiçais de prata e velas acesas, o que dava um ar sombrio a tudo.
Assim que Aro se virou para mim, um sorriso nasceu em seus lábios e ele se levantou, caminhando suavemente para a entrada.
Eu flexionei os joelhos em reverência, e ele me segurou levantando-me à altura de seu ombro e dando-me um braço.
- Minha amada filha, seja bem vinda.
Suas palavras embargaram um pouco minha voz, eu não havia contado com a emoção de revê-lo. Abracei-o então, escondendo meus olhos chorosos em seu longo manto.
- Eu espero que...
- Não importa, estou feliz porque está aqui agora, minha querida, esta sempre será a sua casa e você sempre será esperada e bem-vinda aqui.
Ele me beijou a testa e chamou um dos criados para que segurasse minha capa, caminhando comigo como quem leva um prêmio. Todos os olhos estavam em mim.
Enquanto caminhávamos em direção aos tronos, tentei olhar todos os que estavam presentes. Tentei disfarçar o sorriso quando o vi, meu Demetri, encostado despreocupadamente no piano, foi impossível. Seus olhos carmim me seguiam, onde quer que eu fosse.
Minha felicidade durou apenas um instante, eu a vi, Heidi. Ela estava no salão, ao lado de Demetri. Senti um tremor percorrer meu corpo todo, quase não consegui disfarçar, Aro segurou-me mais forte. Ela estava ao lado dele, justo ao lado dele. Embora ele não soubesse que tinha sido ela, ele estava lá, sorrindo para ela, conversando com ela. Eu não conseguia me concentrar, estava sentindo tudo rodar. Fechei meus olhos e me concentrei em meu pai. O que ele faria? Sem dúvida resolveria tudo como um cavalheiro. Levantei minha cabeça e segurei firme no braço de Aro. Caminhei ao seu lado, como a princesa que eu era.
Logo que chegamos perto dos tronos, Marcus levantou-se e me abraçou, afastando-nos um pouco de Aro.
- Está preocupa.
- Não.
Marcus me encarou com seus olhos vermelho leitoso e sorriu, embora não conseguisse ler meus sentimentos ele era observador, e isso bastava. Suspirei, assentindo com a cabeça, ele entendeu.
- Mas sei que também está muito feliz, ando sentindo a felicidade de alguém.
Eu sabia muito bem de quem ele falava. Era obvio que ele já havia entendido tudo, à muito tempo aliás. As viagens repentinas de Demetri apenas confirmaram suas antigas suspeitas. Eu sorri, encostando minha cabeça em seu ombro.
- Sim, eu estou. Marcus, e eu tenho medo que...
- Não tenha! Enquanto eu existir, jamais vou permitir que alguém faça a você o que fizeram a mim. Você confia em mim, não?
- Confio.
- Então sorria, seu sorriso enche este velho castelo de vida!
Marcus sempre me ajudou. Ele sempre soube de tudo de minha vida, nunca pude esconder nada dele, nem Demetri. Mesmo com suas limitações, o reflexo em Demetri era inconfundível, nós nos amávamos.
Eu cumprimentei todos docemente, porém, com a superioridade de ser “filha do mestre”.
Caius ainda estava em seu trono, olhando-me de canto de olho, como quem espera para dar o bote. Embora Demetri não soubesse bem o que estava fazendo, ele estava dando atenção à uma outra mulher ,e isso me matava de ciúme. Eu me aproximei de Caius com meu sorriso mais malicioso.
- Então, querido Caius, o que acha?
Caius olhou no fundo de meus olhos, com seus olhos carmim sedutores, e beijou minha mão, flexionando o tronco.
- Acho que está simplesmente maravilhosa. Perfeita!
Eu sorri novamente e ele se levantou, aproximando seu corpo do meu. Puxou-me para si, num abraço apertado. Segurou em meu braço e me conduziu pelo salão, mostrando-me como troféu para todos os integrantes do conselho de honra. Eu era o mais alto troféu que um vampiro poderia ostentar, um ser híbrido, mais forte que todos eles. Uma mestiça, bela e poderosa.
Os olhos de Demetri pareciam faiscar de ódio, enquanto eu caminhava pelo salão de braços dados com seu maior rival. Eu podia ver seus músculos se retesando e suas mãos fechando em punho. Caius acariciava meu rosto, minhas mãos, e Demetri apertava mais os olhos.
Heidi tentou puxar assunto, Demetri não lhe deu atenção, olhava através dela. Ele não tirou os olhos de mim, nem por um instante. Os olhos dela encontraram os meus e desviaram, provavelmente, teve medo de que Caius percebesse alguma coisa. Eu me mantive serena. Precisava dar-lhe o troco em grande estilo, para que ela entendesse que eu era muito melhor que ela, que era superior e que nada do que ela fizesse poderia me atingir, aquela covarde!
O poder é o sentimento que mais exerce força sobre os vampiros, vampiros idolatram o poder. Nada seria mais doloroso para ela que perceber o meu poder.
Aproveitando-me disso, e do desejo de Caius em ter-me ao seu lado, eu esperei que ficássemos próximos dela e falei, com meu olhar mais derretido.
- Caius, acha que Aro se importaria se eu quisesse participar da votação esta noite?
- De maneira alguma minha doce princesa! Seu lugar sempre foi ao nosso lado. Você é uma Volturi, como nós.
Segurando minha mão com delicadeza, ele virou-se para olhar pelo salão, passando os olhos por Heidi.
- Você! Prepare o manto da senhora, ela se juntará a nós esta noite.
O rosto dela trincou de ódio.
- Mestre Caius, eu... eu...
- Ousa discutir algo comigo? Acaso esqueceu-se de quem está ordenando?
- Não senhor, mestre.
Ela se abaixou desculpando-se com uma reverência para Caius, e saiu. Caius beijou minha mão. Demetri se encolheu mais um pouco.
O manto negro era como uma coroa, somente a realeza o usava. Todos os outros usavam cinza. Eu geralmente preferi usar branco, embora Aro sempre insistisse que eu deveria deixar claro aos subalternos minha posição. Naquela noite, nada me dava mais prazer.
Heidi voltou, alguns minutos depois, com meu manto de veludo negro nos braços. Aproximou-se de mim e o entregou, fazendo uma reverência. Caius o pegou e colocou sobre meus ombros, beijando o alto de minha cabeça e conduzindo-me até os tronos. Eu fiquei ao lado de Aro, em pé. Seu sorriso de satisfação me alegrou. Pelo menos toda aquela cena, havia feito alguém feliz de verdade.
Terminada a reunião e todas as burocracias, começou verdadeiramente a festa.
Eu estava me preparando para descer e ir até meu amado, quando Heidi o tirou para dançar. Senti o sangue subir, meu rosto estava quente de ciúmes. Eu precisava dar o troco. Caius ainda me olhava, voltei-me para ele e sorri, discretamente.
- Adoro quando você sorri. Fica ainda mais linda!
Eu me virei, ele levantou-se, andando até mim.
- Caius, Caius. Não seja galanteador, você já tem uma companheira.
- Se é verdade, onde ela está agora, Satine?
- Não faço idéia! Diga-me você?
- Em seu quarto. Não pode ser minha companheira, se não está ao meu lado. Você é a mulher certa, Satine. Você é minha princesa!
Caius passou o braço por minha cintura, puxando num único movimento, meu corpo para o dele. Embora eu não o amasse, Caius era sedutor, isso era inegável. Senti um friozinho na espinha.
- Não vamos começar com este assunto, não é? Você já sabe minha resposta.
Seus olhos encontraram os meus, sua mão segurou meu queixo, impedindo que eu desviasse.
- Me deixe tentar.
- Tentar o que?
- Seduzi-la!
- Caius!
- Então me deixe beijá-la. Apenas um beijo, para mostrar à todos sua união a nós.
- Não acho que um beijo provaria nada. Além disso, se você soubesse quem era minha mãe, ia querer me beijar.
- Acha que eu me importo?
- Tenho certeza!
- Criatura tola! Provavelmente não se olha no espelho. Você é a coisa mais linda e sedutora que conheci em toda a minha existência.
Não pude conter o sorriso, diante do comentário de Caius. O vestido e a produção haviam superado minhas expectativas.
- Caius, sabe que eu não o amo.
- Não estou lhe pedindo que me ame. Apenas que me deixe tentar.
- Ok, pode tentar, mas por enquanto, sem beijo.
Caius sorriu e me beijou o rosto. Bem próximo da boca, pude sentir o cheiro doce de seu hálito. Ele sem dúvida, sabia como se fazer desejar.
Demetri olhou para mim, e passou os lábios no rosto de Heidi, beijando-lhe o queixo.
Então era briga que ele queria! Ótimo, ele teria briga!
Aproximei meu nariz do pescoço de Caius, tocando meus lábios em sua pele fria levemente.
- Você está cheiroso!
- É mesmo?
Ele sorriu. Seu rosto era doce e meigo, quase irreconhecível. Aproximou a boca de meu ouvido, dando um leve beijo.
- Satine, minha criança, eu não sou tolo! Quero que saiba que não me importo, mesmo sendo um joguinho infantil, eu estou adorando jogar.
Caius segurou meu rosto com as mãos e fechou os olhos. Antes que seus lábios encontrassem os meus, Félix interrompeu.
- Mestre Caius, perdoe minha interrupção. Permitiria que eu cumprimentasse a senhora?
- Embora tenha sido demasiadamente inoportuno, tenho certeza de que minha bela senhora ficará feliz com isso. Somente por esse motivo eu o perdôo.
Caius beijou minha mão e saiu, deixando-me com Félix.
- Corajoso você!
- Ou era isso, ou Demetri cometeria uma loucura. Ele estava a ponto de vir tirar satisfações com Caius!
- Mentira! Ele estava nos braços daquela, daquela... você sabe muito bem!
Félix sorriu e segurou minha mão, levando-me para o jardim. Consolar-me na frente de Caius seria uma terrível afronta.
- Eu não culpo Demetri. Você está linda! Eu também teria morrido de ciúmes.
- Eu estava com saudades, Félix!
- Eu também, garota. Você faz muita falta!
Joguei-me em seus braços fortes, segurando em sua cintura. Félix tentou deter-me, segurando meus pulsos, eu insisti.
- Não seja bobo Félix, você é meu amigo!
- E você a filha de meu mestre!
- Eu estou com saudades, quero um abraço!
- Se eu lhe abraçar, vou arrumar briga com meu melhor amigo e ainda serei castigado, não que eu me importe, mas acho que você sim.
- Não tem ninguém aqui!
- Ah que se dane!
Félix me segurou em seus braços, tirando meus pés do chão. Eu sentia falta dele, sentia saudades, sempre fomos um trio.
- Aro, Caius e Marcus vão me acusar de não respeitar a hierarquia e Demetri...
- O que tem Demetri?
- Deve estar me fuzilando com os olhos neste momento.
- Não seja bobo, ele nem está aqui!
- Isso é o que você acha, ele nunca a deixaria sozinha comigo!
Eu estiquei meu corpo, ficando na ponta dos pés, e dei-lhe um beijo na bochecha. Demetri atravessou o jardim como um raio e me puxou pelo braço.
- Está passando dos limites!
- Ficou louco?
- Ainda não, mas estou bem no limiar. Continue tentando e eu fico!
Seus olhos eram feitos fúria, como se o carmim se transformasse em sangue.
- Demetri, Félix é meu amigo, sempre foi!
- Não importa! Não vê como todos te olham?
- Não, como me olham?
- Como se você fosse o banquete!
Eu sorri de canto de boca, deslizando minha mão por seu peito, sob o paletó, discretamente. Estávamos protegidos pelas sombras da noite.
- E qual é o problema?
- O problema é que, é que...
Ele não conseguia desviar os olhos do decote de meu vestido, seus olhos percorriam meu corpo, escondido pelo manto negro. Ele balançou a cabeça como se quisesse afastar algum pensamento mal.
- É que você não é assim, não deveria ser.
- Assim como?
- Eu tenho que ir, Satine. Tenho que voltar. Tenho que sair daqui.
Demetri desapareceu quase instantaneamente, por entre os convidados. Eu não conseguia conter o sorriso, e ao mesmo tempo sentia uma dorzinha no fundo do peito. Meu objetivo havia sido alcançado, mesmo assim, eu não estava feliz. Pelo menos ainda não.
- Porque não vai atrás dele?
- Está assim tão visível?
- Como um letreiro luminoso!
- Bom então eu... eu... acho que vou andando.
- Mas vá pelo caminho secreto, e antes se despeça, pra não levantar suspeitas.
- Obrigado Félix, você é um amor.
- Só tenha juízo! Se eu o conheço bem, neste momento ele está sem nenhum!
Senti meus lábios se repuxarem sob os dentes brancos, um sorriso impossível de ser reprimido.
Despedi-me de todos, e disse a Aro que a viagem havia me cansado muito, e que queria descansar um pouco. Ele concordou de imediato. Caius me olhou com certa desconfiança, mesmo assim, desejou-me uma doce noite de sonhos. Marcus por sua vez, apenas sorriu e me beijou a testa.
Tirei minhas sandálias e segurei-as nas mãos, eu queria chegar rápido. Entrei pela antiga adega, passando pelos corredores úmidos e com cheiro de mofo. Aquelas passagens secretas fariam qualquer um se perder, eu não, eu havia andado por elas minha vida inteira.
No fim de um dos corredores, depois de uma porta pesada que mal podia ser movida, existia uma câmara com com teto redondo e um vitral de vidros coloridos.
Demetri se escondia lá. Sempre que não pretendia ser encontrado, era para aquele lugar que ele ia. Aquele também era o lugar para onde ele levava suas vítimas, as mulheres que seduzia. As que amava, e as que devorava. Um lugar que sempre fora proibido para mim. Eu me aproximei da porta, sentindo meu coração acelerar, empurrei cuidadosamente sem produzir nenhum barulho. Ele estava lá, de costas para mim, fitando a janela que ficava quase no limite da rua. As mãos no bolso da calça, o paletó aberto. Eu podia ouvir sua respiração sôfrega. Entrei. Caminhei passo a passo até chegar bem perto e o chamei.
- Demetri?
Ele virou-se para mim, mostrando seu rosto mais fatal, eu quase não conseguia respirar. A gravata afrouxada, a camisa preta de tecido nobre com dois botões abertos mostrava a linha de seu peito musculoso. Os lábios duros e frios forçavam as sombrancelhas num olhar malicioso.
- O que a prometida de meu mestre Caius está fazendo aqui? Este não é um lugar digno de uma princesa!
Eu também podia jogar esse jogo. Empurrei meu mando para trás, deixando meus ombros nus. Desci suavemente minhas mãos pelo corpo, tocando minha pele apenas com a ponta das unhas. Um sorriso malvado surgiu em meus lábios. E eu joguei meu olhar dentro dos olhos de Demetri.
- Cansei de tantos mimos. Quero um pouco mais de emoção.
Ele se aproximou mais, parando no limite de espaço entre nossos corpos.
- Creio que procure no lugar errado.
Andei em volta dele, segurando a saia de meu vestido e mostrando meu delicado e alvo pé descalço. Demetri não desviava os olhos dos meus.
- Bem general, se procuro no lugar errado, perdoe, vou procurar em outro lugar. Talvez na cama de Caius?
Demetri segurou firme em meu braço. Em um único movimento, colou meu corpo no dele e puxou meu manto, atirando-o ao chão.
- Você não é um deles, não pertence a ele. Você pertence a mim! É minha, só minha.
Debrucei meu corpo sobre o dele, e recostei minha cabeça em seu peito. Ele enfim dissera o que eu queria ouvir. Minha mão percorreu seu pescoço, seu rosto, sua boca. Ele a segurou, com os lábios, num beijo.
- Eu o mataria, o mataria se a tocasse. Ainda que fosse por um minuto. Você entende? Eu não estou brincando Satine, eu o destruiria!
- Eu estou aqui, não estou? Poderia estar lá, se quisesse, mas estou aqui.
Demetri me apertou contra seu corpo, suas mãos brincaram por minhas costas, acariciando-as. Seus lábios procuraram ansiosos pelos meus, descendo por meu pescoço e ombros e novamente encontrando minha boca.
- Eu a quero tanto.
- Eu também.
- Não como eu te quero, ainda não.
Os braços de Demetri eram meu mundo, meu paraíso, tudo que eu podia querer naquele momento. Eu descobri que se o tivesse em meus braços, eu estaria em casa, em qualquer lugar do mundo. Ele se distanciou delicadamente de mim, como se seu corpo não quisesse se afastar, como se algo nos unisse fisicamente.
- Hoje, sou eu que quero pedir-te uma coisa.
- Peça.
- Fique comigo, Satine, durma comigo esta noite. Aqui neste lugar que é meu. Não no castelo, não como uma princesa ou minha senhora. Apenas como uma mulher, a mulher que eu amo. Fica?
Soltei-me de seus braços, segundo a farta saia de meu vestido com as mãos.
- Mas, este vestido? Não acho que será uma tarefa fácil.
- Ao contrário, meu amor!
Demetri retirou cuidadosamente o paletó e desabotoou a camisa, deixando visível seu peito alvo e musculoso. Atirou para mim a camisa em minhas mãos e sorriu.
- Vista!
Eu segurei a blusa e caminhei para seu corpo, um olhar profundo nos unia. Virei de costas, encostando minha pele na dele.
- Pode me ajudar?
Suas mãos automaticamente começaram a soltar, um por um, os botões do meu vestido. Quando minhas costas estavam nuas, ele tocou suavemente suas mãos firas em minha pele, e virou-se de costas.
- Pronto. Pode se trocar agora.
Embora ele estivesse de costas, eu podia sentir seus olhos em meu corpo despido. Eu queria que ele se virasse, que me olhasse. Queria que desejasse meu corpo naquele momento, mas não tinha coragem de pedir, então eu me calei.
Vesti a camisa e corri para ele, abraçando-o de costas e escorregando minha mão por seu peito. Ele as segurou, junto a seu coração.
- Eu me sinto tão vivo, quando a tenho ao meu lado. Sinto como se meu coração ainda estivesse aqui, batendo.
Eu o virei para mim, e segurando sua mão, conduzi até meu coração.
- O meu bate por você e só por você. Sempre!
Demetri sorriu. Um sorriso sincero e meigo. Pegou meu manto no chão e bateu a poeira. O peitoril da janela formava uma elevação, quase como uma cama. Ele estendeu o mando no peitoril e mostrou-me. Eu me sentei e o chamei com minha mão. Ele deitou-se ao meu lado e me puxou para si. Beijando meus lábios ardentemente e sedutoramente. Virou-me, colocando meu corpo sobre o seu. Embora Demetri fosse frio como gelo, eu sentia como se um calor que vinha de dentro de mim, inundasse todo o meu corpo. Suas mãos fortes percorreram cada centímetro do meu ser, apertando minha carne, como se apenas tocar não matasse o desejo. Seus lábios sugavam os meus, como se não tivéssemos tempo para ter calma.
Eu sentia meu corpo formigar, e meu coração quase sair do peito. Demetri parou, a respiração acelerada, os olhos fechados.
- Vamos com calma. Embora você não acredite, eu não sou de ferro Satine, sou fraco, muito fraco. Seu cheiro me enlouquece. Eu preciso me controlar.
Os beijos então se tornaram mais lentos e suaves, as mãos mais tranqüilas. O sono foi lentamente tomando conta de mim, e adormeci.
Despertei com os raios da manhã em meus olhos. Demetri estava sentado ao meu lado, contemplando-me. Eu sorri.
- Dormiu bem, princesa minha?
- Melhor que em qualquer castelo, meu príncipe.
Levantei-me e me sentei em seu colo. Ele me abraçou, começando novamente os beijos. Era impossível parar, eu precisava sentir seu gosto. Quase cem anos de espera, todo o tempo do mundo era pouco, a eternidade era muito curta para nós dois.
- Você precisa ir, logo todos vão se levantar.
- Demetri?
- Sim?
- Vou vê-lo antes de ir embora?
- Você quer?
- Muito.
- Então, antes que pense, eu estarei lá!
Coloquei novamente meu vestido e ajeitei o cabelo. Saí correndo pelos corredores escuros e úmidos, o sorriso escapava de meus lábios, mesmo quando eu não queria. Quando cheguei ao jardim, percebi que já havia movimento no castelo. Eu precisava encontrar uma maneira de chegar ao quarto no segundo andar, sem que ninguém me visse.
Pregada na parede de minha sacada, Aro colocara um apoio de madeira para minhas madressilvas. Escalei cuidadosamente a grade de madeira, quando estava quase no segundo andar, olhei para baixo. Marcus, ele sorria enquanto vigiava minha aventura. Eu sorri de volta, e pulei a janela.
Graças a Deus era Marcus e não Caius! Ainda assim, eu havia sido pega. Precisava tomar mais cuidado da próxima vez.
Tomei um banho gostoso e demorado. Arrumei minhas malas e me vesti. Uma calça jeans clara e uma blusinha de seda rose, frente única. Penteei meus cabelos e desci as escadas saltitando pelos degraus.
- A noite de sono lhe fez muito bem, querida Satine.
- Obrigado Aro.
- Está ainda mais encantadora esta manhã.
- Obrigada Caius.
- Especialmente com este brilho em seus olhos, minha querida.
- Obrigado Marcus.
Eu corri por entre os três, beijando cada um deles.
- Vocês são pais maravilhosos! Sempre foram, e eu os amo muito. Nunca se esqueçam disso.
Quando me virei, Demetri estava lá, ao lado de Félix e Jane. Lindo, de calça jeans desbotada, camiseta preta e sua inconfundível jaqueta de couro Armani. Ele se aproximou.
- Mestre Aro, se importaria se eu não fosse com os outros hoje. Imagino que a senhora gostaria de um passeio para matar a saudade de nossa terra. Além disso, alguém deve acompanhá-la até o aeroporto.
- Tem razão, meu caro Demetri, se Satine assim desejar.
- Me daria a honra, doce senhora Satine?
- Certamente general.
- Assim seja. Confio a você, caro Demetri, meu bem mais precioso, cuide para minha querida filha tenha um dia agradável.
- Eu lhe prometo, mestre, com minha existência!
Ergui minha cabeça e sai na frente, Demetri deu-me passagem, fazendo reverência.
Fora do castelo, sua maserati branca nos esperava reluzindo ao sol. Demetri dirigiu em silêncio, eu não sabia como começar uma conversa, não depois da última noite. A estrada de pedras foi ficando cada vez mais deserta. Cada vez mais estreita e rústica, uma coisa era certa, não estávamos indo à cidade!
Pude ouvir ao longe o correr de um pequeno rio. Demetri estacionou um pouco antes da margem. A paisagem era estonteante. Ele virou-se para mim, agarrando meu corpo e puxando-me para si num beijo inquieto.
- Ah Satine, eu não podia mais agüentar de saudades! Precisava de você, do toque macio da sua pele, do gosto dos seus beijos.
Diante disso, eu continuei em silêncio. Não havia palavras à serem ditas, apenas emoções à serem sentidas.
Algum tempo depois, quanto a saudade abrandara um pouco, eu desci e caminhei até a beira do rio, Demetri me seguiu. Sua pele reluzindo ao sol, seus olhos inflamados pela luz. Ele era a coisa mais perfeita do mundo, e o que eu mais amava.
Ficamos a beira do rio, abraçados, olhando a paisagem. Longe dos olhos de todos, podíamos ser apenas eu e ele, nada mais.
O tempo parecia correr quando estávamos juntos. E assim, mais uma vez, a hora da despedida chegara.
Demetri acompanhou-me até o aeroporto internacional de Florença. Mais uma vez, eu não queria ir, não queria deixá-lo. Era como se uma parte do meu ser, uma parte quase física, ficasse ali. Doía, doía muito. Quando o avião decolou, não consegui segurar as lágrimas. Voltei para Seatle com os olhos vermelhos.
Embora meu coração estivesse partido, um sorriso tímido nasceu quando vi, no salão de desembarque, os olhos mais doces e carinhosos do mundo inteiro. Eu corri para eles.
- Pai!


Autora: Bia

Capítulo 11 - Baile de Máscaras

Pendurada entre dois grandes abetos, via-se uma grande faixa em letras douradas com a inscrição:
“Baile de Máscaras”
Eu não pude deixar de sorrir. Então este era o segredo, Alice preparara um baile de máscaras.
Nossa casa estava Linda, embora eu só pudesse vê-la por fora, Alice me esperava no gramado. Na porta de entrada dois grandes pedestais de cristal, sustentavam arranjos de flores em vários tons de rosa. Era possível ver um tapete de veludo marrom saindo pela porta de entrada, até a escada. Nas árvores que ficavam em nosso gramado, Alice colocara pequenos pendentes de cristal com velas dentro. Tudo estava bucólico, lindo e medieval.
- Alice, tudo está tão lindo!
- Que bom que gostou. Tentei fazer tudo bem “Conto de Fadas”.
- Ficou perfeito, muito obrigada.
Eu a abracei. Minha irmã realmente havia se esforçado muito para me agradar. Esme e Rosalie saíram pela porta da garagem. Eram só sorrisos.
- Parabéns querida!
- Hoje o dia é só seu, queremos que seja perfeito!
Depois do abraço longo e sincero de Esme, Rosalie se aproximou, abraçando-me também.
- Alice e eu achamos que você deve caçar um pouco, antes da festa. Combinamos com Jasper, ele vai com você.
Jasper pulou a janela e veio sorrindo. Apesar de ter pouco tempo com Jasper, nos dávamos muito bem. Ele era muito parecido com Demetri, provavelmente por causa de seu passado. Segurou em minha mão, como um cavalheiro e a beijou.
- Então senhorita, dá-me a honra de acompanhá-la neste dia tão especial?
Eu fiz uma reverência, segurando a barra de meu vestido.
- Claro senhor, é muito gentil de sua parte.
Jasper me puxou para si, em um abraço delicado.
- Parabéns querida! Que este seja o primeiro de muitos aniversários em que passaremos todos juntos.
- Que assim seja, meu querido irmão.
Saímos para caçar. Os outros provavelmente ficariam ocupados terminando o trabalho. A caçada com meu irmão guerreiro fora fantástica. Jasper sabia mesmo como fazer. Sem dúvida o melhor caçador que conheci. Nos empanturramos de alimento. Eu sentia muito mais vivacidade. O fato de conseguir viver sem sangue, fazia com que eu postergasse mais do que deveria minhas caçadas. Graças a Jasper, eu estava renovada. Desta vez, voltei como uma senhorita, nem um fio de cabelo fora do lugar.
Quando chegamos em casa, o sol estava se pondo. Antes que eu pudesse tocar a maçaneta da porta, Jasper me segurou.
- Alice me pediu que a levasse pela janela.
- Do segundo andar?
- Exatamente!
Ele segurou em minha mão e subimos na copa de um carvalho que ficava próximo a minha janela. Da copa, foi fácil entrar no quarto. Alice já estava lá.
- Então, como foi?
- Olhe para mim, veja, estou até mais corada! Jasper foi um perfeito cavalheiro.
Alice correu para ele e o beijou.
- Eu sei! Agora vá meu amor, precisamos fazer coisas de mulher. Aproveite e chame Rosalie para mim, ela é melhor com cabelos do que eu.
Tomei um demorado banho de banheira, Alice havia preparado com meus sais. Quando saí, ela me esperava no closet. Sentei-me na poltrona e Alice passou a me maquiar. Rosalie entrou em seguida e começou a mexer em meus cabelos. Embora eu nada pudesse ver, confiava no bom gosto de minhas irmãs.
Algum Tempo depois, Kate bateu na porta, anunciando sua entrada. Quando olhei o vestido que ela trazia nas mãos, quase não acreditei. Era simplesmente maravilhoso. Diferente de tudo que eu já tinha usado. Era de um marfim antigo, com detalhes dourados. Um corpete tomara que caia preso atrás por cordões de seda e uma longa saia em camadas de tecido transparente. Um vestido de deixar a própria Cinderela com ciúmes!
- O que acha?
- É perfeito Kate. Onde conseguiu algo assim?
- Era de minha mãe.
Eu a abracei docemente. Tudo que dizia respeito a mãe, deixava Kate muito sentimental.
- Ah Kate, é maravilhoso! Obrigada.
- Tenho certeza de que ela ficaria muito feliz em vê-la usando ele.
Minhas irmãs me ajudaram a me vestir. Rosalie apertou tanto o corpete que eu quase não podia respirar. Ela me disse que assim ficaria mais sensual.
Alice pegou uma caixa pequena e me entregou.
- Este veio pelo correio, é um presente de Aro. Eu o convidei, achei que você gostaria.
- Obrigado Alice, por se importar tanto. Sei o quanto é difícil para você.
Dentro havia uma carta, escrita por meu pai de criação. Ele me desejava parabéns, dizia-me que estava com saudades e que esperava me ver em breve. Explicava que por razões obvias não poderia vir, e me pedia para agradecer à Alice a gentileza. Eu teria chorado, se Rosalie não tivesse me impedido. Ela me disse que estragaria todo o trabalho de Alice e faria todas se atrasarem para festa, então, me contive. O outro embrulho dentro da caixa era uma linda máscara de Veneza.
- Vai querer que eu a use?
- Ora, é um baile de máscaras! Aliás é uma linda máscara veneziana do século passado e merece muito respeito. Eu mesma pedia a ele!
- Alice!
- Já deveria saber que eu nunca faço coisas pela metade!
Quando terminaram de me arrumar eu olhei no espelho. Alice levou mesmo à sério a história do conto de fadas. Eu estava mesmo parecendo uma princesa. Meu cabelo estava preso no alto da cabeça, em cachos que desciam até o ombro. Uma maquiagem delicada e o belo vestido da mãe de Kate. Tudo estava perfeito.
Minhas irmãs foram então se arrumar também. Eu fiquei no quarto, até que Alice me autorizasse a descer. Estava nervosa.
- Posso entrar?
- Claro Ed.
Meu irmão estava lindo. Vestido com um belo terno preto. Parecia um príncipe! Ele caminhou até mim, fazendo uma reverência e beijando minha mão. Eu o abracei bem forte.
- Está linda senhorita. Parabéns! Estou muito feliz que esteja conosco, espero que nunca nos deixe.
- Não se preocupe, não posso mais viver sem vocês.
- Ainda bem! Mas me diz, está muito nervosa?
- Um pouco Alice não quer me contar o que está acontecendo lá embaixo! Por falar nisso, todos vão usar máscara?
- Todos. Afinal, é um baile de máscaras!
- Puxa, Alice caprichou!
- Ela sempre capricha!
- Edward, promete que dança uma música comigo?
- Será um prazer.
Ele ficou comigo por um tempo, provavelmente tentando me acalmar, embora fosse em vão. Quase na hora da festa me deixou, precisava buscar Bella, eu fiquei sozinha novamente.
Estava debruçada na janela, olhando o riacho que se estendia atrás da casa. Senti uma mão fria em meus ombros.
- Minha filhinha, está esplêndida!
Eu me virei para ele e o abracei. Meu pai estava lindo também, e também usava um belo terno. O que eu dera de presente a ele.
- Precisamos de quase cem anos, para estarmos assim, como deveríamos ter permanecido a vida toda.
- Ainda temos a vida toda!
- Eu te amo, minha filha! Desejo que esta noite todos os seus sonhos se tornem realidade, que seja seu conto de fadas.
- Já é.
- Tenho um presente. Algo muito especial, que foi de sua avó. Esme insistiu muito que eu desse a você. Vire-se, vou colocá-lo.
Virei-me de costas para ele, e ele colocou em meu pescoço um lindo colar. Era de ouro, com uma cruz em rubis e diamantes. Lindo e delicado, como meu pai.
- E ainda tem gente que diz que não gostamos de crucifixo!
- Pensam muitas coisas erradas a nosso respeito, meu bem.
- Está na hora, vamos descer?
Ele me deu o braço e colocou minha máscara e a dele. Meu coração disparou. Ele percebeu e afagou meu rosto, dizendo que tudo daria certo.
Ao lado dele, com seu braço forte me confortando, eu seria capaz de vencer qualquer desafio. Seu sorriso dissipava todos os meus medos. Suspirei bem fundo e descemos.
Já dos primeiros degraus da escada, pude ver a maravilhosa decoração de Alice. Muitas flores em tons de rosa-claro e muitos cristais, tudo iluminado pela luz amarela das velas. Nossa sala parecia retirada de um livro antigo. Todos usavam trajes de gala e máscaras. A sala estava cheia de mascarados. Alguns eu reconheci, outros não, creio que eram da escola. Procurei uma pessoa por toda a sala, sem sucesso. Meu pai percebeu.
- Dê um tempo a ele, querida, sei que virá!
Descemos para a sala e todos nos deram passagem. O suave som do piano de Edward fez-se ouvir. Meu pai segurou em minha mão, tirando-me para uma valsa. A primeira, de pai e filha.
Gostaria que tivesse demorado mais, era muito bom estar aconchegada em seus braços, seu cheiro me acalmava. Infelizmente, durou apenas uma música. Ele me soltou e eu comecei a receber os cumprimentos. Um a um, comecei a reconhecer os convidados.
Esme foi a última, me abraçou demoradamente. Tenho certeza que se pudesse chorar, aquele seria um bom momento, a emoção em seus olhos dourados era visível.
Todos estavam se divertindo bastante. Com certeza aquela seria a festa do ano!
Caminhei entre as pessoas, todos estavam felizes. Para mim ainda faltava uma pessoa. Meu amigo, meu melhor amigo!
No canto da janela, a cortina se mexeu.
- Psiu!
Quando me virei para olhar, uma mão imensa me agarrou pela cintura.
- Só uma música! Aí eu vou embora. Estou ficando enjoado com este cheiro de sanguessugas!
- Jake, você veio!
- Não vai começar a chorar, hein? Vai borrar a maquiagem.
- Não tem problema, estou de máscara.
- Vai que você precisa tirar? Nunca se sabe!
Jacob me envolveu em seus braços quentes e dançamos. Ou melhor, nos abraçamos e balançamos um pouco, o garoto não entendia muito de dança! Pareceu-me um breve momento, mas acho que foi suficientemente demorado para que as pessoas começassem a olhar.
- Preciso ir.
- Já?
- Só queria te ver, eu prometi, se lembra?
- Me lembro.
- Espero que tenha percebido que pode contar comigo, sempre.
- Obrigado, Jake, você é...
- O melhor?
- O melhor!
Ele me deu um beijo na testa e se foi, pela mesma janela que entrou. Jacob era especial e único. Eu não queria que mudasse, nunca. Estava com o cabelo despenteado e de camiseta, como sempre. E era exatamente assim que eu o queria. Autêntico.
Depois de tê-lo visto, eu pude aproveitar melhor a festa. Embora ainda faltasse a pessoa mais especial, e esta eu sabia que não poderia estar ali, todos os outros a quem eu amava estavam comigo.
Eu sempre adorei dançar, então aproveitei ao máximo, dancei muito, inclusive com o tal Newton. Aliás, o garoto obviamente, não entendia muito de dançar a dois. Ainda assim, foi gentil comigo e eu o agradeci.
Edward caminhou até mim, gentilmente pediu licença ao garoto.
- Concede-me a honra, doce senhorita?
- Certamente, gentil cavalheiro.
Uma música suave, tocada por violinos, inundou toda a sala. Eu e meu irmão valsamos pelo salão. As pessoas se afastaram, deixando espaços para nós.
Era fácil dançar com ele, era um dançarino maravilhoso. Rodopiou-me pelo espaço aberto, e eu segurei Bella pela mão, levando-a aos seus braços. Afastei-me dele e segurei Emmet, que nos olhava. Dançamos também por um tempo, e eu repeti o mesmo gesto, entregando-lhe Rosalie. Agora eram dois pares no salão. Jasper, como um perfeito cavalheiro, deu-me sua mão enquanto a música continuava. Meus três irmãos e suas amadas. Segui dançando até meu pai, e a valsa terminou enquanto eu estava em seus braços. Assim que uma nova música, um pouco mais romântica se iniciou, meu pai segurou Esme em um dos braços, eu em outro e me disse:
- Agora meu amor, dance com seu verdadeiro par.
Quando olhei a porta, do escuro da noite, iluminado apenas pelos pendentes de cristal, ele surgiu.
O brilho das velas iluminava seu belo rosto, coberto por uma máscara negra. Ele caminhou até mim, nada mais existia, apenas seu caminhar despreocupado por entre os convidados.
E todos paravam para vê-lo. Seu cabelo castanho despenteado, seu corpo forte coberto por um lindo terno preto que destacava sua pele branca. Um sorriso malicioso em seus lábios carmim.
Meu príncipe caminhou até mim, cumprimentando-me com uma reverência de cavalheiro.
- Minha Rainha. Perdoe-me fazê-la esperar.
- Demetri!
Ele segurou minha mão e após beijá-la girou-me e puxou-me para seus braços. Seu sorriso refletia toda a felicidade que eu sentia, era recíproco.
- Você veio!
- Como não viria. Não poderia deixar de comemorar o dia mais importante de minha existência. Hoje você é minha princesa, só minha. Nada, nem ninguém importa. Não nesta noite, esta noite somos eu e você.
Levantou minha máscara até a testa e tocou meu rosto com a ponta dos dedos. Seus lábios se aproximaram de meu ouvido e ele sussurrou arrepiando minha pele:
- Eu te amo, para sempre.
Sua boca desceu pela linha de meu queixo, até o pescoço, subindo pelo queixo e terminando em meus lábios. Beijou-me. Longamente, intensamente. Pela primeira vez, em tantos anos, ele enfim havia me beijado verdadeiramente, sem medos nem questionamentos. Apenas como um homem que ama uma mulher.
O toque de seus lábios, intensos, contra os meus. Sua boca, sua respiração, seu corpo.
Não me lembro de nada mais. A festa terminou naquele momento, com Demetri ao meu lado. Nada podia ser maior, nem mais precioso. Não vi como todos se foram, apenas percebi que a sala ficara vazia de repente.
A lua tornou-se cada vez mais alta, os raios da manhã começaram a tingir o seu. Eu permaneci em seus braços até o primeiro raio da manhã.
Infelizmente nada dura para sempre.
- Eu preciso voltar, meu amor.
- Você acabou de chegar!
- Aro precisa de mim, só vim porque não poderia deixar de vê-la. Não hoje.
- Não quero que vá. Eu o quero aqui, comigo.
- Bem minha princesa, meu feitiço da meia noite se foi. Tudo volta ao normal agora. Preciso voltar para minha realidade.
Eu o abracei mais forte. Não queria que ele partisse, embora soubesse que precisava. Eu nunca entendi porque Demetri se comportava como subalterno de Aro. Ele era nobre, filho de uma princesa e um grande general.
O toque gélido de seus lábios em minha testa, dispertou-me. Tudo voltara mesmo ao normal. Os medos e questionamentos de conduta, estavam novamente em seus lábios.
Demetri se foi. Desta vez eu não fiquei triste, uma coisa me consolava. Eu iria a Volterra em quatro dias, e quatro dias eu poderia suportar.
Quando voltei a sala, tudo já estava em seu lugar. A vida continuava. Era dia de aula e eu precisava encara a minha realidade também.
Na saída do colégio, pedi a Alice que fosse com Edward, eu queria ir a La Push.
Parei meu carro em frente à casa de Billy. Jacob provavelmente ouviu o barulho ou sentiu meu cheiro, porque pude ver um imenso lobo avermelhado correndo para a casa.
Ele pulou em cima de mim, derrubando-me no chão e lambendo meu rosto inteiro.
- Ai que nojo, garoto! Pare com isso, ficou maluco?
Eu me libertei do lobo e levantei batendo em minha roupa para retirar a terra, e secando meu rosto com a manga da blusa. Virei de costas para ele.
- Vai, pode se transformar em Jacob agora, não estou olhando.
Soube que ele havia terminado a transformação porque ouvi sua risada.
- Foi um golpe de mestre esse, isso você não pode negar!
- Foi um golpe de traição, isso sim!
- Agora já posso dizer a todos que beijei a sua boca!
- Não foi um beijo, foi uma lambida! Isso não conta. Alem do mais você é meu parente, isso não pode.
- Pense o que quiser, mas eu te beijei!
- Garoto bobo!
- Você não veio até aqui só pra me xingar, não é?
- Não. Eu vim para pedir uma opinião.
- Diga, sou todo ouvidos!
- Eu vou à Itália no feriado...
- Puxa!
- Quer escutar?
- Tá, fala!
- Então, como eu dizia, vou à Itália, em uma festa muito importante. Preciso comprar um vestido e quero uma opinião masculina.
- Quer a minha opinião? Eu não entendo muito de festas.
- Jake, quero uma opinião de homem, não de moda. Se fosse assim eu levaria Alice!
- Porque tanto entusiasmo?
- Eu quero estar maravilhosa e linda.
- Você já é!
Eu corri para ele, fazendo beicinho.
- Ah Jake, eu já quase perdoei a lambida!
- Tá bom! Quem consegue dizer não para você. Vamos comprar o vestido!
- Vai colocar uma camiseta, não vai?
- Ainda tenho que me arrumar?
Eu balancei minha cabeça discordando do comentário.
- Tá, eu vou colocar uma das roupas que você me deu!
Quando voltou, nem parecia o mesmo garoto. Estava maravilhoso. Com uma calça jeans escura, camiseta preta e jaqueta de couro marrom.
- Viu, muito melhor!
Ele mexeu em meu cabelo, desarrumando minha franja.
- Só porque está um gato, eu vou deixar que dirija o meu carro.
- Ah muito obrigado, muito gentil da sua parte!
Fomos até Seatle, eu havia pedido um vestido de um estilista francês e a loja havia me avisado que chegou. Quando paramos na frente da Maison, Jacob fez uma careta de nojo.
- Que lugar fresco!
- Eu avisei que era uma festa importante!
- O que é? uma convenção de vampiros?
- Quase!
Eu o arrastei para dentro da loja, e a gerente ajeitou uma poltrona para que ele se sentasse. Acho que ela pensou que Jacob era meu namorado. Eu não desmenti, nem ele.
Entrei em um dos provadores para experimentar o vestido. Serviu perfeitamente, como eu conhecia o costureiro, foi fácil encomendar o que eu queria por telefone.
Saí do provador e parei na frente de Jacob. A julgar que o garoto parecia que tinha engolido a língua, o vestido causara a reação que eu desejava.
- Então, o que acha?
- Acho que aquele sanguessuga italiano não merece tanto!
- Jacob!
- Eu sou sincero!
- Então me diga o que achou e não faça piadinhas!
Ele se levantou e veio até mim, olhando por todos os ângulos.
- Está maravilhosa! Deixaria qualquer um de queixo caído! Claro que é meio “noiva do Drácula”, mas acho que a intenção é esta.
Aproximei-me de sua orelha, falando bem baixinho.
- É uma festa de vampiros, tenho que me vestir como tal!
- Puxa, quero vê-la em uma festa de lobisomens então!
- Por quê?
- Nós não usamos roupa!
- Há, há... engraçadinho!
Paguei o vestido e saímos. Jacob me acusou de ter gasto o PIB de um pequeno país e eu sorri muito. Voltamos para casa e eu o deixei em La Push. Quando à noite já estava alta, voltei para casa.
Quanto mais a semana passava, mais eu ficava ansiosa. Foi difícil concentrar-me em mais e mais aulas chatas e intermináveis. O único divertimento da escola eram as conversas com Edward, ele sempre conseguia me divertir.
No dia de minha viagem para Volterra, acordei tarde. Coloquei um vestidinho florido e desci cantarolando.
- Quanta felicidade, meu amor!
Esme me encontrou na sala. Dei-lhe um beijinho no rosto, eu estava mesmo muito feliz. Peguei meu carro e fui até o hospital, o feriado já havia me liberado da terrível missão de ir à escola.
Entrei na ala em que meu pai trabalhava e o encontrei tratando ferimento de um garotinho.
- Acho que será necessária uma injeção de penicilina!
- Filha! Que prazer vê-la aqui! Vejo que suas preferências profissionais ainda não mudaram.
- Nunca, afinal, é coisa de família!
- Veio só para me ver?
- Vim me despedir, não sei se vou vê-lo antes de sair.
Ele afagou meu rosto, e me puxou para seu peito, beijando-me o rosto delicadamente.
- Boa viagem, meu amor! Vá em paz e volte logo, estarei com saudades.
- Também vou morrer de saudades, pai. Prometo que volto antes do fim do feriado.
Depois de me despedir de meu pai, dirigi até La Push. Entrei correndo pela porta da cozinha.
- Jake, Jake!
Billy me avisou que ele ainda estava no quarto. Os lobos haviam patrulhado todo o perímetro de floresta, depois que alguns montanhistas desapareceram.
Cheguei bem perto do rosto dele e o beijei no rosto. Ele dormia profundamente, parecia mesmo só um menino.
- Bom dia preguiçoso!
Jacob abriu um olho primeiro, depois o outro.
- Que horas são?
- Quase hora do almoço. Não se preocupe, só vim me despedir.
Ele pulou da cama na mesma hora.
- Já?
- Daqui a pouco, tenho que ir para o aeroporto, Alice está me esperando.
- Então vem aqui, quero me despedir direito!
Jacob me agarrou bem firme. Juro que senti uma costela estalar!
- Calma Jake, assim vai quebrar-me inteira!
- Prometa, que não importa o que aquele sanguessuga metido a besta disser, você vai voltar para Forks!
- Jake, não seja bobo! É claro que vou voltar. Se Demetri me amar, virá comigo. O meu lugar é aqui, ao lado de minha família!
- Essa é a minha garota!
Deixei meu querido amigo e meu lobisomem favorito na segurança da reserva, e voltei para minha casa.
Quando viu o vestido que eu comprara, Alice quase entrou em colapso. Ficou muito irritada quando soube que eu não lhe chamara para ajudar, tentei explicar que eu queria uma opinião masculina, Alice só entendia o que queria.
Mesmo fazendo beicinho, me ajudou a arrumar a mala. Eu ficaria apenas dois dias na Itália e teria que passar boa parte desse tempo em um shopping, Alice me entregara uma interminável lista de presentes.
Com o cair da tarde, tomei um banho e me preparei para sair. Uma calça Justa e bota de cano longo e salto fino, ambas pretas. Uma blusinha cinza chumbo de gola alta e um casaco até o joelho de cachemire marfim.
Me despedi de todos e entramos no Nissan. Alice, obviamente, preferiu ir dirigindo. Eu não fiz muita questão, estava nervosa e queria embarcar logo.
Ela me deixou no portão do check-in. Assim que eu ouvi liberar o embarque, meu coração disparou. Em algumas horas, eu enfrentaria todos os meus medos.


Autora: Bia
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