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Capitulo 23 - Sangue e Lágrimas ***Satine

- Algo errado com você?
Eu paralisei com o som da voz. Eu me lembrava exatamente de onde me lembrava daquele som – era o anjo! O anjo que eu havia encontrado na estrada.
Engoli em seco o bolo de emoções que se formavam em minha garganta. Era estranho. Muito estranho. Meu coração estava acelerado e minhas mãos suavam frio. Tão frio que pareciam á ponto de congelar. Eu forçava minha garganta a emitir algum som, mas meus lábios se recusavam a abrir.
Uma mão fria e delicada pousou sobre meu ombro.
- Minha querida. Algo errado com você? Sente alguma dor? Quer que eu a examine?
Obviamente, havia algo de errado comigo: Eu era uma idiota completa! Nem mesmo conseguia falar com ele! O que eu queria? Que ele abrisse os braços e me dissesse que esperou por mim a vida toda? O cara nem mesmo sabia da minha existência!
Burra! Burra! Burra! – minha mente gritava com um megafone.
Você é uma Volturi! Você é uma Volturi! – eu respondi á ela.
Endireitei meu corpo. Respirei fundo e dei uma alisada nos cabelos com os dedos.
- Errrr... Na verdade... Eu... – sou sua filha e espero que você me ame! – gostaria de saber se o senhor tem um tempinho para conversar.
Ele não respondeu. O corredor permaneceu em silêncio absoluto.
Respirei fundo novamente e me virei, enxugando o principio das lágrimas que se formavam em meus olhos.
Quando olhou em meu rosto, o anjo ficou paralisado. Era como se ele visse algo que os outros não viam, e olha que eu nem me referia ao meu estado – deplorável, diga-se de passagem – naquele momento.
- Tem um tempinho doutor? – ele permaneceu em silêncio, aumentando minha agonia.
- Doutor?
- Desculpe – o anjo deslizou as mãos pelos cabelos claros, como se precisasse de um tempo para organizar as idéias – Eu... Eu... Claro! Podemos conversar.
Dei um espaço para que ele pudesse passar e entrar na sala, mas ele não fez. Ficou ali parado, com as sobrancelhas franzidas, como se me estudasse.
- Algum problema, doutor? É uma hora ruim? – baixei minha cabeça e usei a lógica – eu posso voltar em outro momento.
- Não! – ele me interrompeu – agora está perfeito. Entre.
Eu entrei. Ele também. Sentou-se na cadeira por detrás da mesa e continuou me fitando – eu estava começando a me sentir incomodada.
- Quem é você?
- Sou Satine Volturi – eu disse, os olhos ainda perdidos naquele mar de âmbar.
- Volturi? Volturi? – ele repetiu como se não conseguisse entender.
- Sim. O senhor os conhece?
- Você – ele encarou ainda mais os meus olhos – os conhece, criança?
Deixei que meus olhos encontrassem o padrão dos pisos do chão – Kate havia me dito que odiava os Volturi, mas que amava meu pai. Provavelmente o sentimento dele era o mesmo em relação á ela e aos Volturi.
- Um pouco – eu menti.
Minha mão estava sobre a mesa de madeira. Eu estava distraída. Tão distraída que nem percebi quando ele tentou aproximar a mão da minha. Eu a puxei. Não como um humano puxaria, lenta e descoordenadamente, eu a puxei como um vampiro, um movimento único e certeiro.
- Quem é você? – o anjo repetiu.
Uma a uma, as lagrimas começaram a rolar por minha bochecha, desenhando uma pequena cachoeira em minha pele. Eu não me contive, não conseguiria – estar ali, ao lado dele. Meu pai. Depois de todos estes anos.
Ele se levantou – seus passos produzindo um baque surdo no chão, delicados e bem marcados – caminhou até bem próximo á mim e se curvou, flexionando os joelhos. A mão pousou graciosamente no bolso do avental, e ele retirou um pequeno lenço de linho, perfeitamente branco. Entregou a mim com um sorriso tão sincero, que mesmo ele me oferecesse um copo de veneno, eu pegaria.
- Diga criança, o que há de errado com você? Alguém dos Volturi lhe fez mal? Demetri talvez.
Demetri! – o nome foi como um estalo em minha mente.
- Não! Demetri não... Ele... – mais uma vez eu não sabia o que dizer.
As lágrimas ficaram mais fortes, enquanto o lenço repousava sobre minha calça jeans destruída.
Demetri. Demetri. Meu demetri – mais uma vez, tudo que eu precisava era tê-lo por perto. Eu era boba e infantil e covarde. O momento pelo qual sempre esperei ali, em minha frente. E eu não conseguia dizer nada mais que alguns monossílabos sem nexo.
- Desculpe doutor – eu disse secando as lágrimas com as mãos e entregando o lenço – foi um erro. Isso tudo... Foi um erro.
Saí pela porta, como se tudo estivesse pegando fogo – por sorte, ninguém estava por perto e eu não tive que fingir um ataque de pânico nem nada.
Corri. Corri o mais rápido que minhas pernas agüentavam até que encontrei o rio. Um rio imenso e tranqüilo.
Tranqüilo - tudo que eu não era naquele momento.
Sentei na beira do rio, na grama – eu já estava um trapo mesmo, o que um pouco de grama poderia piorar? – e fiquei ali, olhando a água correr.
Em um ponto do “nada” em que eu me sentia, fechei os olhos, liberando meus pensamentos.
Lembranças dançavam em minha mente como se fossem pequenas borboletas – Filó, Rennie, meu pai Aro, Marcus e Demetri. Pensei em tudo que eu já havia passado e porque diabos eu estava naquele lugar. Eu tinha uma família que me amava e por mais que os outros não entendessem, eu os amava também. Pensei nas manhãs no castelo, nas vezes em que Marcus mandou trazer pãezinhos frescos para mim, nas vezes em que Filó fez bolo. Nas coisas que Rennie me ensinou. Nas vezes em que me protegeu e acobertou minhas saídas fortuitas – um sorriso nasceu discreto em meus lábios.
“Pelo amor de Deus não me diga que este é o momento em que você começa a se lembrar de coisas pessoais e nojentas que os sangue-sugas fazem quando estão apaixonados!”
Embora não fosse minha a voz vinha direto da minha mente.
Abri meus olhos com cuidado, já imaginando o que iria encontrar – diante de mim, o imenso lobo avermelhado estava sentado, com o focinho á alguns milímetros do meu rosto, ele me encarou.
- Como se eu tivesse muita coisa para me lembrar! – eu pontuei.
“Isso é bom! Muito bom! – apenas uma garota com pensamentos apaixonados é suficiente numa matilha!”
- Mal humorado e ranzinza! Como uma freira italiana!
O lobo pigarreou – e eu aposto que aquilo significava uma risada!
- Como me encontrou?
Ele se deitou na grama, e cobriu o focinho com as patas dianteiras.
“Como se eu pudesse evitar!”.
- Eu não entendo.
“Olha garota – por alguma razão que eu desconheço – você faz parte da matilha. O que significa que mesmo que eu quisesse, seus lamentos são altos e claros demais para eu ignorar!”.
Ah ótimo! Agora nem pensar eu poderia mais em paz!
“Bem vinda ao clube!”.
Hey, não ouça meus pensamentos! – eu pensei de mau humor.
“Não é que eu queira, mas...”
- Dá para você pelo menos voltar a ser humano, para que eu me sinta menos idiota de estar conversando com um animal? – Não que vá ajudar muito – eu provoquei ainda pensando.
O lobo me olhou com cara de: “Há, há! Muito engraçado” e se foi. Alguns segundos depois o garoto apareceu, vestindo sua bermuda velha.
- Você não tem outra roupa não?
- E você não tem outra cara não? Desculpe é que esta de sofredora mal educada já enjoou.
- Bobo!
- Meu pai diz que somos iguaizinhos.
Deus me livre! – eu pensei.
- Ainda posso ouvir.
- Ótimo!
- Ótimo!
Eu me virei de volta para o rio – não estava com vontade de discutir – embora fosse uma idéia tentadora.
- Hey garota, falando sério, você está bem? Quero dizer, fora todo esse mau humor natural, parece sofrer.
- E por que você se importa? Eu sou só uma sangue-suga malvada e fedorenta e Volturi, para completar!
- Eu nunca disse que você era fedorenta.
- Achei que não gostasse do cheiro doce dos vampiros.
Jacob segurou minhas mãos entre as suas. O calor da pele dele me acalmava tanto que era como se derretesse todas as minhas dores. Fechei meus olhos e suspirei.
- Satine? – ele me chamou – você é muito mais que isso. Não é uma sangue-suga malvada. É só uma garota, tá que você tem sérios problemas de humor, mas é o que você é – uma garota linda, gentil, que ama a família que tem. Não há nada errado em gostar deles Satine, são sua família.
Eu suspirei novamente, e desta vez, não pude impedir as lagrimas que voltaram á correr.
- Hey garota, pare de chorar pelo amor de Deus! Está me deixando nervoso. Olha, eu não sei o que fazer okay, pare de chorar e vamos dar um jeito em tudo.
Eu não parei. Não podia – quanto mais Jacob me consolava, mais eu chorava. Era como se ele limpasse minha alma.
- Desculpe – eu choraminguei.
- Tudo bem, tudo bem! – disse Jacob, enquanto passava os braços em volta de mim.
Aninhei minha cabeça em seu peito nu, pensando em porque aquele garoto me parecia tão certo. Ali, nos braços de Jacob tudo parecia tão certo. Era como se eu realmente fizesse parte de tudo aquilo. Eu me sentia parte dele. Parte daquela terra tão distante. Jacob era como um elo entre mim e o mundo do qual eu fui tirada, mais de um século atrás.
Ficamos ali, abraçados; Jacob acariciando meu cabelo e eu respirando o cheiro quente e acolhedor de seu peito, e eu deixando que meus pensamentos fluíssem através de nossas ligações. Até que a noite começou a cair.
- Você vai ficar com dor no corpo – eu brinquei.
- Ficaria surpresa de quanto disto – ele olhou para nossos corpos juntos – eu posso suportar.
Por mais que Jacob não falasse dele, eu podia sentir – assim como ele – que as coisas também não estavam fáceis para ele. Jacob estava magoado e triste e de alguma forma, também parecia feliz em ter-me por perto.
- Uma maldição de família, talvez? – eu brinquei.
- Talvez – ele respondeu sorrindo.
Uma lagrima solitária desceu dos meus olhos.
- Obrigado Jake. Foi muito bom você ter vindo.
- Ah não se preocupe, serviço: “lobo Express” em qualquer floresta perto de você!
Eu me soltei dos seus braços e segurei seu rosto entre minhas mãos, tocando meus lábios em seu rosto.
Jacob suspirou, fechando as pálpebras e segurando minhas mãos em seu rosto.
- Não vou deixar que te magoem. Ouviu? Nenhum deles. Eu não vou permitir.
Eu o puxei para mim – uma coisa era certa: eu faria o mesmo por ele.
De repente, Jacob se levantou em sobressalto.
- Sangue-suga na área!
Ele correu para trás das árvores e se foi.
“Estou fora das terras dos lobos, território de sangue-sugas!”.
Eu me apavorei – afinal,quem seria? Demetri? Kate? Eu só rezei para que não fosse nenhum tipo de ameaça – lutar definitivamente não estava em meus planos!
“Não se preocupe” o lobo pensou “Você vai gostar da surpresa!”



Autora: Bia

Capítulo 22 - Laços de Amor (parte II)

Kate me arrastou por todo o caminho. Meu coração havia ficado ali, naquela floresta. Tudo que eu conseguia pensar era que minha vampirinha estava sozinha no meio de um monte de monstros – eu queria protegê-la.
- Deixe de bobagens general! Não entende que não poderá protege-la a vida toda?
- Sim eu posso Katrina. Eu vou!
- Vai o que? Vai protege-la? Vai cuidar dela? Ou vai ama-la como ela merece? Como ela o ama? Não acha que já está na hora de ter uma conversinha com seu mestre?
As palavras de Kate giravam em minha mente e nublavam meus pensamentos – eu queria Satine. Precisava dela. Mas não podia desafiar a confiança de meu mestre. Eu precisava encontrar a maneira certa.
Como se lesse meus pensamentos, Kate continuou.
- Não vai encontrar a maneira certa, Demetri. Não existe formula secreta! Você só precisa falar. Só precisa ser sincero!
Eu engoli em seco – a vampira tinha razão.
- Kate, poderia me fazer um favor?
- Não acha que está abusando um pouco? – ela arqueou as sobrancelhas e me encarou -
Ah okay, vai para a Itália que eu cuido da vampirinha!
Eu sorri.
- Obrigado.
- Não estou fazendo por você!
- Claro!
- E não somos amigos!
- Nunca!
- Ótimo.
Corri o mais rápido que pude, e enquanto corria, escutei as ultimas palavras da vampira se perdendo entre as árvores.
- Boa sorte!
Enquanto passava pela cidade, decidi que - ao contrário do que Katrina pensava – eu sempre cuidaria de minha vampirinha sim!
Parei em frente ao hospital e entrei. Ajeitei minha jaqueta de couro e os óculos, encobrindo meus olhos.
- Onde posso encontrar o Dr. Carlisle Cullen? – eu perguntei, usando minha voz mais provocante.
- No... No... Final do corredor – gaguejou a humana.
Caminhei á passos largos pelo corredor – eu precisava resolver tudo antes que ela chegasse.
Carlisle estava cuidando de um paciente – o garoto estava com a perna ensangüentada e chorando feito louco, a julgar pelo tipo de ferimento, um tombo de alguma moto.
O médico não virou em minha direção, mas eu senti que já percebia minha presença.
- Se veio por causa de Bella general, tem que entender que meu filho precisa de um pouco mais de tempo.
- Poderia me ouvir por um momento Dr Cullen?
Carlisle aspirou o ar pesadamente, como se seus pulmões estivessem cansados de respirar. Ele chamou uma enfermeira e passou algumas coordenadas á ela.
- Me acompanhe Demetri.
Caminhamos por um corredor estreito e cheio de pequenas portas, até chegar á uma delas. Uma que tinha o nome dele na porta.
Carlisle entrou na frente e gesticulou para que eu entrasse em seguida. Ele permaneceu em silêncio, como se esperasse por algo ruim.
- Sei que não tem apreço por minha presença, Carlisle – ele continuou em silêncio – sei que tem seus motivos.
- Os Volturi querem de minha família, general Demetri Volturi?
Eu suspirei profundamente, pensando em como me expressar.
- Os Volturi não querem nada, doutor, eu quero. Um favor pessoal.
- Favor? Meu?
Apoiei contra a mesa, enquanto batia os nós dos dedos sobre a madeira.
- Sim.
Carlisle era um bom homem, eu sabia disso tanto quanto sabia que não merecia favor algum dele. Mesmo assim, eu precisava tentar.
- Alguém virá procura-lo, alguém por quem eu tenho muito... muito... – a palavra não saia – apreço... – foi tudo que eu consegui dizer.
- Sei – continuou Carlisle – e o que espera de mim?
- Nada!
Eu me virei e saí de lá o mais rápido que minha camuflagem humana permitia – não havia o que dizer. Eu não poderia pedir nada á ele. Eu não merecia. O que eu estava pensando quando o procurei? Que ele me diria que sim? Que iria ser gentil com ela? Que a amaria como amava os outros? Que compreendia tudo? Que a deixaria fazer parte da família? Talvez ele fizesse isso, ou talvez nem quisesse olhar nos olhos dela, mas o fato é que não seria com um pedido meu que as coisas mudariam. Carlisle havia deixado os Volturi porque não os suportava, isso não era um segredo. Tudo que eu poderia fazer era abrir meus braços e consola-la, caso o pai não o fizesse.
Corri pela floresta até bem próximo ao aeroporto. Não foi difícil conseguir uma passagem de avião para a Itália – embora eu pudesse perfeitamente nadar até lá, água salgada estragaria minha jaqueta.
Durante a viagem, refiz em minha mente, um milhão de vezes o que diria á mestre Aro. Por mais que tentasse, eu não encontrava as palavras certas. As mais respeitosas. Eu queria que ele tivesse a dimensão do meu amor por Satine. Que compreendesse que ninguém á amaria mais. Nunca.
Chegar ao castelo foi mais rápido que pensei. Atravessei os muros e senti o cheiro de Renata.
Ela estava no canto leste. Sentada sobre muro. Um lugar de onde era possível ver a cidade. Caminhei silenciosamente e dei um salto ao lado dela.
- Quer companhia? – eu perguntei.
- Você quer? – ela me devolveu.
Renata em conhecia o suficiente para que eu não precisasse de rodeios. Então, fui direto ao assunto.
- Vou falar com ele.
- Ótimo! Comecei a pensar que não teria coragem nunca!
- Rennie!
- Hey! É verdade! Vamos combinar que cem anos é muito tempo!
- Ela era uma criança Renata.
- Não nas ultimas décadas!
- Sem graça!
Renata ficou séria de repente e seus olhos eram gentis como nunca.
- Seja sincero meu amigo. Mestre Aro saberá compreender – ela tocou meu peito com a palma aberta – se você mostrar o que tem aqui dentro.
- Não tenho medo dele Renata. Não tenho medo de morrer – eu aspirei o ar com cuidado – eu tenho medo de nunca mais vê-la. De perder seu rosto de minha mente.
- Isso não vai acontecer.
- Como sabe?
- Porque eu vou estar por perto. Vou protege-lo – ela me disse, dando um soquinho com o ombro no meu.
- Ah ótimo! Agora me sinto mais confiante!
A verdade era que eu realmente me sentia melhor. Não que Renata pudesse impedir algo que Aro tentasse contra mim, mas saber que eu podia contar com alguém ali no castelo, era confortador.
Bati na porta dos aposentos privados do mestre e esperei.
- Entre Demetri.
Eu não perguntei como ele sabia que eu estava ali, porque mestre Aro sempre sabia.
- Algo errado com Satine, meu caro general?
- Não senhor mestre. Satine está bem. Ela encontrou as respostas que procurava.
- Imaginei.
Eu permaneci junto á porta, escorado no batente. Não sabia o que dizer.
- Quer me dizer algo Demetri? Estou cansado.
Eu engoli em seco. Aro estava se aproximando e eu sabia o que ele faria. Não havia como fugir mais.
O mestre parou em minha frente e estendeu a mão.
- Quer que eu mesmo veja, ou prefere me dizer?
Eu estendi a mão em direção á Aro. Tudo que eu havia tentado esconder por todos estes anos, ali, ao alcance de seu dom.
- Eu a amo, mestre – foi tudo que eu disse.
Aro segurou minha mão e eu pude perceber que entrava em meus pensamentos, minhas memórias. Revive-las junto á Aro foi ao mesmo tempo doloroso e prazeroso. Eu pude deixar que ele visse tudo que se passava em meu interior. Tudo que eu sentia. Tudo que eu vivi. Coisas das quais eu me envergonhava, coisas das quais eu me orgulhava. Tudo.
O mestre soltou minha mão, ainda em silêncio, e virou-se de costas, caminhando até a janela. Seu manto negro varrendo o chão.
Eu estava em estado de agonia completa.
- Tem algo mais á dizer, general Demetri Volturi?
Eu engoli em seco novamente.
Eu tinha muitas coisas á dizer. Tinha muitas explicações á dar, mas não sabia como. Se Aro havia visto todo o meu ser – e eu sabia que ele podia ver – então, não havia o que explicar. Tudo que eu podia fazer era esperar.
- Não mestre – foi tudo que eu disse.
- Então eu já tenho minha decisão.


Autora: Bia

Capitulo 21 - Laços de Amor (parte I) *** Satine

A sensação do corpo quente e forte de Jacob me abraçando era tão confortável que eu suspirei. De olhos fechadas, entrelaçada nos braços do garoto, eu sentia como se nada pudesse me atingir. Billy continuou.
O bebê crescia rapidamente dentro dela, ela escondia como dava, não queria que ninguém soubesse, não queria prejudicar o jovem médico, caso ele voltasse. Foi quando os sintomas da doença começaram a aparecer nela, lentamente, um espirro, um febre branda. Ela se calou, tinha medo de que se fosse examinada alguém soubesse o que crescia dentro dela, ela não queria perdê-lo, não permitiria. Como ela havia previsto o médico voltou, envergonhado. Ela o consolou, disse que tudo estava bem. Que ela estava feliz, que não se arrependera em nada, que ele havia lhe feito o maior bem. Ele não entendeu, mas aceitou. Elizabeth piorou, acabou morrendo. Antes de morrer ela disse a Marie que o médico iria salvar o filho dela, que iria curá-lo transformando o garoto como ele. Marie pensou que talvez o médico pudesse salvá-la também, e a seu bebê. Mas, se ela congelaria naquele estado, pelo pouco que ela sabia respeito daquelas criaturas, era o que aconteceria se ele a tranformasse, então de que o bebê se alimentaria? Ele morreria. Não! Ela agüentaria, a doença não a levaria antes de ter o bebê. O filho de Elizabeth sumiu, o médico também. Apenas Marrie imaginou o que havia acontecido. Já não era possível esconder a barriga. Marie não sabia o que fazer, embora soubesse que seria a pior solução, voltou para a casa. Pelo menos não precisaria mais se casar. Quando o pai a viu naquele estado, percebeu que algo não estava certo. Pelo tamanho de sua barriga, ela só havia fugido a quatro meses. Ela soube de suas intenções, estava muito fraca para ficar sozinha, a doença chegara a seus pulmões. Quando sentiu que a hora estava próxima Marie chamou o irmão e explicou-lhe o que havia acontecido, que apesar de ser um vampiro, o homem por quem ela havia se apaixonado era diferente, era bom e humano. Explicou-lhe seu plano. Eles fugiram juntos, o menino entendeu, se era importante para ela salvar o bebê, também seria para ele. Além disso, se ele perderia prematuramente a irmã, pelo menos ela deixaria algo para que ele se sentisse perto dela. Foram para uma região em Olympic, uma grande clareira, onde estariam protegidos. Ela havia contado ao irmão que pesquisara tudo que era possivel sobre vampiros, contara a ele seu plano. Uma família na Itália, uma família de vampiros da realeza, e sobre a atração do chefe desses vampiros por talentos especiais. Ela sabia que ele se interessaria por seu bebê, sabia que a única chance do bebê viver era se ele o adotasse, todos na aldeia queriam matá-lo, achavam que ra uma aberração. E o irmão, era muito jovem para ficar com o bebê, morreriam os dois. Além disso ela não sabia do que o pequeno ser precisaria para viver. Era a única esperança. Ela havia pesquisado sabre a lenda de crianças imortais e sabia que esta era a maneira de atraí-los até o bebê. Com lágrimas nos olhos ela mandou a carta. Três dias depois, você nasceu
Assim que você nasceu, ela a segurou em seus braços e a beijou. Era linda, uma linda menina, um bebê perfeito, coradinha e sorridente. Todo o sofrimento havia sido compensado, apenas por aquele pequeno espaço de tempo em que ela teve você em seus braços. Ela morreu algumas horas após seu nascimento, tranquila, apenas fechando os olhos, como quem se entrega ao inevitável. O pequeno Ephain escondeu o corpo da irmã, arrumou você no cesto e esperou escondido na floresta que os vampiros viessem pegá-la.
Meus pensamentos se foram para Demetri. Para o dia em que ele me encontrou. Para a maneira como tudo se deu.
Demetri havia sido tão corajoso. Havia assumido uma responsabilidade que não era dele. Com um bebê que não era dele. Havia me amado e cuidado de mim.
Pensei em Aro. Pensei em como ele havia sido bom para mim. Em como havia me dado carinho, afeto. Graças aqueles vampiros que todos odiavam tanto, eu havia me tornado essa pessoa.
Naquele momento, eu jurei para mim mesma que nunca esqueceria quem eu era. Jurei que nunca esqueceria que eu era uma Volturi. E que nunca abandonaria meu pai de verdade, Aro. Eu nunca o deixaria.
Como se pudesse ler meus pensamentos – o que, naquele momento, não me espantaria em nada – Jacob deslizou a mão em meu cabelo, brincando com uma mexa. O garoto não disse uma palavra, mas em nossa conexão eu podia sentir que ele não me recriminava. Podia sentir que ele entendia. Que aceitava.
Billy continuou.
- Assim que eles a levaram ele voltou para a casa e revelou que mãe e filha haviam sido mortas por um bando de vampiros, o corpo coberto de sangue da Marie não deixou dívidas. A história se calou. Até que Ephain se tornou chefe. Ele tentou desesperadamente procurá-la, em vão. Quando enfim um vampiro diferente dos outros o procurou, para selar um acordo de paz, ele viu a única esperança em encontrá-la. Embora todos na reserva tenham desaprovado a proximidade com nossos inimigos, apenas ele sabia da verdade, da realidade daquele acordo. Ele pensava que era o mesmo vampiro, pelas descrições da irmã era sem dúvida, ou quem sabe pelo menos ele o conhecesse, fossem parentes, ou amigos. Quem sabe a criança não estivesse com o pai, e mesmo que não, talvez o procurasse um dia. Se você procurasse por ele, ou ele por você, nós saberíamos. Embora Ephrain Black apostasse todas as suas fichas nesse encontro, nunca aconteceu. Meu pai morreu achando que você havia morrido, se culpando por tê-la entregue aqueles vampiros, por não ter tentado aos menos, ficar com você. Ele me contou esta história, por precaução, caso alguém descobrisse algo sobre você. Ainda bem. Graças a ele, você está aqui
Quando a história terminou, todos permaneceram em silêncio. Jacob me soltou um pouco e, embora eu estivesse muito confortável em seus braços, sabia que precisava ir. Eu não conseguia assimilar tudo em minha mente e eu não sabia o que fazer.
Billy estendeu os braços para mim e eu segurei suas mãos.
- Vai levar tempo, querida. Nós sabemos.
Eu apenas assenti.
Meus pés pareciam que estavam colados ao chão, embora eu quisesse desesperadamente sair correndo para fora. Eu não pude. Demoraram minutos que pareceram horas para que o primeiro pé conseguisse virar-se em direção á porta. Eu fui.
Sem dizer adeus á ninguém e nem mesmo agradecer eu caminhei pela floresta sem rumo algum. Eu não sabia quem queria encontrar, ou o que queria fazer. Tudo que eu sabia era que precisava chorar.
Assim que me vi á uma distância razoável da reserva, peguei o telefone do bolso e disquei. Não demorou muito – como nunca havia demorado – para que alguém atendesse do outro lado da linha.
- Rennie eu preciso falar com meu pai.
Renata não me perguntou nada e não fez comentário algum sobre eu estar ou não aos prantos. Ela apenas assentiu.
- Bambina! Come stai? Estamos com saudades!
O som musical da voz do meu pai fez com que um bolo se formasse em minha garganta – eu não conseguia responder.
Embora não pudesse ver nada sobre mim com seu dom, Aro me conhecia tão bem que eu tive certeza de que ele sabia que eu estava chorando.
- Ti amo papà – foi tudo que saiu de minha boca.
- Ti amo troppo bambina mia.
Eu chorei mais.
Aro respirou profundamente, como se ainda precisasse do ar em seus pulmões.
- Não sei o que está acontecendo minha amada filha. Não faz diferença. Apenas siga seu coração. Eu confio que fará a coisa certa.
Quando desliguei o telefone, eu sabia exatamente onde deveria ir.
Caminhei á passos lentos pela cidade – embora eu não estivesse cansada, andar parecia mais difícil do que nunca.
Era noite ainda, embora a fraca luz do dia começasse á romper o horizonte. Não havia pessoas na rua. A cidade toda estava tão deserta que me lembrava uma cidade fantasma. Era o que eu me sentia também – um fantasma. Um fantasma de mim mesma, sem reações, sem sensações. Eu sentia como se toda a história da minha vida, tivesse apagado quem eu pensava ser.
Não demorou muito para que eu chegasse em frente á construção de concreto. Era simples e pequeno – diferente demais de tudo que eu estava acostumada. O hospital. O hospital em que eu poderia encontrar meu pai.
Pai – Parecia tão doloroso dizer essa palavra á outra pessoa. Aro era meu pai! Aro era meu pai! Então porque eu sentia tanta necessidade de encontrar novamente aqueles olhos de ouro liquido?
Entrei no hospital e me dirigi á atendente.
- Eu preciso ver o Dr Carlisle – esse era o nome que Kate havia falado tantas vezes. O nome do meu pai.
A garota não demorou muito á me mostrar um corredor largo que terminava na emergência. Ela não perguntou nada, não quis saber de nada. Enquanto andava pelo corredor, me escorando nas paredes, eu percebi porque – minha roupa estava suja e rasgada e eu estava despenteada e com cara de quem teria uma “síncope” a qualquer minuto.
Minhas mãos pararam na porta – a sala estava vazia.
Eu quis chorar. Quis me sentar no chão e chorar como se fosse um bebê. Eu quis o colo de Demetri e quis que ele me levasse de volta para casa. Quis estar segura e protegida pelos muros de Volterra. Quis ser novamente a princesinha dos vampiros e não sofrer. Mas eu não fiz nada. Não fui embora, não me sentei, nem mesmo chorei. Porque tudo que eu queria na verdade, era que ele estivesse ali. Tudo que eu queria era encontrar meu pai.


Autora: Bia

Capitulo 20 - Minha História ***Satine

Eu estendi minha mão, e agarrei a imensa e quente mão de Sam. De todos os garotos que foram aparecendo em minha frente e caminhando junto conosco pela floresta, o lobo vermelho era o que me olhava com mais estranheza. Ele parecia esperar que á qualquer momento eu correria para a frente e me lançaria no pescoço de algum deles. Eu não faria isso, mas não podia culpá-lo. Em minha vida eu havia aprendido que vampiros não eram confiáveis. Eu havia visto muitas coisas ruins acontecerem e ele certamente também.
Deixei que Sam me conduzisse porque, por alguma razão, me parecia o certo. Algo em mim gritava que ele era o líder e que eu podia confiar nele.
Chegamos á uma pequena cabana na floresta. Uma casinha de madeira toda enfeitada com flores e um canteiro de ervas aromáticas – me fazia lembrar as histórias que Marcus lia para mim, quando eu era pequena.
Sam me conduziu para dentro da casa. Meu coração estava acelerado e eu tentava me manter o mais calma possível. Ele me pediu que sentasse e deslizou as mãos em meus ombros.
- Pode ficar tranqüila, Satine. Nenhum de nós faria mal á você – e então ele completou a frase de uma maneira que encheu meu coração de felicidade – você faz parte desta família.
Eu suspirei profundamente, mas não respondi nada. Não sabia o que dizer.
Uma moça morena, de cabelos lisos e longos e profundamente negros entrou na sala.
- Oi. Eu sou Emilly – ela me disse.
Emilly tinha um sorriso doce e um rosto seguro, embora fosse marcado por algo que provavelmente, ela não gostasse de se lembrar. Eu não perguntei nada. Eu sabia exatamente como era difícil falar do passado.
A garota se sentou na cadeira ao meu lado, Sam fez sinal para que os outros saíssem. Ficamos apenas nós três, na grande cozinha.
- Satine, Emilly ficará aqui com você. Eu vou buscar alguém que pode explicar á você tudo que quiser saber sobre o seu passado.
Eu engoli em seco – então eu realmente descobriria tudo hoje.
Assenti com a cabeça e Sam saiu pela porta.
- Está com fome? Ou sede? - Emilly me perguntou.
Eu neguei com a cabeça e deixei meus olhos baixarem, analisando o padrão da madeira da mesa.
- Você come? Quero dizer, come como nós?
Emilly ficou tão sem graça com a própria pergunta que me fez sorrir. Eu não tinha problemas com minha natureza vampira, nem me sentia mal por me alimentar de sangue, humano ou não. Aro me dizia que eu não me sentia culpada porque nunca havia matado ninguém. Algo que eu não sabia o que, me fazia ser mais controlada do que os outros vampiros e menos venenosa. Eu nunca transformei Filomena, nunca transformei ninguém. Eu não poderia, meu sangue vampiro não era puro.
Olhei nos olhos de Emilly ainda sorrindo.
- Obrigado pela comida, eu estou nervosa demais para isso, mas aceito um copo de água. E sim, eu me alimento. Comida humana é necessária para mim tanto quanto sangue é.
Emilly arregalou os olhos.
- Não se preocupe, eu me alimento de animais.
Agora ela estava totalmente vermelha e envergonhada.
Eu estendi minha mão e segurei a dela.
- Não se preocupe, eu imagino o que pensa á respeito dos vampiros. Acredite, eu já vi esse olhar muitas vezes.
Emilly sorriu.
- Acho que Sam tem razão. Você só pode mesmo ser a criança.
- Que criança? – eu perguntei.
- É uma longa história Satine, logo você saberá.
Algum tempo depois, Sam entrou. Junto dele estava um velho índio em uma cadeira de rodas e o lobo vermelho. Eu não disse nada. O velho índio me analisou de todos os ângulos possíveis e então olhou para Sam.
- Tem certeza que é ela?
- Eu a vi na floresta, Billy. Se você tivesse visto como ela se comportou, não teria dúvidas. Além disso, ela nos ouve. Está conectada conosco. Eu posso ouvi-la também.
Sam olhou para o lobo vermelho.
- Não é Jake? Diga á seu pai. Diga que sentiu a conexão com Satine como eu senti.
O garoto me encarou mais um pouco. Depois de algum tempo, estendeu a mão para mim. Eu a segurei. Era tão estranho como eu queria tocá-lo. Era como se eu precisasse, como se ele fosse uma parte de mim. A conexão que existia entre nós dois era absurdamente forte. Eu podia sentir dentro de mim, eu sentia com cada um dos meus músculos que ele pensava o mesmo.
- Como consegue? – o lobo vermelho me perguntou – é seu poder especial? É isso que é? Como aquele sanguessuga que lê mentes? Ou como a baixinha que vê o futuro?
Eu não tive tempo de responder. O índio mais velho colocou a mão sobre as nossas entrelaçadas e sorriu.
- Não Jake. Satine não tem poderes especiais. Ela é como você.
Nossos olhares se cruzaram com estranheza.
- Ela não é como eu! Ela é uma sanguessuga! – o garoto resmungou.
- Ela é uma mestiça, é meio sanguessuga.
Eu ia começar a dizer algo como “essa parte eu já sei”, quando o velho índio continuou.
- Metade dela, é como você.
Ôpa! Agora eu é que não estava entendendo nada.
- Hey, eu não sou um Lycan!
- Não seja boba! Nós não somos lycans – o garoto resmungou de novo – somos transmutadores.
- Ah que ótimo, isso é mesmo muito diferente!
- Vindo de uma sanguessuga!
- Não me chame de sanguessuga, garoto insolente!
Antes que o garoto respondesse, a risada do velho índio interrompeu nossa discussão.
- Vêem? São mais parecidos do que querem admitir!
Só então eu percebi que apesar da discussão, nossas mãos continuavam entrelaçadas.
- Me solte!
- Eu não estou te segurando.
- Garoto bobo!
Eu me sentei novamente e o garoto sentou-se na cadeira em frente á minha.
- Me diga o que sabe sobre mim, senhor. Por favor – eu pedi ao velho índio.
- Claro minha querida. Eu vou dizer. Vou dizer tudo que você quer saber e vou dizer algumas coisas que você nem imagina. Coisas que ninguém imagina, nem mesmo seu pai.
- Você o conhece?
- Sim, eu conheço.
Meu coração estava ainda mais acelerado.
- Então me conte.
- Em primeiro lugar, eu me chamo Billy Black e este – ele apontou para o lobo vermelho – é meio filho mal educado, Jacob Black. Acho que já conheceu Sam e Emilly, certo?
- Sim, eu já os conheci.
- Satine, queremos que se sinta á vontade em nossa reserva, você faz parte de tudo isto aqui.
- Obrigado.
Eu respondi e meus olhos se perderam na madeira novamente. Ser parte de algo era muito importante para mim.
- Tudo começou muitos anos atrás, com uma bela história de amor proibido – continuou Billy.
Eu me ajeitei na cadeira e fiquei ouvindo.
- Marie Black era uma moça muito bonita, mas era também muito inteligente. Seu pai preferiu fazer uso de sua beleza, ao invés da inteligência, e arranjou um casamento para ela, com um guerreiro da tribo. Um homem que ela repudiava. Ela tentou desesperadamente convencê-lo de que ela não o amava, e que não amaria nunca, ele não quis saber. A única solução que a jovem Marie encontrou, foi fugir. Ela tinha um irmão mais novo, meu pai. Ephain Black. Ao despedir-se dele, com a noite alta, ela prometeu que voltaria para buscá-lo, os dois eram como mãe e filho ela o amava demais, e o criara desde a morte da mãe, quando ele nasceu. Com uma pequena sacola nas mãos, ela foi tentar a vida em Chicago. Foi uma atitude extremista, não era fácil para uma moça daquela época viver sozinha. Ainda mais uma moça indígena, que não havia visto nada além de floresta, por toda a sua vida. A vida de Marie em Chicago foi cheia de dificuldades, desde passar fome, até dormir na rua, mas ela agüentou firme, trabalhou duro. Comprou roupas de brancos, sapatos, cortou o cabelo. Nem parecia mais a mesma indiazinha que havia abandonado a aldeia. Durante a epidemia de gripe espanhola, Marie conseguiu emprego em um hospital. Precisavam tanto de mão de obra que nem se importaram que ela não fosse realmente enfermeira. Foi quando ela conheceu o Dr Carlisle Cullen, Seu pai. E se apaixonou.
Marie Black. Minha mãe! Ele sabia quem era, sabia de verdade! Eu sentia como se borboletas desesperadas quisessem sair pelo meu tubo digestivo.
- Marie se apaixonou rapidamente pelo belo Médico que chefiava o hospital. Ele, no entanto, demorou um pouco mais para notá-la, graças a sua persistência e boa vontade para com os doentes. Ele enfim percebeu, e começou a nascer uma grande amizade, claro que Marie desejava mais, ela não compreendia como ele era diferente, tão cuidadoso e gentil, a cada dia ela estava mais apaixonada. Longe da família, longe dos amigos, de seu povo, sua história, tudo parecia ainda maior e ela o convidou para ir até o pequeno quarto que ela alugara para viver. Os dois conversaram muito e se divertiram, era como se o Médico se esquecesse um pouco o horror da doença, na companhia de Marie, ela por sua vez, se sentia renovada com as visitas dele. Assim se passaram algumas semanas. Ela apaixonada, ele começando a vislumbrar nela, mais que uma amiga.
Eu fechei meus olhos e deixei que minha mente me levasse á outros tempos. Eu havia vivido em uma época parecida e também havia sofrido tanto por amor. Billy continuou.
- Em uma tarde de verão, durante uma das visitas do médico a Marie, ele a beijou. Ela nem podia creditar, claro que havia algo diferente naquele homem, frio, como gelo. Mas ela não se importava, ela o amava e o queria ainda mais agora. O tempo passou, os beijou já não eram suficientes, até que aconteceu o inevitável. Quando ela acordou, ele não estava mais á seu lado, havia ido embora. Ela chegou a procurá-lo no hospital, sem sucesso. Ela entendeu, ele não a amava. Nunca prometera a ela um futuro juntos, ele sempre fora sincero e ela não se arrependia do que havia acontecido, ela o amava e isso bastava. Mesmo assim, a curiosidade sobre quem ele era a estava mordendo devagar, ela começou a pesquisar, claro que ela sabia de suas diferenças, sabia que não se tratava de um humano comum, mas para ela, assim como para nós, o comum nunca fora uma escolha. Enquanto tratava de uma paciente, Elizabeth, ela desabafou, contou a gentil mulher que a razão de sua tristeza não era ter sido abandonada, mas não saber por quem havia se apaixonado. Para sua surpresa, a mulher era ainda mais perspicaz e já havia notado sinais maiores de suas diferenças. Foi quando ela concluiu. Ele era um vampiro. Ela não podia acreditar, um vampiro, justo com ela, com ela não poderia, não um vampiro. Antes que ela pudesse se recompor daquela terrível história de amor a qual se entregara, as coisas pioraram ainda mais, sua barriga já dava sinais, seus seios também. Ela estava grávida, do vampiro. O que ela faria, será que sobreviveria. Ela sabia que também não era simplesmente humana, conhecia nossas lendas, embora não soubéssemos da veracidade delas. Ela acreditava. Acreditava também que conseguiria ter aquela criança. Ela já o amava, seu bebê. Mesmo sendo filho de um vampiro, era seu bebê.
Nessa parte da história, eu não pude mais controlar. Uma pequena lágrima rolou quente e espessa na pele morna do meu rosto. Os sentimentos fluíam em minha mente tão rápido que eu não encontrava nexo na maioria deles – estar ali, ouvindo minha própria história era tão surreal.
Uma a uma as lágrimas desceram mais rápido, até que a primeira pingou na mesa. Eu não tive tempo para reações, apenas senti. Senti um par de braços quentes e fortes me segurando e um peito largo e carinhoso me aninhando nele. Deixei minha cabeça cair, empapando sua camiseta branca com minhas lágrimas. Aspirei o ar cuidadosamente. O mesmo cheiro de pinho e floresta. Um cheiro limpo e agradável. O lobo vermelho. Ele estava me abraçando, me aninhando em seus braços. Com meus olhos fechados eu podia sentir a conexão que tínhamos. Era tão forte, como se fossemos parte um do outro. Eu sentia os sentimentos dele em relação aos meus. Meus desesperos, minhas duvidas, tudo estava nele.
Naquele momento, abraçada a alguém que eu nem mesmo conhecia e que mesmo assim fazia parte de mim, eu percebi o quanto a vida nos surpreende. Enfim, eu havia sido apresentada a história da minha vida.
Duas metades. Duas partes de algo tão diferente e tão igual.
Ali, nos braços de Jacob Black, o lobo vermelho, eu percebi que a vida ainda me reservava muitas surpresas.


Autora: Bia

Capitulo 19 - De Frente com o Passado ***Satine

Os tremores eram insuportáveis. Eu sentia como se meus ossos estivessem estalando um a um e minha pele pinicava absurdamente.
Eu fiquei ali, encarando o garoto moreno e pensando em como ele podia ser tão burro – e louco, diga-se de passagem!
Controle-se! Controle-se! Era tudo que eu conseguia gritar para a minha mente – matar um humano tão perto da casa do meu pai não estava em meus planos.
Demetri estava logo atrás de mim e a julgar pelo quão bem eu o conhecia, ele estava se preparando para atacar.
- Você não tem idéia do que eu sou! – o garoto metido rosnou.
- Idem! – eu continuei encarando.
Meus olhos percorreram toda a extensão do seu grande corpo e eu percebi que ele tremia, tanto quanto eu. Seus músculos estavam retesados e as mãos fechadas em punho – de repente, eu comecei a acha-lo mais parecido comigo do que eu gostaria.
O garoto ainda me olhava. Seus olhos escuros eram de tanta incredulidade quanto os meus. Eu o vi vasculhar-me com os olhos, em busca das mesmas respostas que eu queria. Nada. Éramos como uma página em branco, um para o outro.
Ele aspirou o ar com cuidado, como se quisesse confirmar alguma suspeita. Eu fiz a mesma coisa. Ele cheirava estranho, não era como um humano. Ele cheirava como floresta e chuva e terra. Um cheiro limpo de carvalho e folhas de pinho. Bom. Era um cheiro bom. Ele apertou os olhos e me cheirou mais de perto. A temperatura de seu corpo era tão alta que eu podia sentir em minha pele. Não era humano, sem dúvida ele não era humano.
- Quem é você? – ele exigiu.
- Sou Satine Volturi – eu respondi.
- O que faz aqui, sanguessuga? E não pense que pode me enganar com essas lentes.
- Lentes? Eu não uso lentes, garoto insolente! E não fale comigo assim.
- O que faz em minhas terras, sanguessuga? – o garoto exigiu.
Nesse momento, eu estava bem irritada!
- Suas terras? Suas terras? - Eu repeti, tocando meu dedo em seu peito - Não vejo seu nome escrito em lugar algum! E não me chame de sanguessuga!
Num movimento rápido, ele segurou minha mão. Seu toque era intenso e estranho. Quente! Muito quente. Minha cabeça estava confusa. Ao mesmo tempo que eu sentia que não devia permitir que me tocasse, eu queria. Seu toque quente contra minha pele parecia tão certo, tão natural.
O que é você? O que é você? – a voz que ressoava em minha mente não era minha.
Fique calmo Jake! Fique calmo Jake! – Outra voz que não era minha se enrolou a primeira e outras se seguiram. Minha cabeça estava um nó. Seu toque forte e quente e aquelas vozes. Aquelas vozes estranhas e tão familiares, vozes que se misturavam com meus próprios pensamentos. Meus joelhos cederam. Ao invés de me soltar o garoto estendeu o braço e me segurou.
- O que fez com ela? – a voz doce de Demetri quebrou a conexão com o garoto e as vozes.
Demetri se aproximou tão rápido que eu nem pude sentir. Só soube que era ele, quando senti a frieza de sua pele dura contra a minha.
Ele golpeou o garoto no peito e eu o vi cair para trás. Eu sentia um misto de alegria e tristeza, porque de alguma maneira, eu não queria que ninguém machucasse o garoto, mas eu temia por Demetri.
Meus olhos estavam perdidos na briga, enquanto meu corpo tentava se recuperar o suficiente para permanecer de pé. Kate me ajudou. Ela me envolveu com seus braços e me sustentou. Os tremores aumentando e minha temperatura subindo, o suor escorrendo por minha face. Eu não sabia o que fazer.
Então, o impossível aconteceu – o garoto deu um passo para trás e por alguma razão desconhecida, eu soube o aconteceria. Meus instintos se refizeram no exato momento em que o lobo avermelhado pulou para á frente, quase abocanhando Demetri. Eu me lancei no ar e parei com os olhos colados nos do lobo. Meus olhos eram estreitos como fendas e minhas mãos pareciam garras. Eu sentia uma fúria tão incontrolável dentro de mim que poderia fazer qualquer coisa. Não era mais eu. Eu não tinha mais controle algum sobre aquela besta que tomava o controle do meu corpo.
Um rosnado gutural cortou o vento na floresta. Meu rosnado. Como um animal. O lobo não desviou dos meus olhos, nem eu dos dele. Estávamos ali, frente a frente, preparados para matar - ou morrer - por quem amávamos.
Um filho da lua. Ele era um filho da lua. Por isso não cheirava como humano. O mais curioso é que eu sempre soube que filhos da lua cheiravam mal. Ele cheirava bem. Eu gostava de sentir seu hálito fresco contra minha pele. Quente. De alguma maneira, o calor dele intensificava o meu. Eu estava agora, tão quente quanto ele. Minha pele ardia.
- Não toque nele! – eu adverti, empurrando Demetri mais para longe.
Demetri apenas obedeceu, em nenhum momento tentou lutar contra mim – o que me fez pensar que eu estava mesmo diferente.
Seus olhos! Seus olhos! – aquela voz estranha ressoou em minha mente novamente. Junto dela, as outras começaram a entrar, fundindo-se com meus próprios pensamentos. Era como se várias pessoas invadissem minha mente. Eu fraquejei novamente. O lobo me encarou mais forte.
O que é você? – a frase voltou, uma vez mais.
Eu gostaria de saber – eu pensei.
O lobo se afastou. Em seguida aproximou-se mais, rosnando. Eu estava preparada para lutar com ele. Eu estava totalmente pronta e sabia que seria um briga boa, quando ouvi a voz. Era a mesma da minha mente, uma delas, a mais mansa e a que mais emanava autoridade.
- Jake pare!
A voz era forte e decidida e eu sabia que não estava em minha mente.
O garoto pareceu lutar com a ordem, por mais suave que ela fosse, ainda era uma ordem direta. Era tão direta, que eu podia sentir em mim mesma a autoridade da voz.
O outro garoto saiu de traz das árvores. Um pouco mais velho que o lobo vermelho, seus olhos eram benevolentes e controlados. Ele se aproximou mais e parou a alguns metros.
- Afaste-se dela, Jacob Black. Agora!
Black! Black! – o nome soou como sinos em minha cabeça.
O lobo vermelho se afastou um pouco e olhou o outro garoto.
Ela não é nossa inimiga – a voz do garoto mais velho ecoou em minha mente novamente.
Demetri e Kate permaneceram afastados, observando a cena, como se não fizessem parte da reunião.
O garoto mais velho se aproximou mais e parou em minha frente.
- Eu sou Samuel Uley, mas pode me chamar de Sam.
Eu não entendia porque, mas sabia que podia confiar naquela mão grande e quente estendida diante de mim. Eu a segurei.
- Sou Satine Volturi.
Quando ele me tocou, senti a intensidade da conexão, embora ainda assim, fosse mais fraca do que com o lobo vermelho.
- Black? Você o chamou de Black? – eu não pude conter a pergunta.
- Sim, o nome dele é Jacob Black.
Demetri caminhou a passos lentos, mostrando que não queria brigar. Suas mãos protetoras tocaram meu ombro e eu relaxei mais. Aos poucos, fui tomando conta do meu corpo novamente, retornando a minha temperatura.
Sam não pareceu se incomodar com a presença de Demetri. Ele não estendeu a mão para Demetri, mas fez um pequeno aceno de cabeça, que Demetri repetiu.
- Então foram vocês que acolheram nossa criança.
Sam pareceu mais confirmar uma suspeita, do que fazer uma pergunta. Demetri assentiu.
- Eu a resgatei.
As palavras “nossa” e “criança” girava em minha cabeça – eu não era como eles! Não era uma filha da lua! Eu era uma vampira! Isso! Eu era uma vampira.
- Eu sou uma vampira! – as palavras escaparam da minha boca.
Sam olhou carinhosamente para mim.
- Eu sei exatamente o que você é, Satine.
Eu engoli em seco – pelo menos alguém sabe o que eu sou!
- Sei que tem respostas a dar para ela – Demetri falou.
- Sim, eu tenho – Sam respondeu.
- Ótimo! Porque eu preciso de respostas também!
A voz presunçosa do garoto mais jovem ecoou dos pinheiros. Logo depois, ele saiu, ajeitando uma bermuda velha na cintura.
- Conversaremos em casa, Jake.
- Ela vai para casa conosco? – ele perguntou, apontando o dedo para mim – o que me irritou bastante.
- Ela é uma de nós, Jacob. Portanto, vai conosco.
O garoto resmungou um pouco, mas não discutiu. Demetri intensificou o toque. Sam olhou para ele e respondeu calmamente.
- Apenas ela, vampiro.
- Eu não vou deixa-la.
Sam colocou a mão sobre o ombro de Demetri.
- Somos muito gratos pelo que fizeram por ela, mas sabe que não podemos permitir que vampiros fiquem em nossas terras.
Demetri não retirou a mão de Sam, mas não retirou a mão do meu ombro também. Kate se aproximou e o segurou pela mão.
- Ela precisa, Demetri. Precisa ir com ele.
Ele não respondeu.
- Sabe que não vamos machuca-la, vampiro. Sabe que ela é parte nossa – Sam insistiu.
Demetri olhou em meus olhos com todo o amor que eu conhecia. Eu entendia que ele não gostava da idéia de me deixar sozinha com um bando de lobos, mas eu via em seus olhos que ele compreendia minhas necessidades.
Depois de um século de dúvidas e perguntas sem respostas, eu estava ali, frente a frente com uma parte desconhecida do meu passado. Frente a frente com algo que mudaria meu futuro. Eu olhei de Demetri para Sam e dele para o garoto mais jovem. Dúvidas. Ele tinha tantas dúvidas quanto eu. Eu não precisava olhar em seus olhos para saber seus sentimentos – eu os sentia. Eu os sentia em minha própria carne, como se fossem meus também.
Sam sorriu levemente, e segurou minha mão.
- Vem conosco, Satine Volturi. Vem conhecer seus irmãos.
Deixei meu olhar encontrar o chão. Irmãos! – algo com o que eu sonhei a vida toda.
Uma parte de mim queria agarrar a mão de Sam e ouvir as respostas. Outra parte tinha medo. Eu me sentia como “Alice no País das Maravilhas”, esperando para tomar a pílula. E pensando justamente em Alice, eu tinha medo do que encontraria do outro lado. Olhei para Demetri uma vez mais. Eu o amava. Eu o queria em minha vida para sempre. Será que ele continuaria pensando o mesmo? Será que mesmo depois de ver a besta que rugia dentro de mim, ele ainda me amaria? Eu não tinha as respostas. Como sempre em minha vida, as perguntas eram muito mais numerosas. A única coisa certa para mim, naquele momento, era que eu teria que arriscar.
Lobos e vampiros, rivais. Tão rivais que eu não sabia como exigir que Demetri estivesse comigo. Ele sabia disso também. Por mais vampira que eu me sentisse, naquele momento, naquela floresta, eu sentia como se fizesse parte de algo maior. Eu não me sentia mais a princesinha vampira do castelo da Itália. Ali, eu era parte da floresta. Parte daquela gente tão diferente de mim, mas que ainda assim estavam atados a mim, as minhas memórias e pensamentos. Eu os sentia muito mais que em minha mente, eu os sentia em meu coração.


Autora: Bia

capitulo 18 - Rumo ao Destino Inevitáve

Eu ás vezes me pergunto como as pessoas podem ainda pensar em fugir ao próprio destino? Se existe uma coisa que eu aprendi nesses séculos de vida, foi exatamente o contrário – os últimos acontecimentos da minha vida estão aí para comprovar.
Eu não sou um homem cético, mas tampouco Posso dizer que tenho uma religião. Essas coisas de igreja e tudo mais, não funcionam para alguém como eu. Ainda assim, eu tenho fé, e acredito no destino. O que eu não imaginava era que o destino pudesse pregar uma peça tão grande assim.
Eu estava no quarto de hotel, folheando a tal lista telefônica, quando a campainha tocou. Aspirei o ar com cuidado.
- Entre.
Kate entrou.
Andou pelo quarto, olhando debochada em minha direção. Eu continuei ali, olhando a lista.
- Você não fica preocupado não? Já pensou se alguém entra e te pega aí, com esse peito brilhante e esses olhos vermelhos?
Fechei a lista produzindo um baque surto que a fez pular.
- Primeiro – eu disse me levantando e ajeitando o cabelo com as mãos – eu tenho certeza de que qualquer uma adoraria me ver sem camisa. Segundo, eu sabia que era você, Katrina, senti o seu cheiro.
- Onde ela está?
- Saiu.
- Ótimo! Preciso mesmo conversar com você.
Eu sorri.
- Eu sempre soube que tinha uma quedinha por mim, Katrina, sempre soube. – eu disse fazendo piada.
- Não seja ridículo general! Eu tenho bom gosto.
- E você saiu do Alaska para vir até aqui só para deixar claro que não se interessa por mim.
- Há, há! Muito engraçado!
- O que quer Katrina?
- É Kate! E Carlisle está de volta.
- Como?
- Carlisle! Carlisle está de volta! Ele voltou para Forks com a família toda.
- Isso vai ser um problema.
- É por isso que eu vim lhe avisar. Não quero que ela se magoe.
Eu sorri.
- Obrigado Kate. Por se preocupar com ela.
Kate fez uma careta e mostrou a língua para mim, mas eu sabia já não me odiava tanto assim. Estendi a mão para ela, ela a segurou por um longo tempo. Era estranho estar com ela. Depois de tanto tempo, olhar e ver a garota que ela era de verdade. Doce e honesta.
No instante seguinte a porta se abriu e Satine entrou. Seus olhos focaram Kate no mesmo instante e nossas mãos dadas, em seguida passaram para mim. Ela esquadrinhou meu peito nu com os olhos e seus lábios se retorceram. Eu não sabia se ficava feliz, ou preocupado. Satine era ciumenta ao extremo e eu já havia visto mostras de como ela poderia ficar se fosse irritada.
Ela caminhou com graça e leveza até Kate e a abraçou levemente, cumprimentando-a. Em seguida virou-se para mim e eu pude ver o fogo de seus olhos. Satine apertava tantos as mãos que os nós dos dedos estavam brancos. Ela cerrou os dentes e entrou no banheiro. Em seguida o chuveiro foi aberto.
- Anda logo, vai lá! – Kate falou.
- Não é apropriado.
- Não seja bobo, general! Aro não está aqui. Anda, vai ver se a garota está bem.
Abri a porta do banheiro e a encontrei debaixo do chuveiro. Não havia vapor, o que indicava água gelada. Satine estava ainda com a roupa, debaixo do chuveiro, com os olhos fechados e as mãos ainda em punho. Ela tremia como se não fosse suportar. Como se algo quisesse sair de dentro dela. Eu corri para ela.
- Baby!
- Não me toque Demetri. Vá embora!
- Eu não vou deixa-la assim.
- Eu vou ficar bem. Além disso, Kate está lá fora. Ela não é filha do seu mestre então acho que tudo bem, não é?
- Não seja boba Satine. Eu já lhe disse.
Ela me interrompeu.
- Que ela te odeia? Sim! Você já me disse! Engraçado que não me pareceu ódio, quando eu os vi de mãos dadas.
- Baby não é nada disso.
Eu a segurei em meus braços, mesmo quando ela lutou contra. Suas unhas arranhavam a minha carne e ela se debatia contra meu abraço.
- Me solte!
- Eu não vou te soltar.
Eu a puxei mais perto e a sujeitei pela cintura. Os sentimentos entre nós eram um misto de querer e não poder e desejar. E temer e querer de novo. Eu não agüentei. Minha boca encontrou a dela e eu a beijei. Um beijo imenso e profundo e faminto. Eu sentia como se a loucura dela passasse para mim e eu não me controlava mais. Eu já não sabia se tinha que acalmá-la, ou me acalmar.
Enquanto eu a beijava, Satine deslizou a mão em meu peito, arranhando levemente o caminho até minha calça jeans. Seus dedos pararam sobre o botão e eu ofeguei. Tudo que eu queria era o seu toque. Tudo que eu queria era sentir o toque quente e suave de seus dedos em minha carne. Ela soltou o botão e deslizou um pouco do zíper.
- Faça – eu a encorajei - É isso que quer baby?
Ela olhou em direção ao zíper, como os olhos ardendo de desejo e luxúria. Meu corpo se enrijeceu mais.
- Você quer me tocar assim?
Ela assentiu, e voltou os lábios para os meus.
Sua mão se foi mais baixa, por dentro do jeans.
- Então faça.
As palavras agora eram como grunhidos em minha boca, deslizando junto aos gemidos que o toque dela me provocava. Recostei na parede de azulejos e a puxei para mim. Enquanto ela me tocava e acariciava, eu sentia o mundo girar em torno de mim.
- Eu te amo baby – eu sussurrei.
- Mais alto, Demetri. Eu quero ouvir mais alto!
- Ah! Eu te amo baby. Eu te amo muito – eu grunhi.
- Ama mesmo?
- Sim. Você me enlouquece, baby, me tira o rumo.
Quanto mais eu gemia, mas Satine aumentava o ritmo. Quando eu não pude mais agüentar, ela me abraçou mais forte, descansando minha cabeça em seu ombro.
Eu podia senti-la sorrindo.
- Está satisfeita – eu sussurrei em seu ouvido – agora que sabe o que consegue fazer comigo?
- Muito. E você general, está satisfeito?
Deslizei minhas mãos em seus seios, descendo até a barriga, e um pouco mais baixo.
- Não tanto quanto vou ficar quando você for minha de verdade.
Satine sorriu mais.
- Kate deve ter ouvido.
- Como se eu me importasse.
Quando saí do banheiro, depois de efetivamente tomar banho, Kate não estava no quarto – o que não era de se admirar. Olhei pela janela e a vi sentada em frente ao hotel. Satine ainda estava se vestindo, então achei que deveria sair e chamá-la para dentro novamente.
- Katrina? Entre!
- Já terminou a festinha, general?
- Eu não fiz nada que não nunca tenha feito, Katrina. Tenho certeza. Agora entre que precisamos contar a Satine sobre Carlisle.
A vampira sentou-se na poltrona e eu me sentei na cama. Satine se ajeitou em meus braços, deixando claro que eu pertencia a ela. Eu não pude deixar de sorrir.
- Baby, Kate veio nos contar uma coisa.
- O que foi? – Satine perguntou desconfiada.
- Seu pai está aqui – Kate respondeu.
Eu vi o rosto levemente rosado da minha vampirinha ficar branco como papel.
- Você está bem, baby?
Satine permaneceu em silêncio pelo que me pareceu uma eternidade. Kate e eu ficamos olhando para ela, a julgar pelo seu humor de mais cedo, esperávamos que um furacão sucedesse o silêncio.
- Ah meu Deus! – Satine respondeu em um semi-sussurro.
Seus olhos eram vazios de qualquer expressão conhecida. Embora ela não demonstrasse nenhum tipo de raiva, ou tremor ou falta de controle, eu não conseguia entender o que acontecia com ela.
- Diga baby! Diga o que está acontecendo – eu exigi.
- Era ele! Era ele! Eu não acredito! Sim, eu acredito! Só poderia ser! Só poderia ser mesmo ele! O rosto. O rosto dele!
- Você o viu? – Kate perguntou.
- Sim! Acho que sim.
Algo em seus olhos me dizia que ela tinha gostado mais dele do que pensava ser possível.
Ela levantou-se em sobressalto e vestiu o casaco.
- Eu preciso confirmar! Eu preciso.
Eu a conhecia suficiente para saber que não adiantaria nada dizer a ela que não fosse – ela iria de qualquer jeito. O que eu podia fazer, era estar com ela.
Vesti minha jaqueta de couro e saímos na noite. Kate saiu logo atrás.
Estávamos no meio da floresta, perto de onde a vampira me disse que Carlisle costumava ficar com a família. Eu podia sentir no ar a inquietação de Satine e isso era terrivelmente preocupante para mim. Eu não tinha idéia do que fazer.
Quando o garoto saiu das árvores, com sua calça jeans rasgada e sem nenhuma camisa, meus instintos emitiram um sinal de alerta. Não que o garoto em si representasse algum problema, embora fosse extremamente alto e bastante musculoso; o fato é que eu podia sentir o cheiro dele, e isso definitivamente não era bom.
Coloquei-me á frente das duas, protegendo-as.
- Acho que você errou o caminho, Katrina! – eu pontuei.
Kate não respondeu. A expressão no rosto da vampira era de desespero.
Diferente de Kate, Satine não pareceu se intimidar pelo tipo, eu a vi segurar o rosnado e estreitar os olhos, o que me deixou ainda mais apavorado que nossa amiga do Alaska.
- Baby não se aproxime. Ele é perigoso.
- Não se preocupe com a distância sanguessuga, eu vou até aí – o garoto praguejou.
- Aproxime-se, e eu o rasgo em pequenas partes – Satine respondeu.
- Uma sanguessuga corajosa!
O garoto moreno replicou e deu um passo em direção a ela. Eu não pude conte-la, Satine saiu do meu alcance e encarou o garoto, olhando para cima, encontrando seus olhos.
- Pelo que vejo, somos corajosos os dois – ela rosnou.
Kate segurou meu braço tão forte que parecia que queria arrancá-lo.
- Ele vai matá-la! – a vampira sussurrou.
Eu não sabia o que responder, nem sabia se algo inteligível sairia da minha boca naquele momento. Eu não sabia como fazer para me aproximar rápido o suficiente para protegê-la sem assustá-lo ainda mais.

Autora: Bia

Capítulo 17 - Um Anjo ***Satine

Corri pela floresta o máximo que pude – quem ela pensava que era? Quem aquela garota superficial e pretensiosa, pensava que era para falar mal da minha família daquele jeito? Okay, eu não sou boba – nem burra – eu sei o que meu papa é! Eu sei o que todos eles são. Ainda assim, eu não poderia permitir que ela o insultasse daquela maneira! Não na minha frente.
Sentei-me na beira de um lago. Era um grande lago e a lua se refletia nele. Cruzei minhas pernas e baixei a cabeça entre elas – eu queria chorar. Eu estava tão magoada e enraivecida que podia sentir cada um dos meus músculos tremendo. Aquela sensação estranha de tremor estava começando a me preocupar. Bem, talvez eu estivesse mesmo á beira da morte! Quem sabe se eu morresse as coisas não se resolveriam melhor? Minha vida estava toda enrolada mesmo!
Eu amava um homem que não podia ter – mesmo que ele me amasse também! Tinha um pai que todos odiavam, e eu nem mesmo podia culpa-los. Não conhecia minha verdadeira família, nem meus progenitores. E ainda existia a chance de me tornar um tipo de monstro ou aberração – ou os dois, quem sabe? O fato é que, naquele momento, eu queria que a terra me engolisse!
- Perdoe-me.
A voz era lenta e suave, quase um sussurro. Apesar de ter ouvido aquela voz somente uma vez, eu sabia exatamente de onde vinha – Kate.
Forcei meu corpo a sossegar um pouco – ainda que eu não gostasse dela, eu não tinha nenhuma intenção de arrancar sua cabeça fora.
- Pode me perdoar, Satine? – Kate repetiu.
- Porque eu deveria? Você não se arrependeu. – eu respondi, sem levantar a cabeça.
- Não Satine, eu não me arrependi. Aro me fez sofrer muito, mas eu deveria compreender que é diferente para você. Seu pai me ensinou que é preciso se colocar no lugar do outro. Que é preciso ser benevolente. Hoje, eu não fiz isso. Eu agi por impulso e magoei você, me perdoe.
Eu respirei profundamente – alguma coisa dentro de mim, dizia que ela tinha razão.
- Eu sei quem ele é Kate. Eu sei quem Aro é. Não pense que eu o vejo como um santo ou coisa parecida, mas não posso permitir que falem dele sem o conhecer como eu conheço. Aro é meu pai. O único que eu conheci.
- Você se parece muito com seu pai.
Kate divagou olhando o lago. Era como se ela visse outra pessoa, em outro lugar. Eu sabia que ela não se referia a ninguém da Itália, mesmo assim, eu perguntei.
- Aro?
Kate sorriu.
- Não! Carlisle.
Meus olhos se perderam no lago também – eu não gostava de falar do meu pai biológico, especialmente depois de saber que ele era mesmo um vampiro e que me abandonou. Como se lesse meus pensamentos, Kate continuou.
- Sei que pensa que sim, mas tenho certeza de que ele não a abandonou. O maior sonho de Carlisle sempre foi ser pai. Ele tem alguns que considera filhos, mas tenho certeza de que se soubesse que tem mesmo uma filha, ele não a deixaria.
- Mas deixou! – eu pontuei.
- Eu não sei o que aconteceu, Satine. Não sei o que aconteceu no ponto em que você nasceu, mas sei que Carlisle não a abandonaria. Jamais.
- Demetri acha que eu devo procurar por ele.
- Eu acho também.
- Não sei se estou preparada.
Kate sorriu.
- Nunca estamos.
- O que aconteceu com você? Porque odeia tanto os Volturi?
A vampira suspirou e deixou os olhos se perderem nas águas escuras do lago.
- Aro matou minha mãe.
Toquei sua mão fria com a minha, delicadamente.
- Sinto muito.
- Já faz muito tempo. Muitos séculos.
- Mas ainda dói – eu pontuei.
- Sim, ainda dói. Quando se perde alguém que amamos, dói sempre.
Pensei na possibilidade de perder alguém. Alguém que eu realmente amasse. Alguém como Aro, ou Marcus, ou meus amigos, ou pior ainda, Demetri.
O ar entrou em meus pulmões como um golpe no estômago. Eu quase não pude respirar.
- Preciso encontrar Demetri!
- Você o ama, não é mesmo?
- Do que está falando? – não que eu não soubesse.
- Demetri é claro! Você sempre fica com essa cara quando fala dele. E ele idem!
Eu sorri.
- Acha mesmo que ele fica diferente?
- Como um idiota!
- Kate!
- Desculpe, mas eu sou sincera!
Kate se levantou e virou em direção a casa.
- Então, para onde pretendem ir?
- Península Olympic.
- Odeio chuva!
- Desculpe?
- Chuva deixa meu cabelo grudento, eu odeio!
Eu sorri.
Assim, a vampira desapareceu na floresta.
Eu continuei ali, sentada no deck de madeira, olhando o lago. Tantos pensamentos se misturavam em minha mente.
- Vejo que foi uma boa conversa – a voz musical de Demetri ressonou em minha volta.
Eu me levantei e o abracei, encostando minha cabeça em seu peito.
- Kate me disse que você fica diferente quando fala de mim.
Demetri sorriu.
- Katrina é uma boa observadora.
Demetri baixou os olhos e segurou meu rosto entre suas mãos. Pousando suavemente os lábios sobre os meus.
- Você ainda está tremendo.
- Eu não consigo controlar, Demetri. Fica mais forte a cada dia.
Ele me puxou para seus braços, apertando o toque. Trazendo meu corpo contra o seu.
- Acho que consigo te acalmar.
Demetri me beijou. Longamente. Sua língua abrindo caminho em minha boca, possuindo, penetrando. A cada beijo que Demetri me dava, eu pensava em como seria ter mais dele. Quanto mais sua língua me explorava, mais eu o queria. Mais eu o desejava.
Suas mãos deslizaram em minhas costas, tocando. Demetri baixou a boca sobre minha pele e eu gemi.
- Viu, está mais calma baby!
- Bobo!
Demetri segurou meu olhar. Seus olhos escarlates brilhando á luz da lua. Ele era tão ameaçador quanto apaixonante. O maior predador, o mais impiedoso, o mais sedutor.
- Eu te quero Satine. Tanto que quase não consigo suportar. Precisamos encontrar uma maneira.
- Faça-me sua. Faça-me sua e ninguém vai dizer o contrário. Eu quero Demetri, quero que me tome para você. Que me faça sua companheira.
Ele me beijou.
- Ainda não baby. Ainda não posso. Não quero que seja assim. Seria uma traição – ele parou por um momento – eu não sou assim.
Eu não disse mais nada. Ninguém conhecia Demetri melhor que eu e eu sabia o quanto á honra importava para ele. Ele definitivamente não faria nada que pudesse ser interpretado como traição.
Demetri sentou-se no deck e me ajeitou em seu colo. Eu me aninhei o máximo que pude, sentindo seu cheiro entrar em meus pulmões.
Quando o avião aterrissou, Demetri e eu seguimos abraçados pelo aeroporto.
Na porta de saída, Demetri parou. Um homem de terno preto dirigiu-se a ele, perguntando se era o Senhor Volturi. Quando Demetri assentiu, ele lhe entregou um chaveiro. Demetri agradeceu e seguimos até um Bentley preto.
- Puxa! Não sabia que papa havia lhe dado tanto dinheiro.
Demetri sorriu, enquanto abria a porta para mim.
- Ele não deu.
Eu fiquei olhando para ele sem entender. Ele sorriu mais e me olhou por cima dos óculos de sol.
- Acha mesmo que eu dependo do dinheiro dos Volturi?
- Não sabia que generais ganhavam tanto dinheiro – eu provoquei.
- Generais não ganham, baby. Meu pai era um nobre, minha mãe princesa. Junte a isso uma longa existência e você tem muito dinheiro para gastar.
Eu o abracei maliciosamente, descendo minha mão em sua perna.
- Quer dizer que eu posso dar o “golpe do baú”, então?
- Você é rica, Satine!
Ele parou, soltou um som abafado, como um gemido, e guiou minha mão até o volume em sua calça. Eu o toquei. Demetri gemeu mais forte.
- Eu já te disse. Não brinque com fogo! Uma hora você se queima.

***
Paramos em um hotel, um pouco ao sul do centro. Não que aquilo pudesse ser chamado de centro, definitivamente não podia. A cidade tinha pouco mais de, sei lá, dez habitantes? Eu fiquei pensando que minha mãe definitivamente não se parecia comigo – eu teria odiado viver naquele lugar.
Depois de tomar um banho e lavar meu cabelo, eu me sentei na cama, enquanto Demetri folheava uma lista telefônica.
- O que está fazendo?
- Procurando algum Black. Talvez eu tenha sorte, e encontre alguma coisa.
- Vai olhar nela inteira? – eu perguntei olhando o pesado livro amarelo.
- Só Washington.
Só Washington? Alguém contou a ele quantas pessoas moram no estado de Washington? Eu revirei os olhos.
- Vou sair e comer alguma coisa – eu falei pegando minha bolsa e a chave do carro.
- Espere que eu termine e vou com você.
Eu olhei para a lista novamente.
- Eu pretendo comer ainda hoje, Demetri – eu brinquei.
- Não gosto que saia sozinha.
- Ah tem razão! Eu poderia ser abduzida ou seqüestrada por uma matilha de lobos, ou coisa parecida! – eu brinquei.
- Tome cuidado então.
- Pode deixar! Vamos ver: não falar com estranhos, confere! Não aceitar balinhas de estranhos, confere! Olhar para os dois lados antes de atravessar, confere! E principalmente, não comer humanos, confere também!
- Engraçadinha!
- Você me ama, eu sei! Agora se me permite, minha natureza humana me chama.
Entrei no Bentley e dirigi por uma estrada cheia de pinheiros. Algumas casinhas de madeira coloridas passavam de tempos em tempos – uma aldeia talvez.
Em um ponto da estrada, uma moto passou correndo por mim. Era uma destas motos de corrida e se parecia bastante com a de Félix. Eu continuei guiando.
Quando aspirei o ar, o cheiro me veio como um golpe no estômago – sangue! Sangue humano, e fresco!
Apertei o pé no acelerador até que vi. A moto estava tombada no chão. O homem que a dirigia, caído na estrada e uma poça de sangue ao seu redor. Um pouco mais adiante, um cervo morto no meio da estrada. O acidente ficou obvio.
Estacionei o carro no meio fio e corri até o homem. Retirei com cuidado seu capacete e constatei que ainda respirava. Era jovem. Muito jovem. Quase um garoto.
Verifiquei os sinais vitais – cursar três vezes a faculdade de medicina, tinha lá suas vantagens – ele estava estável. Inconsciente, mas estável.
Quando eu me preparava para move-lo para o carro, um Mercedes preto parou ao lado do Bentley – ótimo, eu teria que agir como humana agora.
O homem desceu. Andando apressado, enquanto o vento espalhava seus cabelos louros. Seus olhos eram absolutamente maravilhosos, como ouro derretido. Mais que a cor, o que chamava atenção em seu olhar era a doçura. Algo em meu estômago se agitou. Como se pequenas borboletas resolvessem sair. Okay, ele era bonito, mas hey, eu amo Demetri! Porque eu estava tão fascinada com aquele homem. O vento mudou de direção e trouxe seu aroma até mim – um vampiro! O homem era um vampiro! Eu engoli em seco.
O vampiro sorriu para mim com uma gentileza anormal. Suas mãos hábeis checaram novamente o homem no chão.
- Eu sou médico – ele me disse.
- Eu também.
Eu respondi no susto, mas assim que ele me olhou com curiosidade, eu percebi que ele não havia entendido. Ele não sabia que eu não era humana, então eu concertei.
- Quero dizer, eu vou ser. Eu estudo medicina.
Ele sorriu novamente, enquanto tirava um telefone do bolso e ligava para a emergência.
Eu fiquei ali, olhando para ele como uma imbecil, sem conseguir desviar os olhos. Eu havia conhecido muitos vampiros que interagiam bem com os humanos. Vitor, meu amigo, era um bom exemplo, mas aquele homem era uma exceção. O carinho e o cuidado que ele tinha com o garoto machucado eram tão sinceros. Ele estava ali, ajoelhado no chão da rodovia, sujando seu belo terno. Suas mãos estavam manchadas de sangue e seu jaleco também. Ainda assim, seu rosto me lembrava um anjo. Isso! Com aquele sorriso e aquele rosto suave, ele realmente parecia um anjo.


Autora: Bia

Capitulo 16 - Promessas Silenciosas

- Não baby. Você sempre será, e eu sempre a protegerei e cuidarei de você como se fosse minha princesa.
Satine soltou um sorriso triste.
- Estou com medo.
Eu a abracei e segurei seu corpo junto ao meu.
- É por isso que eu estou aqui. Eu vou te proteger.
Peguei um carro alugado - já que a vampira estava com o meu porsche - e abri a porta para Satine. Dentro do Lexus, depois de começarmos a rodar pelas ruas da capital, Satine perguntou:
- Porque estamos no Alaska? Pensei que eu fosse americana.
- Vamos encontrar uma amiga do seu pai.
Ela fechou a cara.
- Não quero conhecer amigos do meu pai! Eu nem quero conhecer o meu pai!
Encostei o lexus fora da pista e segurei suas mãos.
- Baby, você não pode julgar alguém que nem conhece.
- Posso sim, eu sou uma Volturi! Além disso - ela deixou o rosto cair - ele me abandonou.
- Amor, você nem sabe o que aconteceu. Além disso, não sabemos nada sobre a sua mãe. Temos que começar de onde podemos.
Ela suspirou.
- Dê uma chance a ele. Você nem o conhece.
Ela não respondeu. Tudo que se tratava do pai biológico a deixava triste e magoada.
Como se precisasse mudar de assunto, ela sorriu.
- Desde quando você conhece esta "amiga" do meu pai?
Eu sorri.
- Não seja boba!
- Demetri Volturi, se você me trouxe da Itália até aqui para flertar com alguém do passado - ela fez uma pausa - eu não respondo por mim!
Segurei seu rosto entre minhas mãos.
- Eu te amo - eu sussurrei.
- Não me venha com galanteios!
- Eu te quero - eu sussurrei puxando seu corpo mais perto do meu.
- E não me desconcentre!
Eu beijei seu pescoço, passando a língua em sua pele, enquanto minhas mãos puxavam sua cintura para mim. Quando senti que sua respiração estava acelerada, eu a soltei e liguei o carro.
- Não se preocupe, Kate me odeia.
- Posso imaginar porque! - ela provocou.
- Não, não é por isso. Kate me odeia por causa dos Volturi - eu olhei para ela - é possível que te odeie também, minha esperança é que ela se lembre do seu pai quando olhar para você.
- Eu não me pareço com ele!
Eu ri mais alto.
- Você nem o conhece!
- Mas eu já sei!
- Okay baby, não vou discutir com você.
O resto do caminho para a casa das Denali deu-se no silêncio. Ela estava nervosa novamente e eu não sabia o que dizer para acalmá-la. Quando paramos na frente da casa, Eu desci e sinalizei para que ela permanecesse dentro - eu não queria aquela vampira tagarela enchendo a cabeça da garota com bobagens.
Eu não precisei bater. Kate, assim como todas as outras sentiriam o cheiro de Satine, e o meu, é claro.
- A baixinha dos cabelos escuros saiu primeiro.
- Eu devo mesmo ter sido uma garota muito má, em outra encarnação! - ela praguejou - porque duas visitas em menos de um mês é demais!
- É um prazer vê-la também Katrina - eu provoquei.
Ela caminhou até mim, jogando o cabelo para trás.
- É kate, eu já disse! E porque está aqui novamente?
- Quero que conheça alguém.
Eu sinalizei para que Satine saísse do carro. Kate estava praguejando algo como "ninguém que ande com você me interessa", quando Satine desceu. A vampira levou a mão à boca e ficou mais branca que o de costume.
- Minha Mãe do Céu! - ela soltou com os olhos arregalados.
- Eu disse!
Satine caminhou desconfiada, desviando os olhos da vampira e parou ao meu lado, procurando minha mão.
- Ela... Ela...
- Eu disse, Kate! Disse a você que ela se parecia com ele.
Kate parou na frente de Satine e tocou a mão em seu rosto, com a ponta dos dedos. Satine não recuou, apenas apertou mais o toque em minha mão. Kate sorriu, abrindo os braços a pegando Satine entre eles.
- Você é mesmo filha dele! Tem que ser! Só pode! Seus olhos, seus olhos tem a mesma expressão que os dele.
Quando Kate liberou o abraço, Satine estava totalmente cética, olhando com curiosidade para a vampira.
- Não acredito que não está empolgada! Não acredito que não está feliz! Você só pode mesmo ser filha dele! Eu preciso saber de tudo! Entre, vamos!
Kate virou-se para aporta, empolgada. Satine a seguiu, me puxando pela mão.
- O general não! - Kate grunhiu - ele não é bem vindo em nossa casa!
Eu soltei minha mão e olhei Satine nos olhos.
- Vai baby, encontre suas respostas.
Ela segurou minha mão novamente.
- Não vou a lugar algum sem Demetri. Meu pai ordenou que ele me protegesse e é o que ele fará.
Kate voltou, descendo os degraus de dois em dois.
- Não seja boba criança! Não vê que a única ameaça aqui é esse Volturi?
Satine encarou Kate, os olhos brilhando mais que o de costume, enquanto seu corpo todo começava a tremer.
- Eu sou uma Volturi e se ele não é bem vindo aqui, então eu não sou também!
Kate suspirou fundo.
- Okay, o general pode entrar.
Não que eu quisesse realmente entrar na cabana das Denali, mas ver Satine me defender daquele jeito, fez com que o passeio tivesse um sabor especial.
Kate indicou uma poltrona de madeira e eu me sentei, enquanto ela se ajeitava com Satine no sofá.
- Me conte, vamos! Me conte tudo!
Satine sorriu.
- O que quer saber?
- Você! Quero saber como é possível, quero dizer, você está mesmo viva! Eu ouço seu coração! Isso é tão... Tão fascinante!
Kate não me perguntou nada, então eu deixei que Satine contasse o que quisesse.
- Demetri me resgatou na floresta, na península de Olympic. Papa recebeu uma carta, dizendo que deveria ir até lá, no começo pensaram ser uma emboscada - ela olhou em meus olhos e sorriu docemente - então Demetri me encontrou e cuidou de mim.
- E por "Papa" eu devo pensar naquele demônio?
Satine estreitou os olhos.
- De qual demônio estamos falando? Do que cuidou de alguém que nem sabia quem era? Ou do demônio que abandonou a própria filha recém-nascida para morrer na floresta?
Eu me levantei.
- Não me importo nem um pouco com quem você seja ou o que pense a respeito do vampiro que me concebeu. Aro é meu pai. O único que eu conheci. Os Volturi são minha família e não sei o que fizeram a você, mas sua opinião a respeito deles tampouco me importa!
Ela saiu pela porta como um raio e eu saí em seguida. Kate tentou acompanhá-la, mas não foi possível. Satine sumiu na floresta atrás da casa.
A vampira ficou com cara de boba, me olhando.
- Eu disse a você que ela se parecia muito com ele.
Ela suspirou.
- Até no senso de justiça!
- Sim.
- Como aconteceu Demetri? O que você sabe?
- Pouca coisa. Quando nós a encontramos, sabíamos que não era humana, mas não sabíamos o que era. Só descobrimos depois, quando sua sede de sangue aumentou.
- Ela se alimenta, como... - ela não continuou a frase.
- Nós? Quer saber se Satine se alimenta de humanos? - eu sorri - Não. Ela não faz. Ela é como vocês, embora seu controle seja maior e ela consiga se alimentar sem matar o humano.
- Eu preciso falar com ela. Preciso me desculpar.
- Você consegue encontrá-la para mim, general?
- Em qualquer lugar do mundo.
Kate sorriu.
- Você a ama.
Não foi uma pergunta. Foi uma afirmação. Eu não neguei, não podia. Nem queria. Eu fingia e mentia tanto para todos que quando tinha uma pequena possibilidade de ser sincero, eu a agarrava.
Entramos os dois na floresta enquanto eu procurava pelo rastro de Satine.
- Desde quando a ama?
- Desde sempre.
A vampira sorriu.
- Nunca pensei que veria uma cena como estas!
- Que bom que eu te surpreendo.
- Demetri?
Eu me virei para ela, e Kate colocou a mão sobre a minha.
- Eu vou ajudar.
Eu a encarei profundamente.
- Por Carlisle, é claro – eu respondi desviando meu olhar do dela.
Kate sorriu novamente.
- Também.
Eu sorri. Esse “também” indicava que, pela primeira vez, ela estava me dando o benefício da dúvida. Vindo de uma Denali, isto era uma grande coisa.
Indiquei o rastro de Satine para ela e voltei. Kate seguiu o rastro e eu esperei no carro.

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