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Capitulo 17 - Verdades Incontestáveis

Um bebê lindo, feições delicadas, olhar angelical, a pele num tom de pérola. Era isso desde certa manhã que eu conseguia ver, era isso que o futuro me mostrava, apenas isso, mais nada. Sem palavras-chave ou algo do gênero. E como aquela visão era uma dádiva comparada a escuridão que eu recebia nos últimos dias quando tentava ver um futuro mais longínquo, eu até agradecia. De uma forma ou de outra, as peças iriam se encaixar com o tempo. Mas eu também não sabia quanto tempo demoraria.

Ajeitei meu cabelo no reflexo do espelho e dei de ombros. Estava vestindo a roupa que Mellody havia designado para mim. Uma calça legging de couro preta, blusa de lã roxa grande (de cumprimento), um cinto e botas estilo ankle boot, e uma boina de lã largadinha.

Eu havia adorado, cada vez me sentia mais orgulhosa de Mellody. E com Anna por perto, precisávamos manter as aparências mais do que o comum.

-Tia Anna adorou as roupas que você deu a ela! –Mell exclamou adentrando o quarto saltitante. –Eu me pergunto que não adoraria – ela riu e sentou-se sobre minha cama.

-Eu já sabia! –Gabei-me em tom de brincadeira. –Mas adorei mais a minha roupa de hoje – eu dei a ela um sorriso.

-Jura? –Ela indagou com os olhos brilhando.

-Com absoluta certeza! –Eu a abracei com certa força, no limite dela, e Mell retribuiu.

-Vocês ficam mesmo lindas juntas... –uma voz doce comentou, era Anna ao pé da porta, ela sorria. –Estou interrompendo? –Indagou, de repente estava sem graça.

-Nunca está! –Eu disse sem hesitar, Mell sorriu assentindo. –Entre, por favor.

Ela adentrou o quarto com um sorriso em seus lábios.

-Sua casa é fantástica, Alice – os olhos de Anna eram gentis enquanto ela falava.

-Muito obrigada.

-Mell disse que você e Esme fizeram a decoração sozinhas... –Ela comentou com as mãos na cintura de modo tímido.

-Mentira – eu disse arregalando os olhos, Mellody me lançou um olhar assustado. –Fomos eu, Esme, e Mellody.

Elas riram, suas risadas eram parecidas, quase como em sintonia. Eu dei um breve riso e me recompus.

-Você assistirá à aula de ballet de Mellody, hoje? –Eu indaguei com um sorriso, de forma que ela se sentisse convidada. –Será depois do café.

-Seria maravilhoso assisti-la! –Os olhos de Anna brilhavam, tudo que dizia respeito de Mellody a interessava.

-Mamãe, eu acho que o café já está pronto – disse Mell olhando pela janela do quarto.

-Oh, claro! –Eu exclamei arqueando as sobrancelhas. –Perdoe-nos pela espera, Anna... Mas o resultado valerá a pena. –Completei.

-Problema nenhum... –Ela assentiu com a cabeça.

Descemos as escadas despreocupadamente. Havia um mural de fotos em uma das paredes da escada. Ele era repleto de fotos de Mellody, Jasper e eu, além de marcas de digitais coloridas e desenhos feitos por Mell. Era uma das coisas que eu mais prezava de material. Anna pareceu gostar do que via, ela o observou admirada.

-Apesar do mau tempo, faremos um café ao ar livre – eu sorri informando. –Mas não se preocupe, Jasper tratou de colocar aquecedores no jardim.

E ele havia mesmo cuidado de tudo. Eu já havia visto toda a produção dele, detalhista, preocupado com cada detalhe mínimo. Ele queria nos surpreender. Já havíamos feito aquele tipo de coisa, mas dessa vez ele havia se superado. Ignorando o fato de que não podíamos comer, e que teríamos que fazê-lo, e consequentemente ter algumas cólicas mais tarde, estava tudo perfeito.

Atravessamos a cozinha, e ao chegar próximo às portas de vidro que levavam ao jardim, já era possível ver o nosso café. Observei Anna mudar sua expressão para completamente surpresa.

Uma mesa de madeira de altura extremamente baixa, quase no chão, havia sido posta no gramado, havia várias almofadas ao redor desta, embora só houvesse quatro pessoas para o café. Quatro aquecedores estavam ao redor da mesa, e uma linha de flores ligava um ao outro, eu não sentia frio nem calor, mas era possível ver que eles tinham uma alta capacidade de aquecer a temperatura. Sobre a mesa, havia um banquete de café da manhã colorido e repleto dos mais diversos tipos de doces e pães, além de sucos, café, leite...

-Uau! –Anna estava boquiaberta. –Isto tudo é para nós e mais quem? –Indagou com os olhos arregalados.

-Sejam bem vindas, senhoras – Jasper disse cortês. –Este café foi preparado com atenção, amor, e carinho, tendo como objetivo um ótimo início de dia. –Ele disse calmo e pacífico, um sorriso brincava em seus lábios, Jasper parecia um guia turístico. –Espero que apreciem bem ao café. Bon appétit! –Completou fazendo uma reverência.

Eu e Anna logo nos ajeitamos em uma das almofadas. Mellody gargalhava por conta de seu pai.

-Do que a senhorita está rindo, Madam Mellody? –Jasper prendeu o riso.

Logo ele a tinha entre os braços, fazendo-a se contorcer de tanto rir, enquanto suas mãos faziam cócegas em Mellody. Eu sorri com o que via, os dois maiores amores de minha existência.

-Francamente, nem sei por onde começo... –Anna comentou em relação ao banquete a sua frente, ela observava cada elemento com atenção, enquanto decidia entre um copo de suco ou uma xícara de cappuccino.

-Não repare muito, mas é que eu e Jasper estamos numa dieta – eu disse arqueando as sobrancelhas, um leve sorriso em meu rosto.

-Dieta? –Ela indagou com os olhos arregalados.

-Ah, precisamos manter o corpo, sabe? – Eu soltei um riso. –Além de que Jasper tem colesterol alto, e as coisas ficam mais fáceis quando você tem companhia numa dieta...

-Sei bem como é ter alguém doente na família – Anna sorriu sem humor.

-Mamãe, quero um cupcake – disse Mellody sentando-se a mesa.

-Claro, meu amor – eu dei-lhe um beijo na testa enquanto pegava um dos cupcakes de brigadeiro.

-Aqui está tão quentinho – Anna disse mordendo o lábio inferior com um sorriso bobo.

-Gosto de dizer que sou um pai super-protetor – Jasper riu convencido. – O aquecedor vai diminuindo a intensidade ao longo do tempo, para que ninguém sofra um choque térmico. Forks é uma cidadezinha gelada. –Ele franziu o cenho.

-Mellody não poderia estar em melhores mãos – Anna sorriu feliz.

Mellody havia sido nosso presente, e nós havíamos sido um presente para ela. Era como se tudo fosse muito perfeito, ela precisava de nós, e nós precisávamos dela. Eu não poderia ver minha vida sem ela, e Jasper também não. No entanto eu me preocupava com o tempo, demoraria até que os Volturi permitissem que ela fosse transformada.

O fato de ser uma doença sem cura também me irritava, nem humanos ou vampiros eram capazes de desenvolver uma cura. Mas o pior não era Mellody, eu também passei a me preocupar mais com o continente da África, onde a quantidade de crianças com essa doença chega a ser grave e lamentável.

-Ela foi um presente para nós – Eu disse com um sorriso.

Anna assentiu sorrindo enquanto mordiscava um pedaço de baguete recheada com frango e queijo catupiry. Jasper e eu fingíamos comer algumas frutas. E Mellody, por sua vez, comia um cupcake e chocolate quente.

-Mas então, qual foi o motivo de optarem pela adoção? –Anna questionou com o olhar intrigante. –Vocês sabem, não é muito comum casais decidirem adotar, a maioria quer ter seus próprios filhos... –Ela deu um meio sorriso.

Eu olhei para Jasper e ele segurou minha mão com um sorriso.

-Não podemos ter filhos – Eu mantive um sorriso em meu rosto. –Além do fato de que existem todas essas crianças em orfanatos que crescem sem uma família, como foi o caso de todos nós, eu, Jasper e nossos irmãos. Pensamos em adotar mais que uma criança, mas Mellody é especial e delicada e, bem, não estamos em posição de ter mais uma criança nas condições de Mell, então nós vamos esperar que ela cresça mais, e aí quem sabe... –Eu olhei para Jasper.

-Se não estivermos muito velhos – ele riu da ironia daquela frase.

Fez-se silêncio durante alguns segundos.

-E Rosalie, a irmã de Jasper, é esse o nome dela, não? –Anna arregalou os olhos, temendo estar errada, nós assentimos com um sorriso. –Ela também decidiu adotar por este motivo?

-Na verdade, Rosalie sempre sonhou em ter um bebê – Jazz riu, de forma que deu a parecer que eles eram realmente irmãos de sangue. –Mas Matthew chegou até ela, até então ela estava feliz com suas sobrinhas. Reneesme é a única que não foi adotada.

-Carlisle formou uma família realmente bela. –Anna sorriu. –Todos vocês têm um coração bom, é como se eu pudesse sentir isso apenas de olhar para cada um.

O resto da manhã foi tranquila. Anna assistiu o treino de ballet de Mellody e Reneesme, e se emocionou com as duas, o que era extremamente provável, já que eu e Bella choraríamos sempre se fôssemos humanas.

Quando era tarde, Anna e Jacob saíram com as crianças para um passeio, precisávamos nos reunir em família, o que fazíamos quando tínhamos de tomar uma decisão importante.

Estávamos sentados a mesa da sala de jantar da casa dos Cullen. Carlisle na ponta da mesa, onde sempre ficava, sua postura ereta, ele pensava.

-Todos já sabemos o porquê desta reunião, certo? –Carlisle disse sereno. –Alice não consegue ver o futuro de Mellody, de modo que corremos o risco de perdê-la. No entanto, Anna parece uma pessoa bem intencionada, que virá visitar sua sobrinha muitas vezes mais. Isso nos coloca numa posição complicada quanto ao nosso segredo, e a coloca em risco também. Os Volturi podem nos visitar a qualquer momento.

-Não podemos contar nosso segredo a ela, mas ela irá começar a suspeitar algum momento. Principalmente quando o tempo passar e não envelhecermos. –Bella disse com o cenho franzido.

-Sim, e ainda existe o fato de que teremos que inventar um motivo convincente para ela não nos visitar quando Mell for transformada. –Eu disse relativamente preocupada.

-Mas não podemos condená-la. –Rosalie se impôs. –E isso irá acontecer se ela souber de nosso segredo, se os Volturi ficarem sabendo sobre ela, e se a transformarmos.

-Rose, todo humano está condenado a partir do momento em que cruza o caminho dos Cullen – Esme disse tranquilizadora.

Esme tinha razão, talvez Anna nunca devesse ter vindo até nós. Mas eu entendia claramente que seu amor por Mellody a cegava, além de que ela não era culpada por sua sobrinha ser adotada por uma família de vampiros.

-Eu tenho escutado aos seus pensamentos, e ela tem pensado bastante sobre morar em Forks para ficar mais próxima a Mellody. –Edward informou.

-Bem, isso altera um pouco nossas decisões. Anna não é como Charlie ou Renée. Ela não tem uma vida resolvida, é solteira, e por hora só tem Mellody como família. –Carlisle mudou o semblante de pacífico para preocupado.

-O que – Jasper começou, mas um barulho vindo da sala o interrompeu e fez com que todos voltássemos nossa atenção para o mesmo.

-É Alec! –Edward disse, ele se levantou rapidamente e correu em direção a sala, onde Alec provavelmente deveria estar.

Droga! O que mais sobre Mellody, Alec estava pensando?

Levantei-me e corri com pressa até Edward. Mas a cena diante de mim me surpreendeu. Eles estavam conversando.

-Onde ela está? –Alec indagou, estava mais preocupado que qualquer outra coisa.

-Não acredito que... –Edward estava incrédulo.

-Ela quem? –Eu e Bella indagamos juntas.

-Por que Anna veio aqui? –Alec quase gritou, exigindo uma resposta.

-O quê?-Eu estava confusa.

-Anna faz parte dos Volturi! –Edward disse por fim.

Oh meu Deus! Como aquilo era possível? Anna não era apenas a humana tia de Mellody? Neutra em toda essa história de vampiros?

-Eu também achava isso – Edward sussurrou.

-Anna é a tia de Mellody, Alec, não é possível que isso seja real! –Eu exclamei indignada.

-Sobre isso, eu não tenho certeza. –Alec disse indiferente. –Mas ela é uma das humanas que Aro convocou para sua guarda.

Eu ainda estava processando a informação que Alec nos passara.

-Então é por isso que ela protegia tanto os pensamentos... Ela sabia – Edward pousou a mão sobre a ponte do nariz e franziu o cenho.

-E o que ela quer? – Indaguei.

-Eu não sei. Aro não me disse nada sobre os planos dele, eu estava de saída... –Ele desviou o olhar. –Mas sempre estive de olho em Forks, e rastreei que Anna estava vindo para cá.

-Temos que ir buscá-los! –Eu exclamei.

-Jacob não deixaria que ela fizesse alguma coisa a eles, Alice – Bella disse, ela também estava com o cenho franzido, afinal acho que todos estávamos.

-Anna, na verdade, é quase uma amiga, mas não confio no que Aro pode fazer as outras pessoas fazerem. –Alec disse, seus punhos estavam cerrados.

Ao menos ela ainda era a tia de Mellody, as atitudes ruins eram todas por Aro. Felicitei-me com esse fato, embora fosse quase irrelevante.

Busquei pelo futuro próximo, eles estavam chegando. Havíamos avisado a Jacob que a reunião não demoraria muito, apesar de não contarmos a pauta.

-Eles já estão a caminho – informei a minha família e, bem, Alec, mas acho que ele já era quase da família.

-Pelo menos estão bem – Alec arqueou as sobrancelhas e bufou.

-Não se sinta da família. –Edward bronqueou.

-Edward! –Eu o bronqueei.

-Sh, Alice! Você me fez soltar Reneesme, mas Mellody é mais nova! –Ele apontou o dedo em minha direção.

Cruzei os braços, e rolei com os olhos. Era engraçado que ele impusesse mais que Jasper, que era o pai de Mellody.

-Alec, não se esqueça quem é sim querido por nossa família. Obrigada por vir até aqui nos alertar sobre Anna – Carlisle pousou a mão sobre o ombro do ex-Volturi.

A fala de Carlisle, pura e simplesmente quebrou o ciúme irracional de Edward. Eu podia jurar que nunca imaginei que ele fosse fazer toda essa tempestade, principalmente pelo jeito intelectual, sério e reservado dele. Mas acho que tanto tempo sozinho fez com que ele se tornasse muito possessivo, ou o que fosse isso.

Assim que o carro dirigido por Jacob estacionou na garagem dos Cullen, Rosalie foi com sua velocidade inumana buscar Matt, Mell, e Reneesme, enquanto o resto dos Cullen se posicionava.

Não demorou muito para que Jacob e Anna chegassem até nós.

-O que está acontecendo? –Anna se fez de confusa, até seus olhos encontrarem Alec. –Alec! –Ela correu em sua direção e o abraçou.

Eu não queria ter visto uma cena menos importante ao lado dessa, no entanto ali estava Mellody olhando para os dois com um olhar indecifrável. Esme tratou de tirá-la da sala imediatamente, a situação era perigosa aos ouvidos dela, se tratava se sua tia o problema.

Alec se manteve frio, dando a Anna apenas um meio sorriso, para logo voltar a sua seriedade.

-O que Aro mandou você fazer aqui? –Indagou exigente.

-O quê? –Ela balançou a cabeça confusa.

-Acho que você já sabe tudo sobre nós, e também sabe o que podemos fazer – Jasper se aproximou dela.

Anna deu um passo para trás e esbarrou em Alec, ela engoliu em seco, estava tecnicamente encurralada.

-Aro não me mandou vir aqui... Disse apenas que tínhamos que ver nossa família, então ele viu Mellody em minhas lembranças e me informou sobre vocês – Anna respondeu num fio de voz. –Eu só queria ver Mellody, eu juro.

-Aro a mandou aqui para coletar informações. –Edward informou-nos, seu olhar oscilava entre Carlisle e Anna. –Ele vai saber sobre Matt, e vocês já sabem o resto. –Ele bufou e colocou a mão sobre a ponte do nariz, franzindo o cenho, eu conhecia o meu irmão o bastante para saber que ele estava entrando em desespero.

O olhar de Emmett se tornou furioso, ele e Rosalie não aceitariam a ideia de perder Matt de forma alguma.

-Ela não pode voltar! –Ele quase rugiu.

-Aro virá procurar por ela... –Bella disse com os braços cruzados.

-Estamos sem saída. –Carlisle disse com a mão na cintura.

-E se a transformarmos? –Sugeriu Jasper. –E ela fugir de Aro?

-Ele vai procurá-la. –Emmett disse.

-Ela é apenas uma das humanas da guarda – Alec interferiu.

-Que sabe algo sobre os Cullen – eu completei.

-Estamos fazendo muita tempestade! –Bella exclamou. –Ela só tem que se render, Aro não pode obrigar ninguém a fazer parte de sua guarda!

De repente aquela era a solução ouro do nosso problema.

-Mas ela não pode ser vulnerável, se uma humana não serve para estar na guarda, serve para outra coisa... –Jasper lembrou.

-Então vamos transformá-la. –Emmett disse sem hesitar.

-Alguém vai ter que cuidar dela, alguém em que Aro confie. –Alec disse certo. –Eu faço isso.


Autora: Leticia

Capitulo 16 - Grece

-Mamãe, você sempre me arruma... E isso é uma injustiça, já que eu nunca posso fazer o mesmo com você! –Os olhinhos arredondados de Mellody brilhavam com certa intensidade. –O que acha de mudarmos hoje?


Hoje minha filha reencontraria sua tia, da qual provavelmente não se lembre muito bem, Anna. Eu queria que ela estivesse mais linda do que habitualmente, não só ela, mas nossa família, principalmente Jasper, eu e ela. De forma que eu havia escolhido os trajes de todos durante a noite, até mesmo de todos os Cullen.


-Ah, meu amor... –Eu suspirei. –Olha, eu já escolhi nossa roupa, mas você pode arrumar o meu cabelo e o seu e escolher os acessórios... O que acha? –Sugeri acariciando seus cabelos. –Prometo que amanhã você poderá escolher o look completo!


Mellody sorriu e me abraçou, a felicidade em pessoa. Eu sabia que para ela, escolher o traje do dia, era algo muito mais do que aparentava ser, pois tratava-se de Mell provar a mim que seguia meus passos e também era uma “fada madrinha”, como nos chamam por aí. “Fada Madrinha e Sua Aprendiz”, eu ri com esse pensamento.


-Ótimo! –Deu-me um beijo. –Agora vamos, Dona Alice! Temos que lavar esses cabelos, passar alguns produtos... JÁ TENHO TUDO EM MENTE! –Mellody tornou-se autoritária e empolgada, sim, ela era um reflexo menor de mim.


-Sim, senhora! –Eu fiquei de pé com a postura ereta, ela gargalhou e me arrastou até o meu banheiro.


Nós enchemos a banheira, e Mell fez questão de encher de espumas. Ela lavou minhas madeixas, e o fez com tanto carinho e cuidado que me senti a mãe mais amada do mundo, para em seguida, eu lavar seus cabelos, da forma como ela ordenava, devo acrescentar.


-Deixe-me ver as roupas... –Minha filha pediu sobre a cama, o cabelo estava enrolado numa toalha, e ela vestia um roupão rosa.


-Pois não, senhorita! –Eu disse colocando as peças sobre a cama.


Não demorou muito e ela correu para o meu porta-jóias, Mellody estava energética aquela manhã. Depois voltou correndo e colocou algumas jóias sobre a cama, para retornar a vasculhar o porta-jóias.


-Depois que eu arrumar seus cabelos, você colocará esses acessórios – ela disse gesticulando, eu assenti. –Agora sente-se na cama, mamãe! –Mellody estava com um pente em mãos, um sorriso nos lábios, e um brilho no olhar.


Mellody passou algum tempo ajeitando meu cabelo, mas enfim tivemos um resultado magnífico. Ela havia jogada minha franja para o lado e aumentado o tamanho desta, também havia escovado meus cabelos, de modo a deixá-los lisos com as pontas modeladas para o lado interno, e para completar: colocou uma presilha de rosa prata no lado oposto ao da franja. Mas é claro que ela precisou um pouco do meu auxílio, mas isso não conta, as ideias foram todas dela.


-Vou deixar você arrumar mais vezes o meu cabelo! –Eu disse com um riso emocionado.


-Obrigada, mamãe – ela me abraçou com força. –Eu andei treinando com Reneesme – Mellody sorriu. –Agora vá se arrumar, e não se esqueça dos acessórios... Eu vou ajeitar o meu cabelo.


-Tenho certeza de que ficará ainda mais linda, meu amor – eu beijei-lhe o topo da cabeça e fui me arrumar.


Meu traje para o dia era um vestido de cintura alta preto na parte de baixo e branco na parte superior, além de uma meia-calça numa cor aproximada a de minha pele, um casaco-sobretudo cor de areia, cachecol de lã vermelho, e um sapato camurça na mesma cor do cachecol para dar um contraste ao look. Eu estava me vestindo daquela forma, pois fazia frio em Forks, e certamente Anna estranharia se eu vestisse algo sem mangas.


Quando voltei ao quarto, Mellody já estava pronta. Seus cabelos estavam presos de lado, cacheados como num cacho só grande e cumprido, além de uma tiara que colocava sua franja para trás. Era simples e, no entanto, muito charmoso. Ela trajava um vestido branco com mangas grossas, que marcava a cintura, na altura dos joelhos, uma meia calça grossa na cor de sua pele, um xale rosa claro por cima do vestido, e um par de sapatilhas rosa.


-Você está tão linda! – Eu exclamei. Não há como sua tia não gostar de você!, completei em pensamento.


-Obrigada, mamãe – ela sorriu contente consigo mesma.


Eu a abracei. Ela me dava cada vez mais orgulho, e eu não tinha sombra de dúvidas sobre ela ser uma criança especial e... PERFEITA.


-Não teremos aula de ballet hoje, certo? –Ela exigiu afirmação.


-Certo. Hoje vocês têm o dia para fazer coisas mais interessantes – eu dei um sorriso a ela. –Agora vamos, Mell.


Eu peguei a mão de minha filha e caminhamos até a casa de Esme, fazendo algumas observações, como de hábito.


-Mamãe, mostrarei a Jacob hoje a música. Não aguento mais vê-los sofrerem por conta do silêncio que paira entre os dois quando se trata de amar. Reneesme tem ficado mal ultimamente, e Jacob também. –Mellody suspirou. –Eles sufocam um ao outro, eles se amam tanto que são cegos, e pouco a pouco, o ar lhes falta e eles se machucam outra vez. Eles são capazes de se matarem no ritmo desse amor escondido. Eu não sei se é verdade na física, mas quando um ímã não consegue alcançar aquele por quem está sendo atraído, ele vai se corroendo, porque está alterando as leis da natureza e... isso o machuca tanto que ele deixa de saber. Deixa de saber sobre o amor, e sua alma gira em torno de dor e tristeza, mas parado ali naquela obscuridade e totalmente perdido, ele não encontrará o caminho para casa. Então eu entro na história! –Ela sorriu. –E o coloco nos trilhos, numa rota sem saída que o leva até seu grande amor. Porque assim as coisas acabam bem e, a eternidade pode ser seguida.


Eu ainda estava digerindo as palavras de Mellody, tantas coisas sobre um sentimento. Era como se ela soubesse exatamente sobre o amor por todos os ângulos. As palavras soaram tão suaves e espontâneas, que tive certeza de que ela não precisava pensar muito sobre o assunto para dizer coisas completas sobre um sentimento complexo.


Minha boca estava escancarada, eu não poderia estar mais surpresa. Ontem quando busquei pelo futuro dela e consegui ver o dia com sua tia, não havia nada sobre esse diálogo, entretanto ele havia sido profundo e... uma decisão repentina, que não pôde ser prevista. Fiquei ainda mais surpresa com esse fato.


-O que foi, mamãe? –Ela indagou me encarando com certo medo do que estava me acontecendo.


Eu podia apostar que minha expressão perdida naquele momento era a mesma de quando eu tinha uma visão.


-As suas palavras... – murmurei. –Você... Er, meu amor... –Eu a abracei com força. –Você me emocionou, meu bem. –Disse por fim. –Estou orgulhosa pelas suas palavras! Você me surpreende cada vez mais, minha fada! –Eu a olhei com admiração.


-Ora, eu me espelho em você... –Mellody disse tímida.


-Não... – eu sorri emocionada. –Você é mais original! É uma fada também, assim como seu pai me chama. Mas você tem algo dentro de você, algo que eu nunca vi em ninguém! Esse seu jeito de pensar, a sua doçura e compreensão, a forma que você pratica “filosofia”, dita os seus pensamentos sem medo, e eles são puros, carregados de uma realidade bela. Você é mesmo uma grandíssima fada, acredito que isso seja um dom! Você desperta sentimentos nas pessoas, as faz ponderar o ódio, e dá vida a tudo que te cerca, porque antes de qualquer coisa, você ama, logo vive.


O olhar dela brilhava de forma intensa, ultrapassando o brilho das estrelas. Mellody me abraçou e sussurrou “obrigada!” em meu ouvido.


-Agora vamos, antes que pensem que há algo errado, sim? –Eu sugeri com um sorriso.


Minha filha assentiu e nós seguimos. Porém alguns passos a frente, e algo nos surpreendeu de pronto.


-Sim, nós ouvimos... –Reneesme sussurrou ao lado de Jacob, ela estava com os braços cruzados, eu podia ouvir seu coração mais acelerado que de costume, e o de Jake também. Ela baixou o olhar. –Devo concordar que foram palavras lindas – seu rosto começava a corar.


-Você é mesmo tudo o que sua mãe lhe disse – Jacob disse, ele tentava controlar os nervos.


Eu tinha certeza de que os dois tinham borboletas no estômago, estava pronta para interferir, mas Mell tomou essa decisão antes de mim.


-E também disse apenas verdades, também devem concordar com isso! –Ela disse sem mais delongas.


Um ponto cego veio a minha mente, era uma visão, Jacob não estava com raiva, mas a ansiedade e mais um turbilhão de hormônios estavam deixando-o nervoso.


-Jacob, relaxa – eu disse rapidamente. –Estou ficando cega! –Ele sabia o que aquilo significava.


Jacob me lançou um olhar preocupado e no mesmo momento começou a controlar sua respiração, e consequentemente seus batimentos cardíacos. Reneesme o olhou com preocupação.


-Não precisa ficar assim, ela realmente te ama, Jake – Mell murmurou docilmente.


Jacob e Nessie trocaram um olhar profundo e destemido, ela se aproximou dele e segurou sua mão com segurança e, sem perder o profundo contato visual, soltou:


-Você também me ama, Jake?


Jacob acertou a postura e colocou a mão na cintura de minha sobrinha.


-Mais do que tudo neste mundo. Eu te amo, Reneesme Cullen. –Ele apertou a mão dela, era como se necessitasse dizer áqüeas palavras para respirar. –Te amo desde o dia em que eu te vi nos braços da sua tia, desde a primeira vez que eu olhei nos seus olhos. E eu te amaria mesmo se você não fosse o meu imprinting, porque você é a única pessoa capaz de fazer um lobo virar um menininho bobo e apaixonado... –Jake colocou a mão de Reneesme sob seu peito esquerdo, de modo que ela sentisse seu coração, ao invés de apenas ouvir. –Eu te amo, Nessie – completou antes de puxá-la para um beijo caloroso e romântico.


Eu sorri satisfeita, assim como Mellody ao meu lado. Que eles ficariam juntos, todo mundo sabia, até mesmo Edward e Bella. Mas às vezes não é o fim de uma estória que importa, mas sim o seu enredo, as formas de como os fatos se desenrolam, e é claro, para um romance, as palavras e os atos entre o casal principal importa mais do que o desfecho. Posso provar isso: Romeu e Julieta, Titanic e, bem, “O Lobo Bobo e a Meia-Vampira”, considere um clássico sobre a história de Jacob e Reneesme ainda a ser escrito, sem um fim trágico, mas sim um verdadeiro “felizes para sempre”.


-Acho que está na hora de irmos... –Sussurrei para Mellody.


-Concordo plenamente – ela assentiu com um riso.


Rapidamente saímos de cena e os deixamos no meio do percurso até a casa de Carlisle e Esme. Mas algo me fez refletir, Reneesme e Jacob haviam ido lá para nos apressar, e como nós quatro acabamos enrolando mais que o comum, provavelmente mais um Cullen estaria chegando para nos apressar – o fato era que toda a minha família estava envolvida no reencontro de Anna e Mell.


Só espero que não seja Edward, nem Bella..., pensei comigo mesma.


-Precisamos evitar um desastre familiar, Mell – eu disse parando de andar. –Quer subir nas minhas costas ou quer que eu te aninhe? –Indaguei, ela sorriu e seus olhos brilharam.


-Nós vamos correr? –Ela quase deu um pulo. –Nas costas, mamãe! –Mell informou.


Eu coloquei a minha fadinha nas costas e fui até a parte de trás da casa de Esme em minha velocidade inumana, pelo cheiro, eu podia perceber que Anna já havia chegado, sendo assim preferi manter as aparências e entrar como pessoas normais pela porta principal.


Como tudo era uma surpresa para Mellody, eu tive de me conter, mas aquilo não foi difícil, eu adorava surpresas, superava qualquer coisa por elas.


-Olá! –Exclamei abrindo a porta e adentrando a casa.


Anna estava sentada no sofá conversando com minha família, eles riam entre si, até que Mellody entrou ao meu lado, e o ronronar da porta chamou a atenção de Anna. Eu observei ela se levantar com o olhar direcionado a Mellody, cujo olhar era inacreditável. As duas se aproximaram, os passos de Anna foram bem mais apressados e desesperados que os de Mell. Quando se encontraram, Anna ajoelhou e com lágrimas nos olhos abraçou com força Mellody, a qual retribuiu o abraço a com a mesma intensidade.


-Não acredito que é você – Mell sussurrou com a voz emocionada.


Anna tinha longos cabelos loiros, um rosto redondo, covinhas, traços delicados com os de Mell, um olhar inocente, e um sorriso de criança. Ela vestia uma roupa de inverno mais exagerada que as nossas, provavelmente não estava acostumada com o frio de Forks, já que por telefone contara-me também que estava na Austrália.


-Você está tão grande e linda! –Anna exclamou completamente emocionada, suas lágrimas não paravam de lhe molhar o rosto. Ela apalpava os braços de Mell, seus cabelos, e a observava como se a venerasse.


-Você também mudou... –Mellody sussurrou.


-Você é mesmo parecida com Alice, e com seus pais, é uma mistura tão perfeita que... É como se estivesse destinada a isso. –Anna tapou o rosto e chorou mais forte antes de abraçar Mell novamente.


Eu senti uma onda de felicidade tanto com o momento, quanto com a fala de Anna sobre Mell se parecer comigo. Esme deveria ter mostrado fotos a ela.


Mellody virou-se para mim e me chamou com a mão, eu fui ao seu encontro com um sorriso.


-Sim, você se parece com ela! –Anna reafirmou dando um sorriso para mim.


Naquele momento ocorreu algo que eu também não tinha previsto: Mellody no abraçou, fazendo com que nós três déssemos um abraço conjunto. E eu não me senti ameaçada ao lado de Anna, me senti bem, sentia que podia confiar tanto nela quanto em Mell.


Elas passaram o resto do dia juntas passeando por Forks, foram à clareira, comeram doce, passearam pelo jardim de Esme, generalizando, elas passaram o dia juntas sorrindo e se divertindo apenas com a presença de cada uma.


No fim do dia, resolvemos que Anna passaria uma semana conosco. Eu, Jasper e Mellody nos sentíamos bem. Realmente parecia tudo certo, até que Edward veio andando em minha direção com aquele olhar exigente.


-Alice, por que minha filha passou o dia agarrada a Jacob? –Ele indagou. –E eu sei que está envolvida nisso... –Ele murchou. –Alice, ela é só um bebê! –Choramingou como uma criança manhosa.


Autora: Letícia

Capitulo 15 - Passado

Alice PDV


Estávamos reunidos em família na sala da casa de Esme, eu e ela havíamos acabado de redecorar a casa, enquanto Bella e Rose resolviam a nossa vida com filhos, já que íamos ficar em Forks por mais um tempo e precisávamos nos camuflar com uma imagem de pais e não mais adolescentes, agora os adolescentes Cullen no colégio seriam nossos filhos.


Usaríamos alguma maquiagem e acessórios para esconder a idade que nunca passa para o nosso corpo.


-Se fôssemos para outro lugar, qual seria? –Era Reneesme quem indagava.


-Eu e Carlisle andamos pensando sobre o Canadá, e quando vocês já estiverem estáveis, a Rússia. Não poderemos voltar a morar em Forks em menos de cinquenta anos, haveria pessoas vivas agora que nos reconheceriam no futuro – Edward disse calmo e pensativo, com sua postura habitual.


-Wow... – Mellody arregalou os olhos.


-Cinquenta anos são quase insignificantes para quem vive por séculos – eu dei um riso – compare com cinco anos para os humanos. Você é muita nova, ainda vai se acostumar com o tempo...


-Não vejo a hora de ficar ainda mais bonito – Matthew disse fitando o nada.


-Hey, projeto de Emmett – Bella gargalhou – e Rosalie! Você não nega as suas raízes, não é mesmo? –Ela colocou a mão na cintura, Rosalie deu uma cotovelada nela.


-Eu digo apenas a verdade, gata – ele disse com um jeito malandro e uma piscadela, nós gargalhamos.


-Você está cantando a minha mina? –Edward indagou entrando na brincadeira.


-Edward, é covardia! Ainda não tivemos uma aula sobre isso – Emmett interrompeu franzindo o cenho.


-Desde quando você dá aulas para ele sobre como ser um retardado? –Rosalie indagou cruzando os braços, ops, alguém vai apanhar. Rose balançou a cabeça em negação e virou-se para Matt. –Você é um anjo, amor. Não escute o que o seu pai diz.


De repente vi em minhas visões que o telefone tocaria, era uma mulher desconhecida, pelo menos para mim, e era estranho o fato de querer falar comigo. Caminhei em direção ao aparelho telefônico e esperei com os braços cruzados, ganhando olhares curiosos de minha família.


-Vai tocar, e vai ser para mim! –Eu disse como se fosse óbvio.


-Ela parece com a Mellody – Edward murmurou em um tom inaudível para os humanos, não queria que Mell ouvisse.


-Sim... –Concordei no mesmo tom, observando melhor a imagem futurista.


Dei um salto quando o telefone por fim tocou. Esperei que tocasse mais uma vez, humanos só atendiam ao telefone na primeira chamada quando estavam desocupados ou esperando por uma ligação.


-Alô? –Disse a voz fina.


-Pois não? –Eu disse de forma simpática.


-Alice Cullen, por favor – agora a voz estava mais nervosa.


-Sou eu – eu sorri desejando que ela pudesse ver meu sorriso e se tranquilizar.


-Ah... –ela deu um suspiro. –Sou Anna Grace, prazer. –Congelei ao ouvir o sobrenome dela.


-Igualmente – respondi estática.


-Bem, eu sei que não deveriam, mas insisti bastante... –ela deu um riso abafado. –Então o orfanato me revelou quem havia adotado Mellody, – Anna fez uma pausa – minha sobrinha.


-Alice, acalme-se – Edward me amparou antes que eu caísse no chão.


De repente meu cérebro percebeu completamente tudo. Eu não podia ver o futuro de Mellody porque ele não estaria relacionado ao meu, e provavelmente a visão que tive de ela com Jasper seria apenas um reencontro não proposital. Agora eu entendia porque eu sentia dor toda vez que tentava ver o futuro de Mellody. Provavelmente meu cérebro estava me poupando uma terrível dor ao ver com meus próprios olhos uma insana verdade.


-Sim – eu afirmei num fio de voz.


-Você e... Jasper, certo? –A voz do outro lado da linha questionou.


Uma onda de coragem me invadiu naquele momento, eu não deixaria que ela tirasse minha filha de meus braços. Mellody não tinha família quando estava no orfanato, o que indica que Anna não dava a mínima para sua sobrinha. Como ela poderia ser tão covarde de dar satisfação anos e anos depois, e ainda querer ficar com Mell?


-Sim, nós a adotamos – eu disse confiante.


-Bem, quando meu irmão morreu, eu estava fora do país e não soube de absolutamente nada, o que também não faria diferença já que eu era menor de idade... –Anna deu um riso, agora nervoso. –Eu voltei há algum tempo, e desde então venho procurando por ela. Gostaria muito de saber como ela está – ela fez uma pausa, pude ouvir seu choro, não parecia ser falso ou forçado, mas sim algo natural, de modo que ela quis se controlar antes de voltar a falar. –Bem, ela é uma garota muito especial...


-Sim, ela é única. –Eu soltei um riso, previ que era melhor ter um bom relacionamento com a tia de Mellody. –Você pode vir ver como ela está com seus próprios olhos... se quiser, é claro. Tenho certeza que Mellody adoraria te ver.


-Mesmo? –Anna deixou que seu lado mais adolescente se sobressaísse, ela não devia ter mais que dezenove anos.


-Mas é claro, não vejo problema algum nisso... –Eu sorri de forma instantânea. –Você já tem nosso endereço?


-Não – ela estava emocionada –, só sei que moram em Forks, mas também não sei onde fica essa cidade, então...


Conversei por horas e horas com Anna, aos poucos percebi que ela não representava nenhum tipo de ameaça. Os pais de Anna haviam morrido a pouco tempo, e fora o motivo da volta dela para os Estados Unidos. No orfanato, eles me disseram que os familiares de Mellody não tinham condições de saúde para ficar com ela, eu não imaginava que fosse algo tão grave assim.


Helena, mãe de Mellody morreu semanas após o parto, ela fora criada apenas com o pai, e em alguns períodos Anna ficara com ela, pois o estado de William – pai de Mellody – piorava cada vez mais após a morte de Helena. Mell foi para o orfanato antes mesmo que ele morresse, já que sem a presença da tia, não havia mais ninguém que pudesse ficar com a criança, enquanto o pai estava internado.


Eu não tinha ideia de todas essas informações, meu dom me possibilitava de ver o futuro, mas não o passado. Tudo isso fez com que eu quisesse ainda mais que Mellody fosse feliz, a pessoa mais feliz do planeta.





Um pouco mais tarde, Jasper e eu havíamos levado Mellody para casa, precisávamos que ela descansasse, para que pudesse passar o dia com Anna. Decidimos que seria melhor ser uma surpresa, e como pude prever como seria o dia delas amanhã, sabia que Mellody receberia muito bem sua tia.


-Mãe, quem era no telefone na casa da vovó? –Questionou Mellody, enquanto eu arrumava sua cama para que dormisse.


-Uma velha amiga que conheci antes de te adotar... – Dei a ela um sorriso, ela sorriu de volta. –Você gostou da sua nova decoração?


-Ficou perfeita! –Ela exclamou saltitante, eu e Esme também havíamos redecorado o quarto de Mellody e o meu, eu adorava passar o tempo com Esme para decorar e redecorar as coisas, éramos uma dupla infalível. –Adorei o toque colorido, e... As borboletas, principalmente – Mell riu.


-Eu sabia que ia adorá-las – eu dei um riso. –Eu também as adorei – confessei num sussurro, ela riu. –Hey, por onde Jacob anda esses dias todos?


-Depois que mostrei a canção para ele, Jake decidiu pensar um pouco sobre tudo... que ele sente pela Nessie, e sobre o que era melhor a fazer por hora, ele acha que Edward não irá gostar dessa ideia – Mell fez um biquinho.


-Acho que Bella será a mais difícil, Edward pode ler os pensamentos, ele entende o amor de Jacob por Reneesme... –Eu disse. –Além disso, ele já lê os pensamentos dele faz um bom tempo.


-Você tem razão... Mas Bella e Jacob ainda são melhores amigos, e a Nessie tem uma boa relação com ela. –Mellody acrescentou.


-Bem, nossa missão é apenas juntá-los, não vamos nos intrometer nisso – minha filha gargalhou.


-Mãe, você não existe! –Ela abraçou-me, eu retribui o abraço, afagando-lhe o cabelo.


-Hey, pare de me enrolar, está na hora de dormir! –Eu fingi estar brava, porém não funcionou, ela caiu na risada. –Quer que eu leia uma estória antes de você dormir?


-Sempre quero... – ela disse com um sorriso.


Levantei-me para procurar um livro em sua estante de livros. Decidi pegar um que ela adorava, em partes por causa de toda a magia e por causa do nome da personagem principal.


-Que tal “Alice no País das Maravilhas”? –Questionei com o livro em mãos, e um sorriso no rosto, eu tinha de confessar que adorava aquele livro.


-Perfeito!





Quando Mellody enfim caiu no sono, continuei lendo algumas páginas do encantador livro, que confesso também, que ela havia me ensinado gostar.


Ela rolou na cama, sua doce face tranquila, Mell parecia um anjo, o meu anjo. Fechei o livro sobre meu colo e acariciei o cabelo de minha filha, os fios macios e brilhosos, tomei cuidado para não encostar minha mão em seu rosto e acordá-la, ela era quente e macia, quanto eu era fria e dura. Mas como Mellody costuma dizer, sou dura por fora porque sou muito mole por dentro, emocionalmente.


-Eu te amo, minha linda – eu disse dando-lhe um beijo no topo da cabeça.


-Nós te amamos... –sussurrou Jasper adentrando o quarto, dei-lhe um sorriso.


-Jazz, apague a luz, está incomodando-a... – sussurrei.


-Ela não gosta de dormir no escuro, Alice... – ele alertou.


-Sim, mas eu vou acender o abajur, comprei um novo – eu sorri.


-E em que problema você não dá jeito? –Ele indagou risonho e apagou a luz.


-Jazz, eu amo tanto vocês – eu o abracei, ele retribuiu meu abraço. –Tenho medo que ela queira ficar com a Anna...


Fez-se silêncio, Jasper pensava.


-E se Anna ficar conosco?


Autora: Leticia

Capitulo 14 - Francis

Alice PDV



Agora tudo era mais nítido, eu podia ver algo como uma porta trancada, um garoto que me impedia de ver o futuro de Mellody, e então uma onda enorme de náusea, de forma que nunca pensei que um humano pudesse sentir. Era terrível, mas agora eu ao menos sabia que Mellody tinha um futuro, o que era melhor do que não saber nada. Apesar de tudo, eu tinha medo de ver o meu futuro e não tê-la ao meu lado.



Eu tinha medo do futuro, era algo como a abelha ter medo do mel. Meu coração nunca esteve tão morto, e este que mesmo depois de parar de bater sempre se manteve vivo. Eu odiava estar daquela forma, vulnerável e fraca. Nem mesmo fome eu tinha, só conseguia pensar no futuro e no que aconteceria. Mellody estaria conosco, comigo e com Jasper? Ela morreria como qualquer outro humano normal? Ou ela nos abandonaria?



Pela primeira vez desde que virei vampira, eu só pensava em uma coisa: o futuro de Mellody, o futuro da minha filha.



-Alice, amor, você não pode ficar assim, isso machuca a mim e a Mell... –Era Jasper e sua voz preocupada.



-Mãe, não importa o futuro, eu estarei ao seu lado até depois de meu coração parar de bater, e se eu te deixar, juro que será por apenas um breve segundo. –Era Mellody ao lado do meu corpo debilitado. Ela e Jasper estavam a ponto se corroer em dor, e aí eu me odiava.



Os dias estavam se passando e eu estava adoecendo com essa agonia, algo dentro de mim apontava que tirariam Mellody de meu braços, mas era vago e incerto. Aliás, os dias haviam passado rápido demais, de modo que prefiro não relatá-los, eu percebia que minha personalidade estava estranha e instável. Mell, Nessie e Matt agora estavam mais velhos, pré-adolescentes. Eu mal conseguia vê-los, estava tão doente que qualquer imagem me doía a mente, Mellody não estaria ali para sempre.



As coisas foram substituídas aos poucos na grande casa de Carlisle e Esme, na casa de Edward e Bella, e principalmente na casa de Emmett e Rosalie. Mas em nosso lar, Mellody preferiu deixar tudo estar por hora, ela continua doce apesar das mudanças. Eu sentia que afetava minha filha, e ela me esperaria, porque Mellody sabia o quanto eu gostava de decorar as coisas junto com ela. Mell e Jasper andaram preocupados comigo.



***ALGUNS MESES DEPOIS***



Eu prometi a mim mesma, prometi a eles, e sei que a dor vai passar, não posso ter medo do futuro, tenho que aproveitar o presente enquanto a minha fadinha está ao meu lado. Levantei-me da cama e dei um gorgolejo do copo com sangue animal deixado por Jasper no criado mudo. Olhei-me no espelho, eu estava terrível. Tomei um banho, precisava sentir a sensação da água na minha pele, pois me faria sentir melhor. Agora eu já estava me vendo sorrir, estava fazendo aquilo por Mellody e Jasper. Coloquei um vestido florido e uma tiara branca no cabelo. Flores me trazem boas lembranças.



Desci as escadas de minha casa, e percebi que estava tudo em seu lugar, limpo e bem cuidado, as flores regadas, os móveis brilhando e um cheiro de perfume no ar. Mellody, pensei. Minha filha era mesmo perfeita. Busquei por seu cheiro, ela estava na cozinha.



-Como estão as aulas de ballet, meu amor? –Questionei a Mellody.



-São chatas sem você... –Ela fez um bico, estava sentada sob a mesa fazendo um trabalho. Como eu era responsável por ensinar várias coisas a ela, Reneesme e Matt, eu não costumava pedir muitos trabalhos ou coisa do tipo, mas agora Edward, Jasper e Bella estavam no comando.



-Não perguntei neste sentido, quero saber se vocês evoluíram mais – eu dei um riso.



-Sim, eu e Nessie estamos criando uma nova coreografia, é algo especial, então nem tente espionar sobre isso – Mellody informou risonha. –Fico feliz que esteja melhor, foram longos dias torturantes. –Ela se levantou, sorriu e me abraçou, ela estava maior, já não abraçava apenas minha cintura.



-Obrigada – disse beijando-lhe a testa e retribuindo o abraço.



-Você tem que ouvir a música que eu e Nessie compomos! –Minha filha exclamou com os olhos brilhantes, cada dia ela ficava mais parecida comigo em relação a forma de agir, eu ficava orgulhosa com isso, modéstia a parte.



-Claro! E você acha que vou deixar vocês assim, de pernas para o ar? –Indaguei. –Não, eu apenas dei uma folguinha para vocês. Então vamos, temos muito que fazer hoje! –Exclamei puxando-a pela mão até o local das aulas de ballet.



O estúdio não havia mudado durante os meses que fiquei “fora”. Estava perfeitamente igual, o que me lembrava de ter que renová-lo. Bella e Mellody já estavam lá, e vieram me abraçar assim que cheguei. Eu podia sentir mais uma vez o amor de minha família, e era mais um motivo para amá-los cada vez mais, não que precisasse de motivos para amá-los.



-Obrigada, eu amo tanto vocês – eu disse emocionada.



-Obrigada por voltar, Alice – Bella tinha tanta felicidade nos olhos que era impossível não dizer que ela era a melhor amiga que eu sempre desejei, mas eu soube disso desde a primeira vez que a vi em minhas visões.



Nessie havia passado por mais uma fase de crescimento, agora ela estava com o corpo de uma perfeita adolescente, além de seus traços estarem mais fortes e bonitos, ocupando o lugar dos traços infantis do belo rosto da filha de Bella. Ela estava esperando que Mellody e Matthew crescessem, para que os três pudessem começar a estudar. E tinha Jacob, é claro, mas isso é um segredo apenas entre ela e Mellody, algo que nem mesmo Edward consegue saber.



-Você está tão linda – eu disse orgulhosa.



-Sim! –Ela exclamou, diferente de Bella, Reneesme não era reservada nem tímida. –Eu ainda não acredito direito nessas mudanças, mas estou gostando muito! –Ela sorriu de orelha a orelha. –E precisamos URGENTEMENTE de fazer compras! Tia Alice, você esqueceu que é a minha personal styler? Se esqueceu, trate de lembrar agora mesmo! –Nessie e eu caímos na gargalhada.



-Está vendo só o que você fez com a minha pequena? –Bella fingiu irritabilidade, mas logo riu.



-Sem mais delongas, eu quero ver o que vocês andaram fazendo esse tempo todo! –Exigi.



-Está bem – minhas princesas disseram juntas, as duas vestiam roupas de ballet. Havia uma diferença bastante notável de tamanho entre as duas, além do uniforme ter mudado, Bella e Rosalie devem tê-lo escolhido.



-Nós compomos uma música – Nessie anunciou sentando-se ao piano.



-Eu a escrevi, e Nessie criou a melodia. –Mellody estava orgulhosa. –Esta canção se chama “Francis”, e é em francês – elas riram nervosas, Mell deu uma piscadela para mim, o que significava que ela me contaria algo sobre aquilo depois.



Eu veria o que ela me diria agora mesmo, mas eu queria mesmo ouvir a primeira música delas, e ainda era em francês. Eu bem sabia que as aulas eram úteis.



A música começou e haviam poucas notas e mais letra de início, mas isso mudou após alguns segundos. Era doce, e a voz de Mellody se encaixava perfeitamente na melodia. A letra era linda.



MÚSICA:


http://www.youtube.com/watch?v=9xxCbRsAisU





Francis - Original


Francis, tu as tant de chose à dire


Mais le tout reste enfermer


Et quand tu ne sais plus quoi dire


Tu te mets à pleurer


Mais ça ton publique le voit pas


Tu l’incites à rêver, pendant que toi tu le regarde


Francis, les mots restent bien coincé devant cette fille qui ne demande


Pas mieux que de se faire aimer


Toi, tu ne sais pas comme t’y prendre


Ta gorge resserrer, et ton cœur bat de plus belle


Alors que tes yeux sont sur elle





Mais moi, je ne t’oublierai pas et je compte sur toi


Pour venir en aide


À ceux qui ressentent pour toi, se que tu écris dans ces chansons pour elle





Francis, je m’en vais bientôt et je pense très très fort à toi


Pendant que mes doigts au piano te jouent tout se que je te dois


Et rappelle toi que tu peux avoir le monde à tes pieds


Si tu ne te laisse pas abattre par ceux qui te laisse de côté





Et moi, je ne t’oublierai pas et je compte sur toi


Pour venir en aide


À ceux qui ressentent pour toi, se que tu écris dans ces chansons pour elle


Mais moi, je ne t’oublierai pas et je compte sur toi


Pour venir en aide


À ceux qui ressentent pour toi, se que tu écris dans ces chansons pour elle






Francis - Tradução


Francis, você tem muito a dizer


Mas tudo continua fechado


E quando você não sabe mais o que dizer


Você começa a chorar


Mas isso tua plateia não vê


Você o incita a sonhar, enquanto você olha


Francis, as palavras ficam entaladas diante dessa menina que não pede


Melhor do que ser amado


Você, você não sabe como se dar


Tua garganta aperta, e seu coração bate mais forte do que nunca


Enquanto seus olhos estão sobre ela





Mas eu, eu não vou esquecer você e eu conto com você


Para ajudar


Àqueles que sentem por você, o que você escreve nas canções para ela





Francis, eu estou saindo em breve e eu penso muito em você


Enquanto meus dedos tocam no piano tudo o que eu te devo


E lembre-se que você pode ter o mundo aos seus pés


Se você não deixar se abater pelos que te deixam de lado





Mas eu, eu não vou esquecer você e eu conto com você


Para ajudar


Àqueles que sentem por você, o que você escreve nas canções para ela


Mas eu, eu não vou esquecer você e eu conto com você


Para ajudar


Àqueles que sentem por você, o que você escreve nas canções para ela.


(Letras Terra)





Era mais um momento em que eu gostaria de ser humana para poder chorar e expressar toda minha emoção. Eu sentia um orgulho inédito pelas duas. E a música ainda me fazia sorrir e mergulhar em pensamentos, enquanto os dedos de Reneesme dançavam sobre o piano, e a voz de Mellody atingia a afinação perfeita, meu coração desejava poder tamborilar em meu peito.





-Não é perfeita? –Bella sussurrou, seus olhos brilhavam, havia um sorriso bobo em sua face.






-É mais que perfeita, eu não sei definir, Bella, eu estou tão orgulhosa de você, Rose, Nessie e Mell! –Exclamei abraçando-a.



Ela retribuiu o abraço.



-Eu queria poder ter feito tudo o que você sempre faz por nós, mas é impossível, você é insuperável, Alice – ela sorriu.



Aquelas palavras me emocionaram ainda mais. Aquilo era algo como minhas boas vindas, e era extremamente perfeito. Segurei a mão de Bella, a minha melhor amiga, e voltei minha atenção a Reneesme e Mellody.



Foi quando me dei conta de que as duas usavam o medalhão da lua, no primeiro momento, levei um choque, eu havia visto aquele medalhão em minhas visões, e então sorri, aquele objeto tinha um significado importante, eu só não sabia qual.



-Quando elas ganharam aquele medalhão? –Questionei a Bella.



-Elas compraram quando foram a França com Rosalie – ela disse. – Mas não fique brava, foi um presente de aniversário da tia delas – Bella riu, eu fingi ficar brava. –Em noite de lua cheia, elas sempre ficam juntas, significa um pacto de que serão amigas para sempre, e como a lua está ligada a todos os fatos sobrenaturais, elas decidiram que isso representaria perfeitamente a amizade das duas. –Enquanto Bella informava, eu analisava o medalhão.



Era um objeto de ouro braco reluzente e cristais, havia as iniciais delas no medalhão de cada uma, RC e MC, as iniciais eram de um diamante rosa e de uma letra delicada e pequena, e havia uma pequenina estrela, quase imperceptível, no fim das iniciais de cada uma.



-Matt ganhou um também? –Franzi o cenho, Bella gargalhou.



-Emmett não o deixou nem mesmo ir a Paris, devia ver como ele cresceu. Matt é o filho perfeito de Rosalie e Emmett, tem a beleza da mãe, e a força e o jeito do pai. É engraçado que ele seja adotivo e seja tão parecido com os dois. –Bella não percebia, mas enquanto falava deles, ela tinha uma expressão encantada no rosto.



-Eu fico tão feliz de saber que ela conseguiu realizar uma grande parte de seu sonho... –Murmurei sorrindo. –Desde que a Nessie nasceu, Rose mudou muito, ela não é mais aquela pessoa egoísta, até com Jacob ela se dá bem agora – nós gargalhamos.



A música terminou e elas nos olharam.



-O que acharam? –Reneesme perguntou.



-PERFEITA! –Eu e Bella falamos juntas.



-Eu não disse?! –Reneesme indagou saltitante para Mellody. –Só você acha que sua voz não é boa – e elas se abraçaram.



-Mas ei, vocês estão achando que conseguiram me enganar? –Indaguei. –Não mesmo! Não vão fugir do treino de ballet! –Elas riram nervosas.



Com o tempo, eu fui aumentando a dosagem de exercícios, a ponto de que ela imploravam para terem apenas de dançar. Primeiro vinham os exercícios, depois os passos, e a coreografia no fim, quando tínhamos uma –que geralmente era uma a cada seis meses.







Depois do treino, Mellody e Reneesme foram tomar banho, e eu e Bella fomos para a casa de Esme.



-Anãzinha! –Emmett me deu um abraço de urso, eu retribuí e gargalhei.



O resto da minha família se aproximou, eles sorriam, eu fiquei extremamente feliz por revê-los. Sentia saudades de todos. Esme foi a segunda a me abraçar, seguida por Carlisle e Edward.



-Nunca percebi o quanto você faz falta – Edward riu. –Reneesme veio me perguntar se ela deveria usar vestido ou short para ir ao shopping – eu gargalhei, ele assentiu risonho. –Ela disse que Bella não tem senso de moda.



Rosalie apareceu na porta, ela falava ao celular e segurava na mão de Matt. Rose usava um óculos escuro, um moletom azul marinho de pêlo, seus cabelos estavam presos numa trança, ela era uma típica mãe americana. Matthew vestia um unirfome de futebol e chuteiras, e UAU! Ele tinha mesmo crescido, estava maior do Mellody, mas ainda menor do que Nessie, afinal não era um híbrido, seu cabelo estava espetado, havia um machucado no joelho, e ele tinha um sorriso com covinhas no rosto. Sim, ele era MESMO o filho de Rosalie e Emmett.



-Não, eu já disse que não – Rosalie berrava ao telefone, estava nervosa, quando ela me viu, o jogou no sofá, e ela e Matt correram em minha direção.



-Alice! –Eles exclamaram juntos me abraçando, eu retribuí.



Meu sobrinho não tinha menos carinho por ser um menino, aliás, eu era ainda mais carinhosa com ele, já que era o único garoto dos três pequenos da casa, agora com exceção de Reneesme.



-Você voltou! –Rose exclamou.



-Eu não posso deixar vocês de qualquer jeito, vocês não vivem sem mim – eu gargalhei.



Rose me abraçou mais uma vez antes de ir em direção a Emmett, já Matt ficou abraçado comigo. Como eu havia visto e falado com Jasper mais cedo, ele apenas me apertou contra seu peito e me acalentou.



-Na próxima vez, você vai levá-lo! –Ela exclamou brava novamente.



-O treinador do time de Matt deu em cima dela – Edward, ainda ao meu lado, murmurou, nós gargalhamos.



-O que aconteceu? –Emmett franziu o cenho.



-Geralmente isso levantaria o ego de Rosalie – eu fiquei confusa.



-É que ele realmente deu em cima dela – Edward deu ênfase a palavra “deu”. –E além disso, para Rosalie ele não é bonito físicamente, além de ser nojento.



-Ela quase pirou! –Matt disse, a voz dele também havia mudado.



-Aquele professor é um tarado nojento! –Rosalie exclamou. –Tive de me segurar para não acabar com ele e com a inha farsa de ser uma mãe normal.



Emmett gargalhou, para depois se irritar. Uma onda de ciúme veio depois, enquanto nós gargálhavamos da situação, aqueles dois adoravam brigar.







Depois daquele episódio, acompanhei Mellody em seu almoço, já que Matt havia almoçado antes de voltar do treino de futebol. Eu fique triste por não participar dessa decisão, pois sempre soube que ele treinaria futebol, Emmett e Matt amavam futebol.



-Mãe, você ficou muito tempo fora de si – Mellody riu. –Você não tem ideia do que passou enquanto você ficou deitada naquela cama. –Agora eu também ri, eu percebia o quanto havia errado.



-O que você queria me contar sobre a música? –Questionei sorridente.



Ela comeu um pouco mais da comida em seu prato antes de ajeitar a postura e arregalar os olhos para falar:



-Bem, todo mundo sabe que Jake teve o Imprinting com a Nessie – ela revirou os olhos. –E ele sempre a amou, mas agora que ela cresceu, as coisas mudaram, e o amor dele se distiguiu melhor, Jake ama Reneesme como mais que uma amiga ou irmã, mas ele não sabe como dizer isso a ela, nem se deve dizer, ele está tão confuso.



-Então a música é sobre ele? –Eu filosofei.



-Sim, exatamente... –ela mrmurou e tomou mais um gole de seu suco.



-Uau... – eu estava sem palavras. –Vocês se tornaram mesmo bons amigos, não é?



-Sim, ele não pode dizer isso a Bella, ela o mataria – Mellody riu.



-E quanto ao lado de Reneesme? –Questionei.



-Ela o ama também – ela estava indignada, era como se tudo aquilo fosse uma besteira.



-E quanto ao seu lado? O que está fazendo no meio desses dois que ainda não os uniu? –Indaguei rindo.



-Ah, não é bem assim – ela rolou os olhos. –Nenhum dos dois quer que eu conte ao outro sobre os sentimentos deles.



-E o que você pretende fazer?



Ela comeu mais um pouco de sua comida, pensando enquanto mastigava, quando engoliu, disse sem hesitar:



-Contar – Mellody estava certa daquilo – mas de uma forma diferente – completou. –Quer participar disso?



-Edward não mataria você, mas a mim sim – eu dei um riso. –Mas quer saber? Não tenho medo dele!



Nós rimos. Era como se tudo estivesse perfeitamente destinado a ser como era. Matt ser adotado por Rosalie, e Mellody por mim. Eles não poderiam ser filhos de mais ninguém, eu sentia que o lugar deles era aqui, conosco, a respectiva família deles.


Autora: Leticia
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